Dinho Ouro Preto substitui químicos por canabidiol e vence a insônia: “sensação de liberdade”

Em entrevista exclusiva ao portal Cannabis & Saúde, vocalista do Capital Inicial falou sobre sua experiência com a Covid-19, a luta para se livrar do clonazepam para dormir e como a Cannabis medicinal lhe devolveu qualidade de vida

O espírito sempre jovem de Dinho Ouro Preto esconde a idade, mas o líder do Capital Inicial já está com 56 anos. E nessa última década, a saúde do roqueiro deu provas de que está em dia. Ele já pegou dengue, H1N1 e, em abril de 2020, o coronavírus. Se curou de todas, embora a Covid-19 tenha sido a pior experiência.

“De longe a pior. E desde que eu adoeci e minha voz não voltou ao normal”, revelou em entrevista exclusiva ao portal Cannabis & Saúde.

Essas enfermidades, no entanto, foram todas passageiras e superadas. Contudo, uma batalha que já durava anos na vida do Dinho era contra duas condições bem comuns aos brasileiros: a insônia e a decorrente dependência em clonazepam, o famoso Rivotril®.

“Eu venho numa batida incessante, são 20 anos tocando sem parar, emendando uma turnê na outra. E grande parte da minha vida é em trânsito. De uma cidade pra outra, dormindo em ônibus, aviões, hotéis. Essa experiência acabou dando um nó no meu sono, de dormir de manhã, de fragmentar o sono. Uma coisa bastante desconfortável. Esse problema foi se acumulando e virou uma ansiedade e uma insônia crônica”.

Dinho Ouro Preto conta que só conseguia dormir com o uso das perigosas benzodiazepinas. Só que esses remédios provocam efeitos colaterais que vão de dor de cabeça ao cansaço, das náuseas à depressão, além de dificuldades de concentração. O artista conta que “estava viciado nessa turma de tarja preta”. E aí aproveitou o momento de sossego que o isolamento social provocou para testar um novo tratamento.

Procurou a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, que já era médica do filho dele. A doutora receitou o canabidiol através de uma teleconsulta.

Começou então com um óleo importado, que já fez efeito na hora. Porém, os dois frascos que ele comprou acabaram rápido. Com as dificuldades de importação provocadas pela pandemia, partiu para um óleo artesanal feito por uma amiga. Esse produto no entanto, vinha com THC, substância psicoativa da maconha que lhe causou mais ansiedade. Hoje o músico está utilizando o único fitofármaco de CBD isolado vendido nas farmácias brasileiras, mas que custa mais de R$ 2 mil.

“Eu estou dormindo! E consegui me livrar do remédio. Então eu consegui as duas coisas. Foi uma substituição eficiente, funcionou. Para mim é uma sensação de liberdade, um alívio”, conta. “O problema é que é caro”, lamenta.

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C&S: Você já pegou outros vírus ao longo dos últimos anos, mas com a Covid-19, como foi?

Dinho Ouro Preto: Eu peguei há muitos anos atrás uma infecção hospitalar e fui parar numa UTI. Mas fora essa experiência, de longe é a pior. Já peguei tudo. Peguei gripe suína, peguei até dengue (risos).

Está ficando com a imunidade forte!

Não se sabe, né? Eu tenho o anticorpo, mas isso não é garantia.

Depois de pegar o vírus, você fez sessões de fonoaudiologia pra recuperar a condição vocal?

O vírus em si pra mim durou 15 dias. Eu tive febre diariamente, calafrios, dores no corpo, falta de apetite. E eu, lá pelo nono dia, tive uma piorada, deu uma infecção, eu tive dificuldade em respirar. Mas consegui lidar com a coisa toda só com Novalgina®. Não fui hospitalizado. Depois, quando eu fui tocar e cantar eu vi que minha voz estava falhando.

Eu tenho feito exercícios desde então que foram passados por essa fono. Duas vezes por dia. A minha voz não voltou 100%. Algumas notas eu não tenho alcançado, mas aos poucos vai voltar. Eu passei no consultório dela e peguei uns tubos para assoprar dentro d’água, um negócio chamado respiron, que são três bolinhas que você tem que assoprar. A fonoaudiologia é meio que uma fisioterapia respiratória, porque eu perdi a capacidade né, é mais física do que as cordas vocais propriamente ditas. É com o aparelho respiratório.

Outra situação de saúde que te envolve é o uso da Cannabis medicinal. Você teve problemas com insônia e recentemente tem se tratado com CBD para conseguir dormir. Como tem sido esse tratamento?

Eu venho numa batida incessante. São 20 anos tocando sem parar, emendando uma turnê na outra. E grande parte da minha vida é em trânsito. De uma cidade pra outra, dormindo em ônibus, aviões, hotéis. Essa experiência acabou dando um nó no meu sono, de dormir de manhã e fragmentar o sono. Uma coisa bastante desconfortável. Esse problema foi se acumulando e virou uma ansiedade e insônia crônica.

Eu tratei durante muitos anos com Rivotril. E aí começaram as bandeiras vermelhas que eu precisava largar esse remédio, e eu tentei algumas vezes largar. No entanto, eu não conseguia dormir, achar algo que substituísse esse remédio. Eu queria sair desses remédios, mas tinha muita dificuldade. Eu estava viciado nessa turma de tarja preta.

Eu já tinha ouvido alguns amigos me indicando o canabidiol, que poderia ser a minha solução. E tanto pra largar o Rivotril quanto para tratar a insônia, para ambas as coisas. E aí, alguns poucos meses atrás eu procurei a Ana (Hounie), ela trata meu filho que tem distúrbio de atenção. Eu fiz uma consulta com ela pelo telefone, telemedicina. Isso foi pouco mais de 2 meses atrás. E eu consegui! Estou aqui há 2 meses sem Rivotril, só com canabidiol. Para mim foi uma descoberta inesperada.

Eu fumei maconha durante muitos anos, eu parei de fumar maconha 3 anos e meio atrás. É gozado, durante muitos anos da minha vida eu fazia uso crônico e eu comecei a sentir ansiedade, efeitos colaterais que não achava mais bacana e parei. Então eu também exitava em me meter com qualquer coisa que tivesse associação com Cannabis. E o que eu quis do canabidiol foi justamente algo que não tivesse THC. E funcionou.

A Dra Ana te receitou uma medicação importada, já que não tinha o nacional ainda não estava nas farmácias, certo?

Bem lembrado. Porque quando eu comecei a falar com ela, a comunicação com os Estados Unidos ainda estava aberta. Então eu comprei dois vidrinhos de um fornecedor do Colorado. E, quando eu comecei o tratamento com a Ana, eu já tinha esse estoque trazido dos EUA. Mas eles acabaram.

Tem uma amiga no Rio que tem uma filha epiléptica, e ela trata a filha com canabidiol, mas ela faz em casa. E quando acabaram os vidrinhos americanos, eu liguei pra essa minha amiga e ela me mandou um canabidiol feito em casa. Porém, por ser feito em casa, vem com o THC também. Eu fiz o uso do dele por uma semana até conseguir a versão brasileira, que saiu agora. E eu comprei a brasileira, que é feito por uma laboratório do Paraná (Prati-Donaduzzi). O problema é que é caro.

Tomara que com a produção em escala, o preço caia. Porque tem pessoas que precisam, no meu caso insônia, essa filha da minha amiga epiléptica. É um remédio importante, seria bom o preço diminuir. Eu não sei se pra mim vai ser financeiramente mais vantajoso comprar o brasileiro ou importar, tenho que fazer esse cálculo, mas já suspeito que seja o americano, mesmo com o dólar a esse preço.

E como foi a experiência com a Dra Hounie, foi uma consulta digital, e você teve que ir atrás.

Eu não sei como o assunto canabidiol surgiu, eu estava frustrado com a minha médica, porque queria largar o Rivotril há muitos anos, e eu me dava conta dos efeitos nocivos, neurológicos, usado a longo prazo ele é muito tóxico, e eu não achava um ansiolítico substituto. Talvez eu tenha mencionado com a Ana numa consulta com meu filho.

Até que veio a pandemia, e eu pude interromper essa minha vida maluca de viagens ininterruptas pela primeira vez nos últimos 22 anos. Então eu não estava mais sujeito ás viagens constantes, a trocar a noite pelo dia, fragmentar meu sono entre ônibus, aviões e hotéis. Eu pude interromper essa rotina massacrante. E aí eu lembrei que a Ana tinha tocado nesse assunto do canabidiol. Fizemos uma teleconsulta, ela me passou a receita, minhas filhas na época estavam morando nos EUA, e eu pedi para que elas encomendassem o remédio para mim. E quando elas voltaram ao brasil por causa da pandemia, eu iniciei o tratamento.

E como tem sido os resultados do tratamento?

Eu estou dormindo! Eu consegui me livrar do remédio. Então eu consegui as duas coisas. Eu me livrei do remédio e tenho conseguido dormir. Foi uma substituição eficiente, funcionou. Para mim é uma sensação de liberdade, um alívio.

Qual a tua opinião pessoal sobre toda essa burocracia para se ter acesso a uma medicação que, como você prova, funcionou de forma tão rápida?

Eu não entendo muito a necessidade de autorização da Anvisa. Basta um médico me receitar, sendo uma substância controlada, ela é mais controlada que remédios mais danosos, com efeitos colaterais muito mais graves. Bastaria uma receita de um médico.

Na verdade, eu não entendo porque é tarja preta, por que tanta severidade? Talvez ainda seja um tabu cultural, as pessoas ainda associam com Cannabis, embora não tenha nada de psicotrópico. É um remédio derivado da mesma planta da maconha.

Eu francamente tenho uma posição bastante liberal, acho que a maconha deve ser liberada. Se o álcool, sendo legal, a maconha também deveria ser. Mesmo se viesse a ser legalizada, deve ser uma substância controlada, como é nos Estados Unidos e Europa. Mas o CBD eu não entendo os motivos, o que leva a tamanha fiscalização, é resíduo de uma herança cultural contra a maconha.

E isso se reflete no preço, também. Você pagou mais de R$ 2 mil num frasquinho.

Pois é. E muita gente se opõe (risos). Por quê? Nesse momento de legalização do canabidiol é bom nem levantar muito a bandeira do THC, porque pode dificultar a comercialização do CBD. Embora eu seja a favor da legalização.

Bom, Dinho Ouro Preto já está curado da Covid-19, resolveu a questão da insônia. Já está bem para retomar as lives, a programação do Capital como está?

Olha, eu fiz uma live do Capital, duas sozinhas no meu estúdio, onde estou falando com você agora. E eu acho que a vida para nós, que vivemos de fazer apresentação ao vivo para grandes plateias, eu acho que os shows não vão voltar tão cedo. É uma realidade da qual a gente vai ter de se adaptar.

É uma especulação da minha parte, mas os shows não devem voltar enquanto não houver uma vacina. Sendo otimista, quem sabe, quando houver a chamada imunidade de rebanho, mas eu acho que só quando surgir a vacina. Então nós próximos meses é melhor se adaptar às lives, usar o tempo ocioso para compor, escrever. É isso que eu tenho feito.

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