Britânicos lançam o primeiro teste clínico para Cannabis contra o câncer

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Pesquisadores pretender acompanhar 232 pacientes com câncer tipo glioblastoma durante três anos para definir se a Cannabis ajudou no tempo de sobrevida

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Um grupo de pesquisadores do Reino Unido se prepara para a segunda fase do primeiro teste clínico que investiga as propriedades antitumorais da Cannabis medicinal. A pesquisa busca definir se o tratamento com o medicamento chamado Sativex, que no Brasil é vendido como Mevatyl, tem efeito na forma mais agressiva de tumor cerebral.

Embora o estudo da fase 1, com 27 pacientes, tenha observado que mais pacientes estavam vivos após um ano de Sativex em comparação com o grupo que recebeu placebo, o estudo não teve poder suficiente para mostrar o impacto na sobrevida.

O novo ensaio de fase II, liderado pela Universidade de Leeds, irá avaliar se a adição de Sativex – um spray oral contendo canabinoides THC e CBD – à quimioterapia, pode estender a vida de milhares de pessoas diagnosticadas com glioblastoma.

O medicamento, já usado no tratamento da esclerose múltipla, foi considerado tolerável em combinação com quimioterapia, com potencial para estender a sobrevida no ensaio clínico da fase 1, em glioblastomas, no início deste ano.

Como funciona o estudo da Cannabis no câncer

O novo ensaio clínico, com prazo previsto de três anos, deve começar a recrutar mais de 230 pacientes em todas as nações do Reino Unido no início de 2022. Os especialistas esperam que, caso o estudo seja bem-sucedido, o Sativex possa representar uma das primeiras adições ao tratamento do sistema público de saúde britânico para pacientes com glioblastoma desde a quimioterapia com temozolomida em 2007.

A Professora Susan Short,Professora de Oncologia Clínica e Neuro-Oncologia em Leeds, é a principal investigadora do novo estudo. “O tratamento dos glioblastomas continua extremamente desafiador. Mesmo com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, quase todos esses tumores cerebrais voltam a crescer em um ano e, infelizmente, há muito poucas opções para os pacientes quando isso ocorre”, afirmou.

“Tumores cerebrais de glioblastoma mostraram ter receptores para canabinoides em suas superfícies celulares, e estudos de laboratório em células de glioblastoma mostraram que essas drogas podem retardar o crescimento do tumor e funcionar particularmente bem quando usadas com temozolomida.”

Combatendo o câncer cerebral agressivo

Os glioblastomas são a forma mais comum e mais agressiva de câncer no cérebro. Eles geralmente são de crescimento rápido e difusos, com limites mal definidos e gavinhas em forma de fio que se estendem para outras partes do cérebro.

Quase todos os glioblastomas reaparecem mesmo após tratamento intensivo, e a sobrevida média é de apenas 12-18 meses a partir do primeiro diagnóstico.

Na última década, houve um interesse global significativo tanto nas comunidades de pacientes quanto nas científicas sobre a atividade dos canabinoides em tumores cerebrais, com a visão de que os produtos à base de canabinoides podem não apenas ajudar a aliviar os sintomas, mas também podem ter um impacto positivo na sobrevivência.

Vários estudos laboratoriais pré-clínicos sugeriram que os canabinoides THC e CBD podem reduzir o crescimento das células tumorais cerebrais e podem interromper o fornecimento de sangue aos tumores – mas, até o momento, as evidências clínicas de que eles poderiam tratar tumores cerebrais foram limitadas.

Neste novo estudo de fase II, os pesquisadores avaliarão se a adição de Cannabis medicinal ao tratamento de quimioterapia padrão atual (temozolomida) pode oferecer mais tempo de vida para adultos com diagnóstico de recorrência de seu glioblastoma após o tratamento inicial.

Resultados da primeira fase do uso da Cannabis

Stephen Lee, 62 anos,, participou do estudo de fase I do Sativex, produto de Cannabis, em 2015 depois que seu glioblastoma retornou após o tratamento inicial. Stephen foi diagnosticado pela primeira vez em 2010, poucos meses depois de, infelizmente, ter perdido seu irmão mais velho para a mesma doença.

“Meu diagnóstico foi muito repentino e foi um daqueles dias que você nunca esquece. Sai do trabalho mais cedo com uma forte dor de cabeça e uma pontada no olho direito, minha esposa insistiu que fossemos direto para o hospital depois do que meu irmão havia passado”, contou.

“Fui internado no mesmo dia, fiz um exame e foi aí que identificaram que era um tumor cerebral. Fiz a operação na semana seguinte e, de antemão, minha esposa e eu concordamos que queríamos ser positivos, continuar vivendo nossas vidas e aproveitar o tempo que tivéssemos juntos.”

Ele entrou no teste inicial com o Sativex com a esperança de que pudesse melhorar sua qualidade de vida. “Achei que era certo e apropriado seguir seus passos e participar de um estudo para ajudar a provar uma nova droga que poderia beneficiar tantas pessoas no futuro com um glioblastoma recorrente”, diz Lee.

“Tomei o spray oral 10 vezes ao dia e era fácil, pois podia levá-lo aonde quer que fôssemos, mesmo quando saíamos para jantar. Embora eu não saiba se tomei Sativex ou o placebo, desde que o teste terminou em 2016, todos os meus exames de ressonância magnética não deram sinais de câncer.”

Detalhes do estudo

O estudo planeja recrutar 232 participantes em um mínimo de 15 hospitais: dois terços dos participantes receberão temozolomida mais Sativex, enquanto um terço receberá temozolomida mais placebo.

Os participantes serão solicitados a administrar até 12 pulverizações do spray por dia (ou a dose máxima que eles podem tolerar, se menos de 12) ou placebo. Eles serão submetidos a um acompanhamento regular, incluindo avaliação clínica (a cada quatro semanas), exames de sangue, exames de ressonância magnética (a cada oito semanas) e preencherão questionários de qualidade de vida.

O estudo irá medir se a adição de Sativex à quimioterapia estende a duração total da vida dos pacientes (sobrevida geral), atrasa a progressão de sua doença (sobrevida livre de progressão) ou melhora a qualidade de vida.

No estudo de fase I inicial, os efeitos colaterais mais comuns relatados foram fadiga, dor de cabeça, vômitos e náuseas, que foram classificados como de gravidade leve a moderada.

Para David Jenkinson, CEO da The Brain Tumor Charity, que está financiando o estudo, o objetivo é dar esperança aos pacientes. “Com tão poucos tratamentos disponíveis e a sobrevida média ainda tão dolorosamente curta, milhares de pessoas afetadas por um glioblastoma no Reino Unido a cada ano precisam urgentemente de novas opções.”

“Sabemos que há um interesse significativo entre nossa comunidade sobre a atividade potencial dos canabinoides no tratamento de glioblastomas e estamos muito animados com o fato de que este primeiro teste mundial aqui no Reino Unido possa ajudar a acelerar essas respostas”, continuou.  “As recentes descobertas em estágio inicial foram realmente promissoras e agora esperamos entender se a adição de Sativex à quimioterapia poderia ajudar a oferecer extensão e melhor qualidade de vida, o que seria um grande passo em nossa capacidade de tratar esta doença devastadora.”

O resultado do estudo deve levar um tempo precioso para quem carrega o diagnóstico de glioblastoma. Embora outros produtos à base de Cannabis possam ajudar a aliviar os sintomas, não há evidências suficientes para recomendar seu uso para ajudar no tratamento de tumores cerebrais.

Para qualquer pessoa que esteja considerando usar produtos à base de Cannabis ou outras terapias complementares, é vital que você discuta isso com sua equipe médica primeiro, pois eles podem interagir com outros tratamentos, como medicamentos antiepilépticos ou esteroides.

 

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