Em Camburi, no extremo norte de Ubatuba, antes da divisa com o Rio de Janeiro, a vida se organiza de frente para o mar. O tempo ali responde à maré, à pesca e ao vento que muda de direção ao longo do dia. Nesse trecho de litoral onde tradição caiçara e natureza coexistem sem esforço, Luana Soares aprendeu cedo que viver exige atenção constante ao entorno (e ao próprio corpo).
Ela cresceu entre a vila, a família, a igreja e o oceano, sem fronteiras muito claras entre um espaço e outro. Aos cinco anos, a prancha já fazia parte da rotina. Não como símbolo ou promessa, mas como prática cotidiana, incorporada sem alarde, do mesmo jeito que se aprende a circular por um território conhecido.
O talento apareceu cedo, mas nunca desacompanhado. Vieram junto a disciplina, os campeonatos estudantis, a entrada no circuito competitivo e a possibilidade concreta de transformar o surfe em profissão. O caminho avançava com coerência, como costuma acontecer quando corpo, lugar e desejo caminham na mesma direção.
Até que, aos 14 anos, essa continuidade foi interrompida.
O diagnóstico de epilepsia, o ponto de ruptura
Aos 14 anos, Luana recebeu o diagnóstico de epilepsia. A partir daí, o corpo passou a impor limites novos. Vieram as crises, o afastamento do mar e um ano inteiro tentando entender como seguir. O tratamento convencional ajudava a conter a doença, mas custava caro: perda de memória, sonolência constante, a sensação de estar sempre “dopada”. Para alguém cuja profissão depende de presença, reflexo e precisão, aquilo não era detalhe, era um limite.
Foi durante esse hiato que a Cannabis medicinal surgiu como opção. “Depois de um ano tendo crises, eu só ouvia falar sobre a Cannabis. Era algo que aparecia o tempo todo nas conversas, mas ainda de longe”, conta Luana em entrevista ao Portal Cannabis & Saúde.
O que começou como algo distante ganhou contorno clínico e, depois, virou decisão acompanhada de perto por médicos.
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Como a cannabis medicinal reorganizou o tratamento de Luana Soares
Os efeitos não foram milagrosos, foram consistentes. “Com a Cannabis, a primeira coisa que senti foi mais controle”, diz Luana. Vieram também mais clareza e um corpo novamente disponível para a própria vida. A Cannabis não substituiu o tratamento, mas reorganizou o percurso.
Hoje, ela faz acompanhamento regular ( a cada três meses) com neurologista e médico prescritor, utiliza o óleo de Cannabis três vezes ao dia, combinado ao anticonvulsivante. A rotina é estruturada: treinos de surfe, preparação física, acompanhamento psicológico, nutrição e trabalho fora d’água. Não há atalhos, há equilíbrio.
“Depois da Cannabis, foi como voltar à vida. Me sinto mais viva e mais disposta” ela resume, sem exagero. A diferença não está apenas na ausência das crises, mas na qualidade do tempo entre elas. Menos ansiedade, mais segurança para viver — e competir. Segurança, aliás, é a palavra que mais se repete quando fala do tratamento. Saber que o corpo responde. Que há suporte. Que o medo já não comanda.

Há um momento que permanece nítido na memória de Luana. Durante uma crise, perceber o efeito do óleo agir poucos minutos depois. O corpo desacelera. A família acompanha em silêncio. O controle retorna. São segundos que redefinem a experiência de viver com uma condição neurológica.
“Durante uma crise, dá pra sentir o efeito no corpo poucos minutos depois. Minha família fica em observação e acompanha tudo.”
Longboard, consistência e a nova fase de Luana Soares
O retorno ao mar veio com maturidade. E também com uma virada estratégica: o longboard. Mais fluidez, mais leitura, mais conexão. Em quatro anos na modalidade, Luana construiu uma trajetória sólida e impressionante. Campeã Brasileira de Longboard em 2024, Campeã Sul-Americana WSL 24/25 e Top 8 Mundial nos ISA Games 2025, ela hoje ocupa um lugar de destaque no cenário internacional.
Como atleta, a Cannabis significou tudo. Não como promessa milagrosa, mas como ferramenta real de cuidado, que contribui diretamente para seu condicionamento físico, sua recuperação e sua estabilidade emocional. Um aliado que devolveu autonomia a um corpo que, por um tempo, parecia imprevisível demais para competir.
Hoje, Luana segue em movimento, com rotina estruturada e tratamento contínuo. Ubatuba permanece como base, inspiração e identidade — a cidade que se consolidou como capital do surfe paulista, palco histórico de competições, formação de atletas e cultura esportiva, e que segue produzindo histórias que atravessam o esporte. A de Luana é uma delas. Ritmo e constância sustentam esse caminho, construído com escolha, atenção e permanência.
Importante!
A trajetória de Luana Soares evidencia como o uso da Cannabis medicinal, quando integrado a um tratamento bem orientado e acompanhado por profissionais de saúde, pode contribuir para o equilíbrio entre corpo, mente e desempenho — dentro e fora do esporte. Ainda assim, cada organismo responde de forma singular, e o acompanhamento médico é indispensável para garantir segurança, eficácia e responsabilidade no uso.
No Portal Cannabis & Saúde, é possível agendar consultas presenciais ou por telemedicina com profissionais qualificados e experientes na prescrição de Cannabis medicinal.














