Após sofrer dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) em sequência (um hemorrágico e outro isquêmico) em outubro de 2024, a paciente Marlene Barbosa Verly paciente passou a utilizar Cannabis medicinal e relata avanços na recuperação motora, redução da dor e melhora na qualidade de vida.
O segundo episódio, segundo ela, foi o mais severo. “Este segundo foi mais agressivo e me deixou com o lado esquerdo paralisado”, conta. Durante a internação, a evolução clínica foi considerada limitada. “Quando o médico anunciou minha alta para casa, até então ‘minha evolução havia cessado’”, relembra.
A introdução da Cannabis medicinal ocorreu logo após a alta hospitalar, em dezembro de 2024. A decisão partiu da família, com apoio da filha, estudante de Farmácia, que já conhecia o uso terapêutico do óleo. A prescrição foi feita pelo médico Gustavo Oliveira Barbosa, e o tratamento começou no mesmo dia em que a paciente retornou para casa.
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Naquele momento, o quadro ainda era delicado. “Cheguei em casa acamada, com o Bipap ( uma máscara que ajuda o paciente a respirar melhor, enviando ar com pressão pelos pulmões) e traqueostomia, fazendo uso de polifarmácia por causa das dores”, relata.
Segundo a paciente, os avanços foram graduais, mas consistentes. “Saí do Bipap e da traqueostomia meses antes do previsto, recuperei a lucidez e os movimentos do lado direito com uma evolução muito rápida”, afirma.
De acordo com o médico, a resposta ao tratamento foi perceptível logo no início. “Desde o primeiro mês, ela já apresentou melhora tanto na movimentação quanto na fala”, afirma Gustavo Oliveira Barbosa. Ele também destaca que a paciente possuía comorbidades prévias. “Ela tinha reumatismo e fibromialgia, e também relatou melhora desses sintomas”, completa.
Evolução clínica inclui ganhos motores, controle da dor e recuperação funcional
Atualmente, ela já consegue se locomover com auxílio. “Hoje já estou andando muito devagar com a ajuda do andador, porém é um avanço em pouco tempo após dois acidentes vasculares consideráveis”, diz.
Além da reabilitação motora, ela destaca a redução das dores e melhora no bem-estar emocional. “Minhas dores diminuíram, minha ansiedade está mais controlada”, relata.
O tratamento segue com acompanhamento médico e uso contínuo do óleo de Cannabis, associado a medicamentos para comorbidades como hipertensão e reumatismo.
Outro ponto mencionado é o processo de cicatrização e recuperação funcional. “Meu corpo fechou a traqueo me permitindo falar mais rápido e comer sem ser por sonda”, conta.
De acordo com a paciente, a própria equipe médica passou a observar a evolução com atenção. “Todos os médicos que me acompanham ficam imensamente surpresos com a minha recuperação”, afirma.
Embora reconheça que a rotina ainda não voltou ao que era antes do AVC, ela avalia a evolução como significativa. E aponta que sua experiência pode ajudar a reduzir o preconceito em torno da terapia. “Minha evolução é a prova de que o óleo funciona”, conclui.
Importante!
No caso de Marlene Barbosa Verly, o uso da Cannabis medicinal integra um plano terapêutico individualizado, conduzido com acompanhamento médico e reavaliações periódicas. O tratamento envolve monitoramento contínuo.
Em contextos como o de recuperação após AVC, a Cannabis medicinal não deve ser compreendida como substituição direta de abordagens convencionais, mas como uma alternativa terapêutica que pode atuar de forma complementar, a depender da avaliação médica e das necessidades específicas de cada paciente.
A indicação, bem como o acompanhamento do uso, deve ser realizada por profissionais, considerando critérios clínicos, histórico de saúde e resposta individual ao tratamento.
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