O uso de CBD em idades avançadas: impactos positivos na terceira idade, com a palavra Dra. Letícia Mayer

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O passar do tempo traz sabedoria, lembranças, surpresas nem sempre boas, cicatrizes e certa inquietude. Isso concluo, humildemente, das inúmeras horas de conversa com meus queridos pacientes, mestres de vida para uma médica ainda antes dos seus 40 anos. O que mais iria querer eu do que aprender com esses grandes exemplos? Conversar faz parte das minhas consultas, e tiro grande satisfação deste ato. Acredito que meus pacientes também, pois a troca genuína é sempre gratificante.  

Em todos esses momentos, não trago para a consciência o tal ensinamento, mas lá no fundo ele já se encontra bem elaborado e sempre pronto a manifestar-se: “Curar quando possível, aliviar quando necessário, consolar sempre”. 

De origem e criador indefinidos, muitas vezes associada (erroneamente) ao pai da medicina, Hipócrates, essa expressão encontra sentido quando lidamos com questões relacionadas ao envelhecer. Obstinação terapêutica, excesso de investigações, cascata iatrogênica, polifarmácia, procedimentos supérfluos dão lugar a outras abordagens – aquelas que têm como centro da sua atenção a pessoa, não a doença.

A abordagem centrada no indivíduo encontra (ou deveria encontrar) seu ápice quando lidamos com pessoas idosas. Não sou a maior fã deste termo, idoso, que chega carregado de certo estigma e preconceito, mas isso é tema para uma outra conversa… Voltando ao nosso tema de hoje, introduzo um assunto “da moda”, mas recheado de uma tremenda relevância: CANNABIS MEDICINAL. 

Jogue uma pedra quem ainda não ouviu falar desse assunto! Ok, ok, eu levaria algumas pedradas, pois a informação é rápida, mas não tanto para algo que, até pouquíssimo tempo atrás, sofria pesadas sanções e proibições. De droga ilícita combatida com todas as forças, chegamos hoje a tratamento com efeitos promissores em diversas patologias e sintomas, desde insônia até câncer.

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Importância do Sistema Endocanabinoide

Essa nova terapêutica baseia-se na descoberta de um sistema denominado Endocanabinoide, o último sistema a ser descrito pela ciência como parte do organismo humano. Sem exercer uma função única específica, o Sistema Endocanabinoide, ou SEC, age como um maestro da nossa orquestra interna. Orienta, regula, sinaliza, garante a harmonia e promove a unidade dos outros órgãos e sistemas. Objetivo: manter o funcionamento equilibrado do corpo. Como suas funções destacam-se o controle do ciclo sono-vigília, dos processos inflamatórios e imunológicos, do apetite, da sensação de dor, do trânsito gastrointestinal e da aquisição de memórias, entre tantos outros.

Não seria surpresa se eu contasse àqueles meus pacientes, durante nossas conversas, que o SEC, como os outros componentes do nosso organismo, vai diminuindo seu funcionamento e perdendo sua capacidade com o passar dos anos. Vai, portanto, entrando em desequilíbrio. “Conte-me alguma novidade, doutora, tudo parece decair com o tempo!”. Gostaria eu de ter outra resposta…

Nesse sentido, podemos imaginar que restaurar o bom funcionamento do SEC é estratégico para prevenir e reduzir perdas, devolvendo saúde e bem-estar.

Pensamos que aqui pode estar uma explicação para o bom funcionamento dos medicamentos derivados da cannabis em diversas doenças relacionadas ao envelhecimento. Os canabinoides, substâncias que ativam o SEC e são essenciais para seu funcionamento, encontram-se na famosa planta, dando origem a compostos com potencial terapêutico. São óleos, cápsulas, cremes, sprays ricos em canabinoides que são comercializados como medicamentos para diversas patologias ou sintomas. Algumas já com alto grau de evidência científica, como as epilepsias refratárias, a espasticidade na Esclerose Múltipla, a perda de peso nos pacientes com HIV, o controle de náuseas e vômitos em pacientes fazendo quimioterapia. Temos pesquisas sólidas demonstrando os benefícios nesses casos.

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Inúmeras outras afecções ou sintomas têm apresentado resultados positivos com o uso de canabinoides, em estudos científicos, e vêm ganhando campo como potenciais terapias.

Gastaria meu espaço inteiro se fosse redigir todas as condições para as quais o uso dos canabinoides vem sendo estudado. Escolhendo as mais relevantes, cito ansiedade, depressão, insônia, Transtorno de Stress Pós-Traumático, dor crônica, doença de Alzheimer e outras demências, doença de Parkinson, Artite Reumatóide, neuropatias, fibromialgia, autismo, doença de Crohn… Trazendo algumas curiosidades, conto que vem sendo avaliados em tratamento de câncer, prevenção de doenças neurodegenerativas, cessação do alcoolismo e outras dependências, doenças de pele, tratamento de infertilidade, dor pós-operatória, asma…

Nessas condições em que os estudos não são tão consistentes, podemos optar por este tipo de tratamento em casos refratários, ou seja, quando já em uso de outros medicamentos sem resposta adequada. Indicamos também naqueles onde não são tolerados medicamentos “tradicionais” por seus efeitos adversos (“colaterais”) ou suas interações medicamentosas. Também, com muita responsabilidade, esclarecimentos e decisão compartilhada, podemos prescrever para aqueles que optam por iniciar já com os canabinoides, em detrimento dos medicamentos alopáticos clássicos, por questões de estilo de vida, crenças, preferências individuais.

Seja para o tratamento de uma condição comum como dor crônica ou insônia, seja para melhorar sintomas relacionados a doenças degenerativas ou outras de alta complexidade, o uso de derivados da cannabis na terceira idade tem papel crescente. Se considerarmos a quantidade considerável de efeitos adversos, os ditos “efeitos colaterais” dos medicamentos clássicos, marcam mais um gol os canabinoides: suas reações indesejadas são bastante reduzidas, toleráveis ou melhoram com o passar do tempo e tendem a ser evitadas ou mitigadas com a titulação (início com dose baixa e aumento gradual conforme resposta e tolerância). Além disso, não existe dose letal de cannabis, seja ela medicinal ou recreacional, mostrando perfil de segurança muito satisfatório para uso inclusive em pessoas debilitadas, idosas e com comorbidades – sempre com avaliação médica criteriosa, evidentemente.

Fico muito feliz em ter mais uma classe terapêutica como alternativa para pacientes em sofrimento. Como profissional da saúde, é grande o fardo de ver pessoas em situações difíceis e não ter soluções. Mas precisamos aceitar e amadurecer, dentro de nós, a ideia de que nem todas as doenças têm cura e que, muitas vezes, aliviar o sofrimento deve ser a prioridade, especialmente na terceira idade. A sensação não deve ser de derrota, mas de perseverança – em manter o paciente bem, apesar dos seus problemas; promover autonomia, devolver independência, dar qualidade de vida e dignidade, aliviar a dor e os demais sofrimentos (de ordem física, emocional, social, espiritual).

Ignorar a importância e os benefícios da terapia canabinoide é, hoje em dia, inaceitável em um profissional do cuidado. As evidências estão aí, com livre acesso para todos, basta querer ver.

Conheça a Dra. Mayer

A Dra. Letícia Mayer é formada pela Universidade Federal de Porto Alegre/RS, em 2008. Clinica atualmente entre São Paulo e Porto Alegre, fazendo atendimentos on-line para todo o Brasil. Acredita na medicina humanizada e grande proximidade com pacientes. Atendimento e agendamento são feitos direto pela médica, com acesso fácil dos pacientes pelo WhatsApp, quando necessário. Acompanha de perto o tratamento, sempre considerando que a medicina canabinoide é personalizada e precisa da atenção frequente do médico.

“Geriatria feita com carinho e cuidado, Cuidados Paliativos com seriedade e humanização, Medicina de Família com atenção ao paciente de forma integral.”

Marque sua consulta com a Dra. Letícia Mayer aqui.

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