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Estudo mostra efeitos do CBD na síndrome de DiGeorge

Estudo mostra efeitos do CBD na síndrome de DiGeorge

Pesquisa mostra melhora de até 60% em sintomas comportamentais com uso de canabidiol (CBD) em pacientes com síndrome de DiGeorge

Publicado em

31 de março de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Estudo mostra efeitos do CBD na síndrome de DiGeorge

Um estudo clínico de fase 2 trouxe novos dados sobre o uso de canabidiol (CBD) em crianças e adolescentes com síndrome de DiGeorge. A condição é genética e pode causar problemas físicos, cognitivos e comportamentais.

Os resultados sugerem que um gel de CBD aplicado na pele pode ajudar a reduzir sintomas como ansiedade e irritabilidade, com bom perfil de segurança.

Como foi feito o estudo com CBD

Pesquisadores avaliaram um medicamento em forma de gel aplicado na pele (transdérmico) com CBD.

O estudo, intitulado INSPIRE, incluiu 20 pacientes entre 4 e 17 anos de idade com síndrome de DiGeorge, acompanhados por até 38 semanas.

O tratamento foi feito com aplicação do gel duas vezes ao dia na parte superior dos braços e/ou nos ombros, com dose baseada no peso:

  • • até 35 kg: 250 mg por dia
  • • acima de 35 kg: 500 mg por dia

Os resultados mostraram que o tratamento foi bem tolerado e esteve ligado à redução de sintomas comportamentais e de ansiedade.

O que é a síndrome de DiGeorge

A síndrome de DiGeorge (também chamada de síndrome deleção 22q11.2) é rara e afeta cerca de 1 a cada 6 mil nascimentos.

Além de alterações físicas, a condição está frequentemente associada a:

  • • ansiedade
  • • dificuldades sociais
  • • déficit de atenção
  • • maior risco de transtornos psiquiátricos

Atualmente não existem medicamentos aprovados especificamente para tratar esses sintomas nessa população.

Por isso, o estudo chama atenção ao sugerir que o CBD pode se tornar, no futuro, uma opção terapêutica voltada diretamente para essas dificuldades, especialmente a ansiedade, que é um dos sintomas mais comuns e impactantes.

O que melhorou com o tratamento

Após 14 semanas, os pesquisadores observaram:

  • • queda de cerca de 40% na ansiedade
  • • melhora de até 60% em humor e comportamento
  • • redução de cerca de 36% a 45% na irritabilidade
  • 75% dos pacientes tiveram melhora clínica significativa

Além disso, mais de 80% dos cuidadores relataram melhora em pelo menos um sintoma importante no dia a dia.

Como o CBD age no cérebro

O estudo aponta alguns mecanismos que podem explicar os resultados.

O canabidiol atua no sistema endocanabinoide, um sistema do corpo que ajuda o cérebro a regular funções como humor, ansiedade, comportamento e resposta ao estresse.

Na síndrome de DiGeorge, alterações genéticas podem afetar o funcionamento desse sistema, prejudicando a comunicação entre neurônios.

De acordo com os autores, o CBD pode ajudar a:

  • • regular receptores cerebrais (como CB1)
  • • equilibrar sinais químicos ligados à ansiedade
  • • aumentar níveis de substâncias como a anandamida (ligada à melhora de sintomas emocionais)

Além disso, o CBD também interage com outros sistemas importantes, como:

  • • serotonina (relacionado ao humor)
  • • GABA (ligado ao relaxamento)
  • • dopamina (envolvida em motivação e comportamento)

É importante destacar que o produto utilizado no estudo não continha THC, o canabinoide associado aos efeitos psicoativos e, em alguns casos, a efeitos adversos.

O que os resultados significam na prática

Os dados reforçam o potencial do canabidiol como uma forma de tratamento para sintomas comportamentais em condições do neurodesenvolvimento, como a síndrome de DiGeorge.

Porém, apesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase inicial. Na prática, o CBD foi utilizado como complemento ao tratamento convencional, não como substituto.

Os autores defendem que os resultados justificam a realização de um estudo maior, de fase 3, com metodologia mais robusta, incluindo grupo placebo.

Esse tipo de estudo será essencial para confirmar a eficácia, avaliar melhor a segurança e apoiar decisões de agências reguladoras.

Se os resultados forem confirmados, o CBD pode se tornar uma opção terapêutica mais direcionada para pessoas com a síndrome de DiGeorge.

O acesso à medicamentos à base de Cannabis no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis sob prescrição médica.

Se você ou alguém próximo deseja iniciar uma terapia com canabinoides, busque orientação especializada. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de prescrição.

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