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O resultado logo de início foi bastante surpreendente”: os impactos da Cannabis medicinal na rotina de um professor

O resultado logo de início foi bastante surpreendente”: os impactos da Cannabis medicinal na rotina de um professor

Docente da Unesp de Marília relata melhora da depressão, da insônia e da ansiedade após iniciar tratamento com Cannabis medicinal, além de mudanças na rotina, abandono do tabagismo e retomada da atividade física

Publicado em

13 de maio de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

Professor universitário, doutor em Sociologia e docente da Unesp de Marília, Fábio Kazuo Ocada começou a buscar alternativas terapêuticas em 2017, após receber o diagnóstico de um quadro inicial de depressão durante um exame médico de rotina realizado pela universidade.

Na época, ele também convivia com insônia crônica, ansiedade e uma rotina marcada pelo sedentarismo e pelo tabagismo.

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A possibilidade de iniciar um tratamento com Cannabis medicinal surgiu alguns anos depois, quando passou a acompanhar conteúdos sobre o tema em podcasts e reportagens. “Foi ouvindo um podcast que eu tive essa informação de que poderia recorrer aos canabinoides”, conta.

A partir dali, Fábio começou a pesquisar médicos prescritores e encontrou o nome do Dr. Alexandre Assuane. A primeira consulta aconteceu em 2020, já com objetivos bastante claros: tratar o quadro depressivo, melhorar a qualidade do sono e conseguir abandonar o cigarro. “Eu queria mudar o modo de vida que vinha levando”, afirma.

Uma mudança de abordagem terapêutica

Segundo ele, a decisão de não iniciar um tratamento convencional com antidepressivos foi consciente desde o começo. “Eu cheguei a considerar os alopáticos, mas passei longe de fazer isso”, diz. “Eu já sabia que esses medicamentos apresentam uma série de efeitos colaterais que eu não gostaria de experimentar.”

Fábio afirma que o tratamento trouxe uma percepção completamente diferente sobre a planta. Após conseguir a prescrição médica e iniciar o uso do óleo de CBD importado, ele relata que os resultados apareceram rapidamente.

“O resultado logo de início foi bastante surpreendente”, afirma. “Não só para tratar o quadro depressivo, mas porque eu consegui mudar completamente meu modo de vida.”

Cannabis, esporte e mudança de hábitos

A mudança mais imediata, segundo ele, foi em relação ao tabagismo. Depois de anos fumando, conseguiu abandonar o cigarro e passou a incorporar atividades físicas à rotina. “Eu não conseguia abandonar o tabagismo. Depois do tratamento, voltei a treinar karatê, comecei a correr e deixei de ter uma vida sedentária.”

Hoje, ele mantém uma rotina regular de exercícios físicos e corre entre oito e dez quilômetros algumas vezes por semana. A prática esportiva, inclusive, passou a se integrar ao próprio tratamento. “Antes de correr, eu sempre tomo algumas gotas do óleo de CBD”, conta. “Depois comecei a entender melhor a relação entre exercício físico e o sistema endocanabinoide.”

O papel do sistema endocanabinoide

Acostumado ao ambiente acadêmico e à pesquisa, Fábio passou também a estudar mais profundamente os mecanismos relacionados à Cannabis medicinal. Segundo ele, compreender o funcionamento do sistema endocanabinoide ajudou a dar sentido às mudanças que percebia no próprio corpo.

Descobri que, depois de um tempo correndo, o organismo produz substâncias relacionadas ao sistema endocanabinoide”, afirma. “Isso me ajudou a entender melhor vários efeitos que eu percebia no dia a dia.”

A insônia — que ele descreve como um problema antigo e persistente — também apresentou melhora importante logo nas primeiras fases do tratamento. “Foi uma das coisas que mais surtiu resultado”, relata.

O diagnóstico que ajudou a explicar anos de sintomas

Em 2024, após uma bateria de avaliações neuropsicológicas, Fábio recebeu o diagnóstico de altas habilidades e superdotação (AH/SD), condição neurodivergente que, segundo ele, ajudou a explicar sintomas enfrentados ao longo da vida, como insônia, ansiedade e episódios depressivos. “A descrição encaixou perfeitamente nos sintomas que eu vinha enfrentando”, diz.

A experiência positiva com a Cannabis medicinal acabou se estendendo à família. Sua mãe, que sofria com dores crônicas no corpo e limitações na rotina, também iniciou tratamento no mesmo período. “O resultado para ela foi bastante impressionante”, afirma. “A Cannabis possibilitou uma autonomia que ela não tinha conseguido com outros medicamentos.”

Segundo Fábio, a melhora da mãe foi perceptível não apenas no controle das dores, mas também na independência para realizar atividades do cotidiano. “Ela praticamente mudou de vida”, relata.

Apesar do avanço das discussões sobre Cannabis medicinal no Brasil, Fábio avalia que o preconceito ainda faz parte da realidade de muitos pacientes, especialmente em cidades mais conservadoras. Professor há décadas, ele diz enxergar o debate público sobre o tema também como uma oportunidade de esclarecimento. “Eu tento explicar para as pessoas que existe uma diferença muito grande entre o uso medicinal e o estigma que foi criado em torno da planta.”

Ao olhar para a própria trajetória, Fábio evita tratar a Cannabis como solução isolada, mas reconhece o impacto decisivo do tratamento na transformação da própria rotina. “De 2020 para cá, a minha qualidade de vida deu um salto”, resume. “Hoje ela é incomparavelmente melhor do que antes do tratamento”, encerra. 

Importante! 

No relato de Fábio, o acesso ao tratamento começou após a busca por informação sobre Cannabis medicinal e por médicos que já trabalhavam com a prescrição de canabinoides. Foi assim que ele chegou ao Dr. Alexandre Assuane e iniciou o acompanhamento. “Eu fiz todo o processo burocrático, me cadastrei na Anvisa para fazer a importação e comecei o tratamento”, relata.

Atualmente, o uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil é permitido mediante prescrição médica. Pacientes que tenham indicação clínica podem acessar produtos disponíveis no país ou solicitar autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação dos medicamentos prescritos.

Para quem deseja entender se a Cannabis medicinal pode fazer parte do tratamento, o primeiro passo é buscar orientação com um profissional. Pela plataforma do Cannabis & Saúde, é possível agendar consultas presenciais ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.

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