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Pesquisa revela potencial do canabidiol na síndrome de Angelman

Pesquisa revela potencial do canabidiol na síndrome de Angelman

Estudo mostra que o Canabidiol (CBD) melhorou o sono e reduziu crises epilépticas associadas à síndrome de Angelman.

Publicado em

16 de junho de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Pesquisa revela potencial do canabidiol na síndrome de Angelman

O uso de medicamentos à base de canabidiol (CBD) no tratamento da síndrome de Angelman pode ajudar a melhorar problemas de sono e reduzir convulsões associadas à condição, segundo estudo publicado na revista científica Neuropsychopharmacology.

Em testes realizados em laboratório, pesquisadores observaram que a inclusão do CBD restaurou padrões de sono e reduziu a frequência das convulsões espontâneas.

Os resultados ampliam as evidências sobre o potencial terapêutico do canabidiol em condições neurológicas e do desenvolvimento.

Entenda a síndrome de Angelman e seus principais sintomas

A síndrome de Angelman é causada pela perda de função do gene UBE3A herdado da mãe. A condição afeta o desenvolvimento neurológico e está associada a deficiência intelectual, dificuldades motoras, alterações na fala, epilepsia e problemas persistentes de sono.

Segundo estimativa da Angelman Syndrome Foundation, a condição afeta aproximadamente 1 em cada 15 mil nascidos. O diagnóstico, no entanto, nem sempre ocorre de forma imediata. Aproximadamente metade dos pacientes recebe inicialmente diagnósticos de outras condições, como autismo ou paralisia cerebral, antes da confirmação por testes genéticos.

Entre os sintomas que mais impactam a qualidade de vida dos pacientes e familiares estão justamente as crises epilépticas e as alterações do sono, que costumam exigir acompanhamento médico contínuo.

Como os pesquisadores testaram o CBD

Embora a capacidade do CBD de reduzir convulsões já seja bem documentada pela pesquisa médica, ainda não estava claro se o canabinoide poderia atuar sobre dois sintomas centrais da síndrome: convulsões espontâneas e distúrbios do sono.

Para investigar a questão, os pesquisadores utilizaram animais sem o gene UBE3A, um modelo amplamente empregado para estudar a condição.

No experimento, foi utilizado um medicamento à base de CBD isolado. Os indivíduos receberam uma dose diária de 100 mg/kg de canabidiol por 42 dias consecutivos. O tratamento foi administrado por injeção intraperitoneal e mantido ao longo de praticamente todo o estudo.

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Canabidiol restaurou uma fase importante do sono

Um dos principais achados do estudo foi a recuperação do sono REM, fase associada à consolidação da memória e ao aprendizado.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que pessoas com a síndrome de Angelman apresentam alterações importantes no sono, com menos tempo nessa fase.

Após o tratamento com CBD, esse déficit foi corrigido e os níveis se aproximaram daqueles observados nos animais saudáveis. Além disso, os pesquisadores também observaram uma regulação do ciclo sono-vigília.

Os benefícios foram identificados logo nos primeiros dias de tratamento, sugerindo que o canabidiol pode influenciar mecanismos importantes da regulação do sono.

CBD ajudou a recuperar padrões naturais de descanso

Outro resultado destacado pelos autores foi a recuperação da chamada “siesta”, um período fisiológico de descanso que estava ausente nos animais com a síndrome de Angelman.

De acordo com os pesquisadores, o tratamento com CBD restaurou esse comportamento, aproximando novamente os padrões de sono dos observados nos animais do grupo controle.

Menos crises epilépticas durante o tratamento

Além dos efeitos sobre o sono, o estudo mostrou que o CBD reduziu significativamente a frequência de crises epilépticas, um dos principais aspectos da condição.

Estudos anteriores já haviam mostrado que o canabidiol reduz a gravidade de convulsões provocadas artificialmente.

Neste trabalho, porém, os cientistas analisaram as chamadas convulsões espontâneas recorrentes. Elas surgem sem estímulos externos e representam melhor o que acontece em pacientes com esse sintoma.

Para os autores, os resultados fortalecem a hipótese de que o canabidiol pode ter potencial terapêutico para múltiplos sintomas da síndrome de Angelman.

Próximo passo é confirmar os resultados em humanos

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o estudo foi realizado em animais e que ainda são necessários ensaios clínicos para confirmar se os mesmos benefícios ocorrerão em humanos.

Ainda assim, os dados fornecem evidências importantes para futuras pesquisas sobre o uso do canabidiol na síndrome de Angelman, especialmente como complemento ao tratamento de sintomas como epilepsia e distúrbios do sono.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.

Para incluir canabinoides na rotina de cuidado, é necessário, então, ter orientação especializada. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com profissionais experientes nesse tipo de terapia.

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