Conviver com o Alzheimer é lidar diariamente com perdas graduais: memória, autonomia e, muitas vezes, da própria identidade. Mesmo sem um tratamento capaz de interromper a doença, reduzir seus impactos se tornou o principal objetivo de médicos, pesquisadores e familiares que acompanham essa jornada de perto.
É por isso que substâncias capazes de atuar em diferentes processos do cérebro vêm despertando interesse científico. Entre elas está o canabidiol (CBD), composto da Cannabis que não provoca efeitos psicoativos e que tem sido estudado por seu potencial de modular inflamações, proteger células nervosas e auxiliar no equilíbrio do sistema neurológico. Na prática, isso pode significar menos agitação, mais estabilidade emocional e melhor qualidade de vida.
Esses possíveis benefícios, que aparecem em estudos e pesquisas, ganham contornos reais quando se refletem no cotidiano de famílias que enfrentam o Alzheimer longe dos laboratórios. A história de Marlene Pereira é uma delas.
Quando algo começou a mudar
No fim de 2018, Marlene tinha 78 anos e levava uma vida bastante ativa. Pouco tempo após ficar viúva, passou a demonstrar comportamentos incomuns: inquietação constante, ansiedade intensa e alterações de humor que destoavam completamente de sua personalidade habitual.
“No começo, tudo parecia fazer sentido dentro do processo luto”, lembra sua filha. “A gente acreditava que fosse uma reação emocional pela perda do meu pai, que ainda era recente.”
Essa interpretação inicial atrasou a percepção de que algo mais sério estava acontecendo, especialmente porque Marlene sempre foi independente, organizada e funcional.
“Ela trabalhou por décadas na área administrativa. Nunca foi uma pessoa frágil ou dependente. Ao contrário”, conta.
O diagnóstico e as primeiras tentativas de controle
Com o passar do tempo, os sintomas se intensificaram, levando a família a buscar ajuda médica especializada. Após avaliações clínicas, neurológicas e psicológicas, veio a confirmação do diagnóstico de Alzheimer.
A rotina mudou imediatamente. Marlene passou a usar medicamentos alopáticos, indicados para lidar com sintomas emocionais e comportamentais associados à doença.
Segundo a filha, os remédios ajudaram em um primeiro momento, mas os efeitos não se sustentaram.
“A doença continuou avançando. Vieram episódios de agitação, agressividade e a necessidade de vigilância constante. A casa inteira passou a girar em torno disso.”
A busca por algo além do protocolo tradicional
Com o desgaste emocional e físico aumentando, a família começou a pesquisar outras abordagens que pudessem complementar o tratamento da mãe. Foi nesse processo que a Cannabis medicinal apareceu como uma possibilidade.
“Eu já tinha ouvido falar, mas só depois comecei a estudar com mais atenção. Queria entender se aquilo fazia sentido, se havia base real”, explica.
O uso do óleo começou em junho de 2023, cerca de três anos após o diagnóstico.
Mudanças percebidas no cotidiano
Os efeitos não passaram despercebidos. “Em poucos dias, o comportamento dela já era outro”, relata a filha. “As crises diminuíram, a ansiedade ficou mais controlada, e a agressividade deixou de ser constante.” Com o passar das semanas, a mudança ficou evidente também para outras pessoas do convívio familiar.
“Não foi algo sutil. Foi uma virada. Hoje ela está mais serena, mais presente, e isso muda completamente a forma como a gente vive o cuidado.”
Além do impacto emocional e cognitivo, houve reflexos físicos. Marlene apresentou melhora no desconforto causado por dores crônicas no joelho que já a acompanha há anos.
“Ela presta mais atenção, responde melhor, entende o que falamos. As crises não desapareceram, mas ficaram mais espaçadas. A vida ficou possível de novo.”
Informação como ferramenta de cuidado
Para a filha, falar sobre o uso medicinal da Cannabis também é uma forma de combater ideias distorcidas que ainda cercam o tema.
“O preconceito nasce da desinformação. Quando a gente entende que existe acompanhamento médico, estudo científico e responsabilidade, tudo muda.”
Ela acredita que compartilhar experiências reais pode ajudar outras famílias a se sentirem menos sozinhas e mais seguras ao considerar novas possibilidades terapêuticas.
Importante!
No caso de Dona Marlene, o uso do óleo de Cannabis atua como suporte ao tratamento, sempre com acompanhamento médico. Ela segue sob os cuidados do Dr. Vinicius de Mesquita, que monitora sua evolução e realiza ajustes de forma individualizada.
Em doenças como o Alzheimer, a Cannabis não substitui tratamentos convencionais. Seu papel é auxiliar no manejo de sintomas, e por isso o acompanhamento contínuo é fundamental para garantir segurança e eficácia.
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