Polícia faz operação sem mandado contra ONG AbraCannabis no RJ

Segundo associação, agentes armados com fuzis ameaçaram pessoas e se recusaram a mostrar o teor da denúncia: "nos faz acreditar de se tratar de mais um caso de uso político das forças policiais"
Associados da Abracannabis durante a fundação da entidade em 2015 (Foto: Arquivo Pessoal)

A associação de pacientes AbraCannabis, do Rio de Janeiro, denunciou nesta terça-feira (13) que na noite passada a sede da entidade sofreu uma ação truculenta por policiais da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). Segundo a ONG, os agentes informaram estarem investigando denúncias feitas pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) de que haveria no local um cultivo ilegal de maconha.

“A ação foi feita com violência desnecessária com policiais armados de fuzis, que ameaçaram o porteiro do condomínio para que não avisasse pelo interfone da chegada deles. Os policiais não tinham mandado, se recusaram a mostrar o teor da denúncia e a ação só não prosseguiu pois não havia nenhum cultivo de maconha no local. A atitude dos agentes e a recusa em passar mais informações sobre o inquérito nos faz acreditar de se tratar de mais um caso de uso político das forças policiais a fim de constranger nossa associação”, declarou a entidade em nota.  

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A sede da AbraCannabis fica no apartamento de um dos associados, o engenheiro Pedro Zarur, que permitiu que o endereço dele fosse utilizado. Ele possui Habeas Corpus para cultivo de maconha no tratamento de dores crônicas, atividade de conhecimento das forças policiais do RJ através de ofício enviado pelo judiciário na época do julgamento do HC.

“Estamos preocupados com a integridade da família”


Em entrevista ao portal Cannabis & Saúde, Pedro Zahur afirmou que o episódio só se encaminhou para algo com maior gravidade simplesmente pelo fato de o cultivo estar desativado naquele momento. 

“Eu já tinha remédio suficiente pra mim e dei uma parada. e se tivessem achado o cultivo, até se comprovar isso poderia ter sido minha filha presa, poderiam ter levado minhas plantas”, afirmou.

Apesar do desfecho não ter sido esse, Zarur afirma que a família está insegura.

“Minha filha já está bem. Mas estamos assustados, porque esse pessoal que fez a denúncia é ligado ao Bolsonaro. É um cara que já tem antecedentes, já entrou armado em universidade, já acuou alunos da Uerj. Ele tem um histórico que nos deixa inseguro. Estamos seriamente preocupados com a integridade da nossa família”.

Zarur informou que a entidade está sendo defendida pela Rede Reforma, coletivo de juristas envolvido no acesso à Cannabis no Brasil.

A Abracannabis é uma associação de pacientes que buscam acesso aos remédios à base de maconha para tratamento. A ONG informa que não possui cultivo próprio nem comercializa remédios.

As ações da entidade são focadas na divulgação de conhecimento através de cursos e workshops, consultas e acompanhamento médico dos tratamentos e de parcerias com instituições de pesquisa e universidades.

“Pelo exposto viemos a público reiterar nosso questionamento ao DCOD sobre a natureza do procedimento instaurado, se de fato existe um inquérito ou se toda essa ação não passa de uma farsa utilizando recursos públicos com a finalidade de atender a interesses políticos inconfessáveis e para tentar constranger quem trabalha voluntariamente pela saúde de nossa população”, declarou a entidade.

O portal Cannabis & Saúde ligamos para a DCOD em busca de mais esclarecimentos. A delegacia informou que apenas pessoalmente poderia passar informações. Por isso, encaminhamos um email à assessoria de imprensa da Polícia Civil. Os telefones celular e do gabinete do deputado Rodrigo Amorim não retornaram às ligações.

Porém, o deputado se manifestou durante a tarde nas redes sociais.

“Remetemos à Polícia Civil do RJ o ofício 059/006/2021, pois recebemos uma denúncia anônima revelando que no site da tal Abracannabis havia a frase “luta pela democratização no acesso a todas formas de uso do vegetal cannabis. Alto lá! Uma coisa é defender terapias! Outra é usar a necessidade de milhares de famílias (que utilizam um medicamento aprovado pela Anvisa em dezembro de 2019) como pretexto para “todas as formas de uso de Cannabis”.

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