Cannabis & Saúde

Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil: como a Cannabis pode ajudar?

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Principal causa de morte entre crianças e adolescentes, a Cannabis medicinal pode ajudar no tratamento e no efeito colateral da quimioterapia

O câncer é a primeira causa de morte entre crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, com 8% do total. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, são mais de 12 mil novos casos todos os anos, com 2,7 mil mortes registradas.

Ao contrário do que acontece com adultos, cujo estilo de vida contribui diretamente com o surgimento da doença, entre os mais jovens geralmente é relacionado a condições genéticas. Como resultado, apesar de serem mais agressivos e se desenvolverem mais rapidamente, tem 80% de chance de cura se diagnosticados precocemente.

Para que cada vez mais crianças e adolescentes se vejam livres das consequências mais graves da doença, que desde 2008 o dia 23 de novembro é marcado como o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil. A data comemorativa, instituída pela Lei  nº 11.650/2008, tem o objetivo de:

– estimular ações educativas e preventivas relacionadas ao câncer infantil;

– promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção integral às crianças com câncer;

– apoiar as atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol das crianças com câncer;

– difundir os avanços técnico-científicos relacionados ao câncer infantil;

– apoiar as crianças com câncer e seus familiares.

Quais os tipos de cânceres mais comuns entre os jovens?

O câncer infantojuvenil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantojuvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. 

Por serem predominantemente de natureza embrionária, tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais.

Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo e a maioria dos pacientes terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

A Cannabis medicinal pode ajudar crianças e adolescentes no tratamento oncológico?

Um estudo com cerca de 300 médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde envolvidos no tratamento oncológico demonstrou que 92% dos entrevistados estão dispostos a prescreverem Cannabis medicinal a crianças e adolescentes, principalmente nos estágios mais avançados da doença.

No entanto, 46% sentem falta de definições gerais sobre formulação, potência e dosagem, representando a principal barreira para a prescrição. O fato é que ainda são limitadas as pesquisas clínicas com robustez suficiente que sirvam de comprovação científica para o uso da Cannabis medicinal no tratamento de câncer infantojuvenil

Uma pesquisa realizada em Israel, sem grupo de controle, demonstrou efeitos positivos da Cannabis medicinal relatados por crianças e pais em 80% dos casos, principalmente no controle de efeitos colaterais do tratamento oncológico, como  sintomas náuseas e vômitos, distúrbios do sono, dor, apetite e humor.

Quais os benefícios da Cannabis no tratamento oncológico?

Sistema gastrointestinal

Quimioterapia e radioterapia afetam muito o corpo, gerando efeitos colaterais como enjoo, vômito, constipação, diarréia e dor abdominal. O sistema gastrointestinal tem muitos receptores do sistema endocanabinoide. O paciente que faz uso de pré-quimioterapia consegue ativar esse sistema, saturar esses receptores, e cria uma proteção.

Dessa forma, os pacientes conseguem se alimentar melhor e, assim, enfrentar o tratamento com uma melhor qualidade de vida. 

Controle da dor

O tratamento com a Cannabis também ajuda o paciente com câncer a administrar a dor. Com efeito analgésico e anti-inflamatório,  são muito usados para dor crônica e fibromialgia. Dependendo do câncer, é comum que o paciente sinta bastante dor e a Cannabis pode ajudar nesse controle. 

Saúde mental

Outro fator fundamental para a qualidade de vida e sucesso no combate ao câncer é o psicológico. Os sintomas desencadeados pelo câncer e pelo tratamento, além da possibilidade da morte, acabam por desencadear outros problemas, como ansiedade, insônia e depressão. Para esses, a Cannabis também pode contribuir.

Se o paciente está tendendo a uma depressão, ansiedade, vai estar regulado para evitar que saia do eixo e, assim, conseguir passar por essa fase da vida de modo que não atrapalhe o campo social. Que não tenha déficit em aspectos da vida.

Efeito antitumoral

A Cannabis é cada vez mais considerada no combate aos tumores. Altas doses de THC atuam junto ao sistema endocanabinoide na regulação de um processo celular chamado apoptose. É uma espécie de morte programada das células. 

Nosso organismo, diante de alguma anormalidade, libera enzimas que matam a célula problemática. O mal funcionamento desse mecanismo faz com que células doentes, como as que crescem demais e viram tumores, não sejam eliminadas. Fitocanabinoides, principalmente o THC, fazem com que a apoptose volte a funcionar corretamente.

Conclusão

Ainda é cedo, porém, para considerar a Cannabis medicinal a primeira opção de tratamento, por falta de comprovação científica. A quimioterapia, por mais danosa que seja, tem seus efeitos positivos em relação ao tratamento e não é recomendado abandonar algo com comprovação e tempo de estudo maior que a Cannabis. A ideia é fazer como associação, não um substituto.

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