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Trajetória e propósito: a história da Dra. Stela Souza com a Cannabis medicinal

Trajetória e propósito: a história da Dra. Stela Souza com a Cannabis medicinal

Da experiência pessoal ao cuidado clínico: como a Dra. Stela Souza transformou a busca por ajuda familiar em uma atuação médica voltada à Cannabis medicinal, com foco em qualidade de vida.

Publicado em

19 de fevereiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

A decisão de atuar com a Cannabis medicinal não surgiu por acaso na vida da Dra. Stela Souza. Sua trajetória começou de forma muito pessoal, dentro da própria família, e se transformou em propósito profissional.

“Minha trajetória começou por conta de um familiar muito ansioso, que também tinha problema com álcool. Ele queria passar em consulta para conseguir a receita do CBD. Então começou por aí, pelo desejo de ajudar alguém próximo”, conta a médica.

O que inicialmente era uma busca por apoio a um ente querido acabou despertando um interesse mais profundo pelo sistema endocanabinoide. A partir dessa experiência, Dra. Stela passou a estudar o tema e hoje atende diversos pacientes.

A busca por qualificação na área

Ao perceber o potencial terapêutico dos canabinoides e o crescimento da área no Brasil — especialmente após os avanços regulatórios — Dra. Stela decidiu estudar mais sobre o tema.

Ela realizou curso com o Dr. Bruno Paladini, profissional que já acompanhava pelas redes sociais e que conheceu por indicação da Dra. Fernanda Simão.

“Eu vi que era uma área que está crescendo no Brasil e fora dele. Muitos países já trabalham com CBD. Quando comecei a acompanhar mais de perto, pensei: ‘isso faz sentido para mim’. Parecia algo alinhado com a minha forma de enxergar a medicina”, afirma.

Essa identificação foi decisiva para consolidar sua atuação com a Cannabis medicinal.

Primeiras experiências e aprendizados

O familiar que motivou sua entrada na área chegou a iniciar o tratamento. No entanto, o caso trouxe um importante aprendizado clínico.

“Para ele, infelizmente, não deu muito certo. Ele já tinha um comprometimento hepático importante, e isso acabou interferindo na resposta ao tratamento com CBD e THC. A gente sabe que cada organismo reage de forma diferente.”

Apesar disso, Dra. Stela destaca que esse foi um caso isolado. Segundo ela, é o único paciente em sua experiência clínica até o momento que não apresentou resposta satisfatória.

Atuação clínica com foco em autismo 

No dia a dia, Dra. Stela atua fortemente com pacientes pediátricos, especialmente crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muitos desses pacientes chegam até ela durante plantões médicos, quando as famílias relatam dificuldades com tratamentos convencionais.

“Vejo muitos casos de autismo, e as melhoras são absurdas com o uso do óleo de CBD. Talvez seja a patologia que mais me chama atenção.”

Ela relata benefícios importantes como:

“Crianças não verbais passam a se comunicar. A agressividade melhora muito. É algo que realmente impacta a qualidade de vida da família inteira.”

Um caso que marcou

Entre as histórias que mais a impactaram está a de uma menina de oito anos com quadro grave de autismo.

Na primeira consulta, a paciente apresentava comportamento agressivo, mesmo utilizando medicações convencionais prescritas pelo neuropediatra. “Mesmo tomando as medicações alopáticas, não havia controle adequado da agressividade.”

Após introdução do óleo de CBD e acompanhamento próximo, a mudança foi significativa.

“Em uma nova consult, ela estava tranquila, sentada, brincando. A mãe relatou uma melhora impressionante. Foi algo que realmente me marcou.”

Quebra de estigmas e feedback das famílias

Dra. Stela reconhece que ainda existe preconceito em relação à Cannabis medicinal, especialmente quando o tratamento envolve crianças. No entanto, ela percebe que o cenário vem mudando rapidamente.

“Muitos pais chegam com medo. Mas quando começam a ver os resultados, o feedback é muito positivo. As famílias ficam muito agradecidas. É muito gratificante ver os resultados.”

Uma nova percepção sobre os canabinoides

Ao final da entrevista, a médica compartilha uma percepção interessante sobre o momento atual da medicina psiquiátrica e comportamental.

“Muitos pacientes chegam dizendo que já tomaram sertralina ou outras medicações e que não querem mais isso, porque se sentiam com as emoções ‘congeladas’. Eles buscam algo mais natural.”

Segundo ela, há uma mudança no olhar dos pacientes em relação às medicações tradicionais. Nesse contexto, os canabinoides vêm sendo vistos como uma alternativa terapêutica relevante — ainda que não sejam primeira linha em muitos casos.

“A Cannabis não substitui tudo, mas é uma ferramenta valiosa. Em alguns casos, faz uma diferença enorme.”

Propósito e compromisso

A história da Dra. Stela Souza mostra como experiências pessoais podem transformar trajetórias profissionais. O que começou com o desejo de ajudar um familiar tornou-se uma atuação sólida, baseada em estudo, especialização e acompanhamento clínico responsável.

Hoje, ela segue acompanhando pacientes, especialmente crianças com TEA, observando avanços significativos e contribuindo para ampliar o debate sério e científico sobre a Cannabis medicinal no Brasil.

Importante!

Dra. Stela Souza representa uma prática médica que une escuta atenta, atualização constante e compromisso com o bem-estar integral do paciente. Sua trajetória mostra que a Cannabis medicinal, quando indicada de forma criteriosa e individualizada, pode ser uma ferramenta terapêutica relevante, especialmente em quadros que desafiam tratamentos convencionais.

No Brasil, a prescrição de Cannabis medicinal deve ser realizada por médicos, após avaliação clínica cuidadosa e acompanhamento responsável. Por isso, é essencial procurar profissionais  que compreendam o funcionamento do Sistema Endocanabinoide e saibam integrar esse recurso de forma ética e segura ao plano terapêutico.

Para pacientes e famílias que buscam alternativas baseadas em evidências e acompanhamento próximo, o suporte médico faz toda a diferença.

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