Tetraplégica encontra na Cannabis motivação e alívio contra dores e espasmos

Terapeuta Fernanda Fontenele possui uma clínica inovadora de reabilitação para pessoas com paralisia e defende o uso medicinal da maconha
Tetraplégica encontra na Cannabis motivação e alívio para dores e espasmos

A brasiliense Fernanda Fontenele, de 33 anos, ficou tetraplégica após um acidente de carro na adolescência. A nova condição fez com que ela se dedicasse a ajudar pessoas com paralisia, inclusive trazendo um método inédito ao Brasil, o Sistema de Treino Neuromotor (NTS na sigla em inglês), que vem transformando a área de recuperação física. A Fernanda conheceu esse método nos EUA e o trouxe para São Paulo após ter resultados impressionantes. A moderna terapia, contudo, funciona melhor quando aliada a uma medicina milenar: a Cannabis.

Fernanda explica que os tratamentos tradicionais disponíveis no Brasil basicamente ensinam o cadeirante a ser um cadeirante, enquanto que o NTS é um conceito diferente, que trabalha a atividade física, as potencialidades da pessoa, independente da gravidade da lesão. Inclusive o centro de saúde dela, o Acreditando Brasil, já atendeu diversos atletas paralímpicos, como a ginasta Laís Souza e o Fernando Fernandes, tetracampeão de paracanoagem e hoje apresentador de TV.

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Nossa rede de médicos foi criada com o apoio de um conselho altamente qualificado para conectar você a profissionais sérios e habilitados para lidar com os mais diversos casos onde o tratamento com CBD é eficaz.

Ela mesma é paciente beneficiada pelo método e hoje já consegue ficar em pé e até caminhar com ajuda de barras e profissionais.

A Fernanda é graduada em Jornalismo, mas também se formou e atua como naturopata e terapeuta floral. E a flor que mais faz a diferença na qualidade de vida da Fernanda é a Cannabis.

“A melhora da dor é extremamente significativa, o que faz uma grande diferença. Me dá mais qualidade de vida, porque com dor ninguém se sente motivado para fazer as coisas no dia a dia, consigo trabalhar, fazer meus exercícios com mais qualidade. Todas as rotinas eu consigo desenvolver com mais facilidade e também sinto muito melhora no relaxamento da musculatura, porque eu tenho muitos espasmos, movimentos involuntários, e melhora demais”.

Fernanda Fontenele será uma das participantes da segunda edição do Medical Cannabis Summit, um evento online e gratuito dedicado a todas as pessoas interessadas em aprender mais sobre medicina canabinoide, de pacientes a médicos. E para quem quiser saber um pouco mais sobre a Fernanda, ela conversou com o Cannabis & Saúde sobre sua história, sobre o projeto de vida dela e, claro, sobre como o óleo derivado da planta ajuda uma paciente tetraplégica, que é quando a lesão retira os movimentos abaixo do pescoço.

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Cannabis & Saúde: Como foi lidar com a tetraplegia tão cedo na tua vida?

Fernanda Fontenele: Eu tinha só 16 anos quando sofri o acidente, em 2003. Foi um acidente de carro, o carro capotou, o cinto de segurança me protegeu, mas o efeito chicote fraturou as vértebras da minha coluna cervical. Por isso, eu fiquei paralisada do pescoço pra baixo nível C6 e C7. 

Então eu fui diagnosticada com lesão medular. Dali em diante, começou uma nova Fernanda, eu vi o meu mundo virar de cabeça para baixo, mas aos poucos fui me reorganizando. Eu estava no 3º ano e concluí do hospital o Ensino Médio. E logo comecei o processo de fisioterapia. Aos poucos os movimentos foram voltando. Hoje eu já tenho o movimentos dos braços de volta, consigo ficar em pé e até caminhar com a ajuda das barras. E de profissionais, claro!

Você conheceu um tratamento inovador para pessoas com paralisia e trouxe esse conceito para o Brasil. Que método é esse?

Em 2009, eu fui fazer um tratamento fora do país numa clínica (Project Walk, da Califórnia) que trabalha todos os potenciais, e não só visava a pessoa a ensinar o cadeirante a ser cadeirante. Hoje no Brasil a maioria tem essa conduta.

Fiquei um ano e lá tive outros ganhos. E aí, junto com meu sócio, tivemos a ideia de trazer para o Brasil esse conceito diferente chamado NTS (Neuromotor Training System), através de atividade física, que esse é o nosso objetivo no Acreditando, trabalhar as potencialidades do cliente independente da gravidade da lesão. Obviamente sempre coerente com a expectativa de cada um.

Então desde 2010 a gente tem o projeto, trabalhamos com universidades como a Unifesp, a USP. Foi algo inédito no país. E o pioneirismo é sempre visto com olhos enviesados, então nosso trabalho sempre foi focado em trazer a seriedade. Hoje atendemos público de toda América Latina.

E quais são as diferenças do NTS de um tratamento tradicional?

São várias as diferenças. Uma delas é trabalhar as potencialidades no objetivo da recuperação dos movimentos que foram perdidos, independente dos fatores externos, independente se a lesão é grave ou não. O nosso objetivo é trabalhar o potencial máximo de recuperação do cliente. 

Os outros centros de reabilitação vão oferecer informação, instruções focadas em reinserir o indivíduo na sociedade, desde como trabalhar, como dirigir. Porém, é isso, é ensinar as adaptações dali por diante. Isso é muito importante, mas o nosso foco é muito mais.

Aqui não tem cara de hospital mas de academia, onde a gente encoraja para que todos venham motivados. Tem música alta, os profissionais trazem um dinamismo. Temos também trabalho na água.

O nosso trabalho é muito específico na preparação física de atletas, inclusive paralímpicos, a questão cardiorrespiratória, a força motora, então é bem focado na academia. Também a possibilidade de experimentar treinos de marcha, o caminhar suspenso, mesmo que com auxílio, trazer essas novas percepções a esses atletas, é o que traz esse diferencial.

E além desse trabalho, você é paciente e defensora da Cannabis medicinal

Isso já vem desde 2009, quando eu morei na Califórnia. Lá já são muito conhecidos todos os produtos com Cannabis. Então, desde coisas mais estéticas até os próprios óleos medicinais, o extrato da Cannabis. E lá eu conheci, tanto cosméticos, quanto óleos de CBD. Eu tenho uma série de hérnias de discos na coluna, dores que são crônicas, e aí realmente é algo que auxilia demais. Desde o uso tópico como oral. Então desde lá eu tenho usufruído desses produtos, mas sempre importados, quando eu vou pra fora.

Quando fui para Amsterdam e pro Chile, eu conheci outras marcas. E recentemente eu entrei com o processo para fazer a importação via Anvisa.

Como tem sido esse tratamento? 

Nossa, é difícil listar, mas a melhora da dor é extremamente significativa, o que faz uma grande diferença. Me dá mais qualidade de vida, porque com dor ninguém se sente motivado para fazer as coisas no dia a dia. Eu consigo trabalhar, fazer meus exercícios com mais qualidade. Todas as rotinas eu consigo desenvolver com mais facilidade e também sinto muito melhora no relaxamento da musculatura, porque com as dores eu tenho muitos espasmos, movimentos involuntários que atrapalham meu dia a dia. E a Cannabis melhora demais.

Como você vê essa dificuldade de acesso a essa medicina no Brasil?

Eu acho que ainda é uma questão muito política que envolve coisas que a gente não tem muita ciência. Por que tantos países desenvolvidos tratam a Cannabis com muito mais leveza do que pintam para o Brasil?

Então eu acredito que é uma visão muito fechada, muito pequena perante tantos benefícios incríveis para a saúde de tantas doenças que as pessoas podem usufruir. Eu acho que a gente só terá a ganhar quando tivermos maior facilidade de acesso a produtos medicinais. 

Você estará no Medical Cannabis Summit em novembro. O que a audiência do evento pode esperar da tua participação?

Eu, como profissional que tenho formação nessa parte fitoterápica e naturopatia vou trazer essa visão dos benefícios das plantas que a gente utiliza de forma tão corriqueira no nosso dia a dia e por que não ter os mesmos benefícios com a Cannabis. Então meu convite é nesse sentido, de falar como uma pessoa usuária mas também profissional!

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