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Cannabis era alimento há 4.500 anos, diz estudo

Cannabis era alimento há 4.500 anos, diz estudo

Neste 4/20, um olhar para o passado: pesquisa arqueológica mostra que a Cannabis era cultivada e consumida como alimento na atual China

Publicado em

20 de abril de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

4/20 - Cannabis era alimento há 4.500 anos, diz estudo

O 20 de abril, data que se tornou referência mundial para o movimento em torno da Cannabis, costuma motivar debates sobre saúde, cultura e regulamentação.

Neste 4/20, propomos olhar para o passado. Um estudo arqueológico publicado recentemente indica que a planta era cultivada, preparada e consumida como alimento há cerca de 4.500 anos.

Esses achados vieram de partes muito pequenas e resistentes da planta: os fitólitos.

História milenar contada por vestígios invisíveis

Nos sítios arqueológicos de Beitaishang e Qianzhongzitou, em Shandong, província no leste da China, a equipe de pesquisa encontrou vestígios (fitólitos) de Cannabis datados entre o Neolítico Final e o início da Idade do Bronze, entre aproximadamente 4.500 e 3.400 anos atrás.

A presença desses fitólitos nos sítios ultrapassou 50% das amostras analisadas. Em algumas camadas, eles apareceram junto a culturas básicas de grãos, como painço e arroz. Essa associação ocorreu em mais de 84% dos registros.

O que são fitólitos e por que eles importam

Fitólitos são partículas minerais microscópicas presentes dentro das células vegetais. Quando a planta absorve água do solo, também absorve sílica.

Quando uma planta morre e se decompõe, a sílica permanece no solo por milhares de anos. Nesse sentido, elas funcionam como uma espécie de “impressão digital” da planta.

Enquanto sementes e outras partes se deterioram com o tempo, os fitólitos são extremamente resistentes. Por isso, ajudam a identificar espécies e entender o desenvolvimento da agricultura.

A deterioração de materiais orgânicos como sementes, pólen e fibras dificulta esse tipo de estudo. Os fitólitos contornam esse problema, pois sobrevivem por milhares de anos.

Mapa da China atual mostrando a região de Shandong, onde o estudo foi realizado, entre Xangai e Pequim.

Província de Shandong fica ao leste da atual China, em região rica em história. | Foto: Google Maps

Cannabis entre os “cinco grãos”

De acordo com o estudo, na China antiga existia um conceito conhecido como wu gu, os “cinco grãos”. Essas eram plantas fundamentais para a alimentação e ajudaram aquela civilização a prosperar. Segundo os autores, a Cannabis fazia parte dessa lista.

Os fitólitos de Cannabis foram encontrados principalmente em ambientes domésticos, como fossas de cinzas e estruturas que serviam como moradia.

Esses são locais típicos de preparo e consumo de alimentos no cotidiano.

Da domesticação à diversificação da planta

Um estudo anterior, publicado em 2021, indicava que a Cannabis teria sido domesticada pela primeira vez pela humanidade no leste da Ásia, no início do Neolítico, há cerca de 12 mil anos.

Por volta de 4 mil anos atrás, a planta teria começado a se diversificar sob influência humana. A seleção feita pelos cultivadores da época deu origem a variedades otimizadas para a produção de fibras, sementes ou canabinoides.

O novo estudo acrescenta que, nesse período, a Cannabis já era parte da economia agrícola. Ou seja, já fazia parte do dia a dia de comunidades inteiras na região da atual China.

O consumo ancestral das partes da planta

No estudo, os fitólitos confirmam a presença da planta, mas não permitem identificar com precisão qual parte era consumida (sementes, folhas ou flores), nem como era preparada.

O contexto doméstico sugere uso para alimentação. Ainda assim, é possível que também houvesse uso medicinal ou ritual.

O que se pode afirmar com segurança é que a Cannabis era extremamente familiar àquelas populações.

Do passado à medicina moderna

Atualmente, os compostos da Cannabis são objeto de estudos clínicos e debates legislativos em todo o mundo. No entanto, por muitas gerações, a planta fez parte da alimentação humana.

O dia 4/20 pode ir além da história do grupo “The Waldos”, da Escola San Rafael, na Califórnia. A relação da humanidade com a Cannabis é muito mais antiga, remontando ao aperfeiçoamento da agricultura.

Hoje em dia, existe uma grande variedade de usos terapêuticos e industriais da planta. Na medicina, estudos indicam potencial para transformar radicalmente o tratamento de diferentes condições de saúde, como dores crônicas, epilepsia e transtorno do espectro autista.

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No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Então, se você ou alguém próximo deseja incluir esses produtos no cuidado à saúde, é importante buscar orientação profissional.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.

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