O luto é uma experiência inevitável. Em algum momento da vida, todos somos atravessados pela perda de alguém que nos constitui. Não há manual, tempo exato ou forma correta de atravessar esse processo. Para alguns, a dor se manifesta em silêncio; para outros, no corpo, no sono interrompido, na mente que não desacelera. Quando a ausência passa a ocupar as noites e desorganizar a rotina, o cuidado deixa de ser apenas emocional e passa a envolver também a saúde.
Desde a morte da mãe, em julho, em decorrência do Alzheimer, o vendedor F.B., de 36 anos, passou a lidar com um agravamento importante de sintomas ligados ao sono e à ansiedade. As noites fragmentadas, os pensamentos acelerados e a dificuldade de manter a rotina tornaram-se parte do cotidiano no período de luto. Foi por conta desse quadro, marcado sobretudo pela insônia severa, que o Canabidiol (CBD) passou a integrar seu cuidado.
“Não estava me alimentando direto, passa o dia com pensamentos negativos, estava totalmente fora do ar.”
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Sem histórico de uso contínuo de medicamentos, F.B. sempre foi cauteloso em relação a tratamentos farmacológicos. Ainda assim, reconhecia em si um quadro de ansiedade que se intensificou após a perda. “Nunca tinha feito outro tipo de tratamento, não costumo tomar remédios, apenas em situações graves”, conta. Porém, o sono, segundo ele, foi um fator bem desafiador. Dormir se tornou difícil, e descansar, raro. “Minha mente não desligava”, relata.
O papel do CBD no manejo da insônia durante o luto
O início do uso do CBD marcou uma mudança perceptível nesse padrão. Antes disso, F.B. chegou a passar por um período de psicoterapia, iniciado quando a mãe recebeu o diagnóstico de Alzheimer. Naquele momento, a terapia funcionou como um espaço de elaboração diante do avanço da doença, mas ainda sem o uso de Cannabis medicinal como parte do cuidado.
Atualmente, F.B. faz uso diário de 10 gotas, com acompanhamento médico. Os efeitos começaram a ser sentidos em poucos dias, sobretudo no período noturno. “ Consegui sentir em poucos dias que já estava conseguindo dormir noites inteiras, diminuindo minha ansiedade consideravelmente. É como se calasse algumas vozes internas”, descreve, ao falar da redução do excesso de pensamentos que antes se sobrepunham ao cansaço físico.
Menos ruído mental, mais descanso
Com a mente menos agitada, o sono voltou a se estruturar. F.B. passou a dormir noites inteiras, algo que não acontecia desde a morte da mãe. A melhora no descanso teve reflexo direto na ansiedade ao longo do dia, que deixou de ocupar um espaço tão central. O luto permanece, mas passou a ser vivido com mais clareza e menos exaustão.
Do ponto de vista clínico, o Canabidiol está associado à regulação do Sistema Endocanabinoide, que participa de funções como sono, humor e resposta ao estresse. No caso de F.B., o CBD não eliminou o sofrimento, mas contribuiu para reduzir a sobrecarga mental que dificultava o enfrentamento da perda.
Além do tratamento individualizado e da terapia, F.B. conta com o acolhimento de pessoas próximas, que têm sido um elemento importante nesse processo. Após a morte da mãe, ele fez uma viagem de quase 30 dias ao lado da namorada, passando por Amsterdã e China até chegar à Tailândia, para participar do tradicional Festival das lanternas – um dos momentos mais marcantes da viagem para ele. A experiência funcionou como um intervalo para reorganizar emoções.
“O processo do luto ainda é bem presente na minha vida, mas me sinto privilegiado, porque além desse suporte que o óleo me dá, tenho uma rede de apoio sempre disposta a me escutar, que me acolhe”, afirma. “Hoje me sinto bem, apesar de a perda ser recente, consegui aliviar a tensão emocional. A luta é diária, mas não ter medo de pedir ajuda faz diferença.”
Para F.B., o aprendizado desse período passa pela escuta do próprio limite e pela abertura para pedir ajuda. Ele avalia que a Cannabis medicinal tem mostrado potencial clínico relevante, especialmente em quadros de ansiedade e distúrbios do sono associados ao luto, desde que utilizada com orientação e dentro de um plano terapêutico individualizado. “A Cannabis está provando que pode ajudar muito nesse processo de luto”, finaliza.
* O nome do paciente foi preservado
Importante!
É fundamental ressaltar que, no Brasil, o uso de produtos à base de Cannabis medicinal é permitido pela Anvisa e depende de prescrição médica. A indicação do tratamento deve ocorrer após avaliação profissional, que considera o quadro clínico, os sintomas apresentados e a resposta individual de cada paciente. Para saber se essa abordagem pode ser indicada, a orientação de um profissional de saúde é indispensável. Acesse nossa plataforma e marque sua consulta!













