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“Foi estudando a cannabis medicinal que eu perdi o preconceito”

“Foi estudando a cannabis medicinal que eu perdi o preconceito”

Publicado em

6 de julho de 2026

• Revisado por

Jornalista e Documentarista, especialista em ouvir e potencializar Histórias reais.

Convivi por quase dez anos com ansiedade generalizada e depressão. Meu tratamento começou em 2014, depois de uma crise aguda provocada por uma série de fatores pessoais e profissionais. A partir dali, passei a tomar antidepressivos e ansiolíticos diariamente. Eles ajudaram em alguns momentos, principalmente no início, mas a ansiedade nunca deixou de fazer parte da minha vida.

Eu sentia os sintomas com muita intensidade. Dormia mal, vivia com pensamentos acelerados, angústia constante, aperto no peito e uma preocupação excessiva com tudo. Quando a depressão aparecia, eu simplesmente perdia a vontade de viver o dia a dia. Me isolava, evitava sair de casa e até os cuidados comigo mesmo ficavam de lado.

Depois de quase nove anos tomando medicação comum de farmácia, comecei a me preocupar com os efeitos de um tratamento tão longo. Quais seriam os danos para o meu organismo? Foi nessa época que passei a ouvir falar sobre a cannabis medicinal. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, minha primeira reação não foi de entusiasmo. Eu tinha muito preconceito em relação ao tema.

A minha pesquisa foi proporcional ao meu preconceito

Quanto maior era a resistência, mais eu estudava. Comprei livros, li artigos científicos, acompanhei pesquisadores, mergulhei nos trabalhos do neurocientista Sidarta Ribeiro e procurei informações sempre em universidades, centros de pesquisa e notícias. Toda vez que eu pensava: “Isso não pode ser verdade”, eu pesquisava mais um pouco. E quanto mais eu estudava, mais percebia que boa parte do que eu acreditava era fruto de estigma, não de ciência.

Em 2023, tomei a decisão de iniciar o tratamento com cannabis medicinal. Desde então, nunca mais parei. O primeiro benefício foi no sono, que melhorou muito. Aos poucos, a ansiedade também passou a responder de uma forma diferente. Hoje continuo convivendo com o transtorno de ansiedade generalizada, mas percebo que consigo atravessar os momentos difíceis de outro jeito. Quando recebo uma notícia ruim ou passo por uma situação estressante, por exemplo, ainda sinto o impacto, mas consigo voltar ao equilíbrio muito mais rápido. É como se eu deixasse de ficar preso naquele turbilhão de pensamentos negativos e conseguisse reagir com mais clareza.

A Cannabis não anestesia as minhas emoções!

Outra diferença importante é que nunca mais me senti anestesiado emocionalmente. Com os medicamentos anteriores, muitas vezes eu tinha a sensação de estar apenas sobrevivendo. Com a cannabis, é diferente. Continuo sentindo as emoções, mas consigo atravessá-las sem que elas me dominem. Também voltei a dormir melhor, recuperei o peso que havia perdido por causa da ansiedade e percebo que meu humor e minha convivência com as pessoas melhoraram muito. Minha família e meus colegas de trabalho enxergam essa mudança com facilidade.

Hoje faço questão de compartilhar minha experiência, mas sempre com o mesmo conselho: estudem, pesquisem e procurem médicos capacitados. Foi justamente a ciência que me fez vencer um preconceito que carreguei por tantos anos. Sou muito grato aos pesquisadores que insistiram em estudar uma planta medicinal conhecida há milênios, mesmo diante de tanto estigma. Graças a esse trabalho, hoje sabemos que existem evidências sólidas sobre os benefícios da cannabis para diferentes condições de saúde.

No meu caso, além de controlar muito melhor a ansiedade e melhorar o sono, tenho a tranquilidade de saber que estou usando uma medicina que também pode contribuir para a prevenção de outras doenças, sem os efeitos colaterais e os desconfortos que eu sentia com os medicamentos anteriores. Só quem convive diariamente com pensamentos acelerados, angústia, medo e ansiedade constante sabe o alívio que é conseguir respirar fundo, recuperar a clareza e perceber que a vida não precisa ser vivida em estado permanente de alerta.

Foi isso que a cannabis medicinal me devolveu: mais equilíbrio, mais presença e uma qualidade de vida que eu já não imaginava ser possível.

Importante! 

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis mediante prescrição médica e acompanhamento profissional.

Por isso, pacientes que buscam alternativas terapêuticas para condições como dor crônica, fibromialgia, enxaqueca, distúrbios do sono e outros quadros clínicos devem procurar orientação especializada para uma avaliação individualizada e segura.

Pela plataforma do Cannabis & Saúde, é possível agendar consultas presenciais ou por telemedicina com médicos experientes em terapias canabinoides, permitindo um acompanhamento adequado de cada caso e das necessidades específicas de cada paciente.

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Jornalista e Documentarista, especialista em ouvir e potencializar Histórias reais.

O Cannabis& Saúde é um portal de jornalismo, que fornece conteúdos sobre Cannabis para uso medicinal, e, preza pelo cumprimento legal de todas as suas obrigações, em especial a previsão Constitucional Federal de 1988, dos seguintes artigos. Artigo 220, que estabelece que a liberdade de expressão, criação, informação e manifestação do pensamento não pode ser restringida, desde que respeitados os demais dispositivos da Constituição.
Os artigos seguintes, até o 224, tratam de temas como a liberdade de imprensa, a censura, a propriedade de empresas jornalísticas e a livre concorrência.

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