Pesquisadores japoneses identificaram um possível novo uso para o canabidiol (CBD): proteger os músculos contra a perda de massa muscular causada pela falta de uso.
Em laboratório, o canabinoide reduziu sinais de degradação muscular, diminuiu o estresse oxidativo e preservou indicadores ligados à produção de energia celular.
Os resultados foram publicados na revista científica Biological and Pharmaceutical Bulletin e ajudam a ampliar o conhecimento sobre a importância do sistema endocanabinoide em diferentes condições.
Além disso, os achados chamam atenção porque vários dos mecanismos observados também estão envolvidos na perda de massa e força muscular durante o envelhecimento.
CBD reduziu a perda muscular causada pela falta de uso
Para investigar os efeitos do canabidiol, os pesquisadores utilizaram um modelo de atrofia muscular por desuso. Nesse tipo de condição, os músculos deixam de receber estímulos adequados e começam a perder massa e força.
Durante duas semanas, os animais receberam CBD por via oral na dose de 100 mg/kg por dia. Ao final do período, os pesquisadores observaram que os animais tratados apresentavam menos perda de massa muscular em comparação aos que não receberam o canabinoide.
Além disso, os animais tratados com CBD tiveram desempenho melhor em testes físicos que avaliaram resistência e capacidade de sustentar o próprio peso.
De acordo com os autores, os resultados sugerem que o canabidiol ajudou a reduzir parte dos danos provocados pela falta de uso dos músculos.

Por que a atrofia muscular preocupa médicos e pesquisadores
A perda de massa muscular pode acontecer em diferentes situações, como:
- • Após internações prolongadas;
- • Longos períodos em repouso ou imobilização;
- • Doenças neurológicas.
Há também o caso da sarcopenia, a redução gradual da massa muscular que ocorre em idosos e pode aumentar o risco de quedas e comprometer a mobilidade.
Atualmente, exercícios físicos, fisioterapia e alimentação adequada continuam sendo as principais abordagens para prevenir ou retardar a perda muscular. Ainda não existem medicamentos ou tratamentos estabelecidos para essa condição.
Por isso, existe um interesse crescente em estratégias capazes de preservar a saúde muscular.
Os três mecanismos que podem explicar os efeitos do CBD
Os pesquisadores identificaram três processos biológicos que podem ajudar a explicar os efeitos observados.
Menos estresse oxidativo
No estudo, o CBD reduziu marcadores de estresse oxidativo nos músculos dos animais, ajudando a proteger o tecido muscular contra danos celulares relacionados à inatividade.
Menos inflamação
Os pesquisadores também observaram redução dos níveis de TNF-alfa, uma molécula inflamatória frequentemente associada à perda muscular.
A diminuição desses sinais inflamatórios pode ter contribuído para os efeitos protetores observados.
Menor degradação das proteínas musculares
Outro resultado importante foi a redução de duas proteínas relacionadas à destruição de proteínas musculares (Atrogin-1 e MuRF1).
Nos animais tratados com CBD, a atividade desses indicadores foi significativamente menor.
O papel das “usinas de energia” das células
O estudo também observou que o canabidiol protegeu as mitocôndrias.
As mitocôndrias são estruturas responsáveis por produzir a energia necessária para praticamente todas as funções celulares.
Quando os músculos deixam de ser utilizados, o funcionamento das mitocôndrias tende a diminuir. Como consequência, a produção de energia cai. Isso favorece processos que aceleram a atrofia muscular.
Os pesquisadores verificaram que o CBD ajudou a preservar marcadores relacionados à quantidade e ao funcionamento das mitocôndrias.

Resultados ainda precisam ser confirmados em humanos
De acordo com os pesquisadores, os próximos estudos deverão explorar diferentes doses de CBD e investigar mais detalhadamente os mecanismos biológicos responsáveis pelos efeitos.
Também são necessários experimentos em outros modelos de atrofia muscular e, eventualmente, ensaios clínicos em humanos.
Por enquanto, o estudo indica que o canabidiol demonstrou potencial para reduzir a perda muscular associada ao desuso.
Embora não signifique que o CBD trate sarcopenia, os resultados fortalecem a hipótese de que o composto pode influenciar processos importantes para a manutenção da saúde muscular.
Os resultados observados pelos cientistas japoneses expandem o conhecimento sobre como derivados da Cannabis podem atuar além das indicações mais conhecidas, como ansiedade, dor crônica e epilepsia.
Uso seguro de medicamentos à base de Cannabis
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.
Aqueles que desejam incluir canabinoides no tratamento devem buscar orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta com médicos experientes nesse tipo de prescrição.