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Pesquisa investiga efeito do THC na prevenção da cárie

Pesquisa investiga efeito do THC na prevenção da cárie

Saiba como o THC atua contra a principal bactéria da cárie, seus efeitos sobre biofilmes e quais são os próximos passos para aplicação clínica

Publicado em

5 de fevereiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Pesquisa investiga efeito do THC na prevenção da cárie

Nos últimos anos, pesquisadores vêm investigando o potencial antimicrobiano dos compostos da Cannabis e suas possíveis aplicações na odontologia. Pesquisas anteriores já demonstraram que canabinoides, como o canabidiol (CBD), são capazes de inibir bactérias associadas a doenças periodontais, como gengivite e periodontite, com resultados comparáveis aos das abordagens convencionais.

Agora, um novo estudo avançou nesse campo ao testar os efeitos do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC) sobre a Streptococcus mutans, a principal bactéria envolvida na formação da cárie dentária. Os resultados indicam que o THC pode reduzir vários fatores que tornam essa bactéria tão prejudicial à saúde bucal.

A vilã por trás da cárie: a Streptococcus mutans

A Streptococcus mutans vive naturalmente na boca, mas se torna um problema quando encontra açúcares em excesso. Essa bactéria transforma esses açúcares em ácidos, que diminuem o pH da boca e desgastam o esmalte dos dentes. Com o tempo, esse processo leva à formação das cáries.

Além disso, essa bactéria forma biofilmes, estruturas que a protegem e dificultam a ação de escovação, fio dental e produtos antimicrobianos.

Testando o THC em laboratório

Os pesquisadores realizaram um estudo em laboratório, para analisar como diferentes concentrações de THC afetariam a S. mutans em várias situações:

  • • Crescimento da bactéria isolada
  • • Formação da placa bacteriana (biofilme)
  • • Atividade metabólica do biofilme já formado
  • • Produção de ácidos
  • • Integridade da membrana celular da bactéria

Para isso, os cientistas utilizaram testes padronizados da microbiologia, além de corantes fluorescentes que permitem diferenciar bactérias vivas e mortas e medir sua atividade.

Como o THC impactou a bactéria da cárie

Um dos principais resultados foi que o THC inibiu efetivamente o crescimento da S. mutans. A partir da concentração de 2 mg/mL, mais de 90% das bactérias deixaram de se multiplicar.

Outro resultado relevante foi a redução da produção de ácidos. No estudo, o canabinoide retardou a queda do pH no meio dependendo da dose utilizada. Em concentrações mais altas, as bactérias expostas ao THC demoraram muito mais tempo para atingir o nível de acidez considerado crítico para o início da cárie.

Biofilme sob ataque e redução da placa bacteriana

O THC também mostrou forte ação contra a formação da placa bacteriana. Com doses a partir de 1 a 2 mg/mL, houve uma redução superior a 90% na formação do biofilme.

Além disso, o composto diminuiu significativamente a produção dos polissacarídeos que ajudam a bactéria a se fixar no dente. Ou seja, o THC prejudicou a capacidade da S. mutans de se organizar e se proteger na superfície dental.

Quando o THC foi aplicado sobre biofilmes já existentes, ele não conseguiu remover a estrutura física da placa, mas reduziu de forma consistente a atividade metabólica e a viabilidade das bactérias. Isso indica que o THC age principalmente como um agente bacteriostático: ele não “mata” imediatamente as bactérias, mas paralisa suas funções, impedindo sua multiplicação e a produção de ácidos.

Como o THC desestabiliza a bactéria da cárie

Para entender como o THC provoca esses efeitos, os pesquisadores analisaram a membrana celular da bactéria. Eles observaram que o canabinoide causa uma hiperpolarização da membrana, uma alteração elétrica que interfere em funções vitais da célula, como:

  • • Produção de energia
  • • Controle do pH interno
  • • Divisão celular

Esse desequilíbrio explica, em parte, por que a bactéria perde eficiência e se torna menos agressiva ao esmalte dental.

Cautela para ir do laboratório para a clínica

Os autores concluem que o THC apresenta potencial anticariogênico, pois atua em vários pontos-chave do processo que leva à cárie: crescimento bacteriano, formação de placa, produção de ácidos e atividade metabólica.

No entanto, eles ressaltam que os resultados são preliminares e em modelos de laboratório. O THC, por causar efeitos psicoativos, exige cautela para o uso como medicamento odontológico. Entretanto, a compreensão desses mecanismos pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos produtos voltados para a prevenção e tratamento da cárie.

E no Brasil, já existem produtos odontológicos à base de Cannabis?

Atualmente, há produtos à base de canabinoides para uso odontológico, como enxaguatórios e formulações tópicas. Eles podem ser importados por pacientes brasileiros mediante prescrição médica, conforme as regras da Anvisa.

Portanto, se você ou alguém próximo deseja incluir medicamentos à base de Cannabis em um tratamento, busque orientação profissional. Acessando a nossa plataforma de agendamento, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de prescrição.

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