Durante décadas, pesquisadores investigaram se compostos da Cannabis poderiam ajudar no tratamento do glaucoma, uma das principais causas de cegueira no mundo.
Agora, uma nova revisão científica reuniu os principais estudos sobre o tema. Os pesquisadores analisaram de forma ampla os efeitos do tetrahidrocanabinol (THC) na redução da pressão intraocular.
Os resultados indicam que o THC pode reduzir a pressão ocular dependendo da forma de uso. Entenda o que os pesquisadores observaram e os dados sobre a duração dos efeitos.
THC realmente reduz a pressão intraocular?
Reduzir a pressão intraocular é a principal estratégia para evitar o avanço da doença. De acordo com o estudo, os tratamentos convencionais normalmente buscam uma redução entre 20% e 30% da pressão ocular, podendo chegar a 30% ou 40% em casos mais avançados.
A revisão sistemática reuniu dados de estudos clínicos para avaliar os efeitos do THC sobre a pressão intraocular. Ao todo, quase 100 participantes foram analisados.
Os pesquisadores avaliaram diferentes formas de administração:
- • Oral
- • Tópica, como colírio
- • Intravenosa

A maior redução foi observada na via intravenosa, com redução média de 33% da pressão. No entanto, essa é uma forma de administração pouco utilizada na prática clínica.
Já nas demais vias, os resultados foram:
- • Via oral: redução média de 10%
- • Via tópica: redução média de 9%
Como o THC pode agir nos olhos
Os pesquisadores explicam que o THC pode atuar em receptores canabinoides presentes nos tecidos oculares, especialmente os receptores CB1.
Esse mecanismo poderia:
- • Aumentar a drenagem do humor aquoso;
- • Facilitar o escoamento de líquido intraocular;
- • Reduzir a produção desse líquido;
- • Ajudar no funcionamento de estruturas relacionadas ao controle da pressão ocular.
A análise também menciona que outros receptores, como GPR18, podem contribuir para essa redução da pressão ocular.
Quanto tempo dura o efeito do THC?
Um dos principais pontos levantados pela revisão é a curta duração do efeito.
Nos estudos analisados, a redução da pressão intraocular causada pelo THC durou cerca de 90 minutos. Isso representa uma limitação importante quando comparado aos medicamentos convencionais usados no glaucoma, que costumam ter ação mais prolongada.
Segundo os autores, essa característica faz com que o THC seja visto como um complemento ao tratamento de rotina para o glaucoma.
Outro desafio envolve os efeitos psicoativos do canabinoide, que podem dificultar a continuidade do tratamento e sua aceitação pelos pacientes.
Uso seguro de medicamentos à base de Cannabis
Os pesquisadores afirmam que mais estudos são necessários para esclarecer a melhor dose, entender se existe tolerância e identificar quais pacientes podem se beneficiar mais do tratamento. Por isso, os autores consideram que os resultados ainda devem ser vistos como iniciais.
A expectativa é que futuras pesquisas consigam desenvolver terapias canabinoides mais específicas, com menos efeitos sistêmicos e maior duração do efeito ocular.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Portanto, para iniciar um tratamento com derivados da planta é fundamental ter orientação profissional.
Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia.