Nesse dia 9 de setembro, Dia do Médico-Veterinário aqui no Brasil, vamos celebrar os avanços e novas descobertas sobre o uso da Cannabis por esses profissionais. Celebramos nesse dia aqueles que desempenham papel fundamental na saúde e bem-estar dos nossos companheiros pets, mas também atuam na pesquisa, preservação, produção animal e etc.
Aqui no Brasil, o uso da Cannabis para fins medicinais por recomendação de veterinários não tem regulamentação. Alguns dos mais de 100 mil profissionais da área recomendam a planta, porém sem uma segurança jurídica.
Por outro lado, as pesquisas sobre os benefícios da Cannabis para o uso veterinário avançam. Elas identificam benefícios para a saúde dos animais, que não parecem ser tão diferentes dos benefícios da planta para humanos. Nesse sentido, começamos nossa celebração exaltando o trabalho que está em desenvolvimento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mais precisamente no campus da cidade Curitibanos.

UFSC busca voluntários para estudo de CBD para ansiedade em gatos
Uma equipe dda “Clínica Veterinária Escola”, da UFSC, vai realizar a pesquisa clínica “Cannabis sativa como ansiolítico em felinos”. A pesquisadora Vanessa Seabra vai conduzir o estudo, com a orientação de Erik Amazonas e Alexandre Tavela, e eles buscam voluntários. Se você mora na cidade de Curitibanos, pode inscrever seu gato ou gata como voluntário, acessando esse link. O pet precisa ter entre 1 e 8 anos, ser saudável, sem histórico de doenças crônicas, pode ser castrado ou não e de ambos o sexos.
Dra. Vanessa conversou um pouco com a gente sobre o estudo que está desenvolvendo e nos contou como a Cannabis pode ser uma ferramenta para gatos ansiosos e que são difíceis de manejar.
“A Cannabis pode ser uma aliada importante na clínica de felinos, levando os gatos a terem boas experiências, quando precisam de manejo e também quando precisam de internação. Isso facilita a vida do paciente, do veterinário e também do tutor. Gatos são seres reativos por natureza e territorialistas, provocando uma enorme descarga de estresse quando precisam passar por essas situações. E isso afasta os tutores dos consultórios.”
Para começar a pesquisa, Dra. Vanessa Seabra pretende selecionar 40 pacientes aptos a participar do estudo. É importante que o gato e o tutor morem na cidade de Curitibanos, porque o acompanhamento acontecerá na “Clínica Veterinária Escola”, da UFSC.
Sistema endocanabinoide não é privilégio dos humanos
É muito importante termos os resultados de estudos como esse, para que os veterinários tenham evidências científicas para apoiar sua prática clínica. Estamos habituados com a dosagem para tratar a saúde em humanos, mas o sistema endocanabinoide varia entre as espécies. A veterinária Vanessa Seabra destacou como até a dieta dos animais interfere no funcionamento do sistema.
“Todos os vertebrados têm sistema endocanabinoide, porém com particularidades. Por exemplo, cães possuem uma maior densidade do receptor CB1 no hipocampo e cerebelo, levando essa espécie a ser mais sensível aos canabinoides, podendo levar à ataxia estática. Já os gatos são mais resistentes, digamos, porém, possuem diferenças de metabolismo, que acabam por diminuir a metabolização dos compostos provenientes de plantas.”
Portanto, não dê produtos com Cannabis para uso humano para o seu pet! Os produtos e dosagens para os animais, assim como para nós humanos, são individuais e cada um responde de uma forma diferente. A UFSC obteve autorização judicial para cultivar a Cannabis para fins de pesquisa, na área da Medicina Veterinária.
Quais doenças podem ser tratadas com Cannabis?
Assim como em nós humanos, algumas doenças e distúrbios podem ser tratadas com Cannabis em animais. Desde dores crônicas, epilepsia, ansiedade, artrite e a lista é extensa. Alguns estudos científicos investigaram a eficiência e a segurança dos tratamentos com a planta para nossos pets. Nesse sentido, vamos apontar alguns, para a celebração desse Dia do Médico-veterinário.
Aqui nesse artigo, trouxemos algumas informações sobre o tratamento da epilepsia canina com Cannabis. Ainda nos cães, trouxemos esse outro artigo, sobre veterinários estarem observando melhoras em cães que usam a planta no tratamento para a cinomose.
Mais recentemente, pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém publicaram um artigo, sobre um produto injetável para tratar a osteoartrite em cães. Você pode ler o artigo completo aqui, onde eles detalham o sucesso do tratamento de seis semanas em seis cachorros idosos. Essa mesma doença também pode ser tratada em gatos, utilizando o CBD.
Obrigado, veterinários e veterinárias
Nesse dia do médico-veterinário, agradecemos aos veterinários e veterinárias pelo seu compromisso com a saúde animal, que impacta diretamente a saúde de nós, humanos. Aqui no Cannabis & Saúde, acompanhamos os avanços científicos e regulatórios, relacionados ao uso da planta por esses profissionais. Nesse sentido, você pode se aprofundar, lendo o conteúdo das nossas colunistas Aline Gonçalves Goulart e Kátia Ferraro, referências no assunto.
Por enquanto, o uso medicinal da Cannabis tem regulamentação apenas para humanos aqui no Brasil. Se você deseja utilizar a planta para tratar alguma condição de saúde, é fundamental ter acompanhamento médico. Acessando a nossa plataforma de agendamentos, você pode marcar uma consulta com um profissional da saúde e começar um tratamento agora mesmo. Lá, você encontra mais de 250 médicos e dentistas, preparados para avaliar o seu caso e recomendar o melhor caminho.
No próximo dia 24 de agosto, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) vai realizar o Cannabis Nova Friburgo. O evento, que faz parte da programação do Vet Meeting Serra, tem o objetivo de debater formas seguras – e dentro da legalidade – para a prescrição de Cannabis para uso medicinal por médicos-veterinários, em uma possível regulamentação da atividade.
O evento é gratuito, presencial e voltado para veterinários de todo o país. Você pode se inscrever no Cannabis Nova Friburgo, do CRMV-RJ, através da plataforma Sympla.
O local que vai receber o Cannabis Nova Friburgo é o Hotel Dominguez Master, na Rua Alexandre Korotynsky, 32, no centro da cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

Programação do evento
Para tratar de um tema tão complexo como a prescrição de Cannabis por veterinários, o CRMV-RJ convidou quatro palestrantes que vão trazer um ponto de vista científico e com base na prática clínica. Confira a programação:
- Sistema endocanabinoide: como os fitocanabinoides atuam no organismo – Dra. Magda Medeiros
- Terapia canábica no paciente felino – Dra. Fernanda Calmon
- Principais afecções radiográficas de cães e gatos – Dr. Luiz Caldas
- Casos clínicos – Dr. Cyro Martinelli
Esse será o terceiro evento organizado pelo CRMV-RJ a discutir a Cannabis para uso veterinário. Anteriormente, a entidade realizou encontros na capital fluminense e também em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Agora, o Conselho sobe a Serra, para a cidade de Nova Friburgo.

Sistema endocanabinoide em outros animais
O sistema endocanabinoide (SEC) não é um privilégio de nós humanos. A maioria dos animais também possui esse sistema de sinalização celular, que busca trazer equilíbrio ao organismo. Nesse sentido, cientistas já identificaram o SEC em seres extremamente simples. Em abril de 2023, um artigo publicado na revista Nature destacou a “larica” (fome geralmente atribuída a quem consumiu Cannabis) que uma minhoca também sente, quando exposta ao THC. Isso sugere que os seres vivos desenvolveram o SEC ao menos 500 milhões de anos atrás.
Portanto, podemos propor tratamentos para a saúde, modulando o sistema endocanabinoide, de diversos animais, do mesmo modo como fazemos para condições de saúde em humanos. Sobretudo cães e gatos já foram objeto de muita investigação e em alguns países é possível encontrar produtos com Cannabis específicos para o uso veterinário.
Os casos com melhores respostas ao tratamento com Cannabis em cães e gatos envolvem dores crônicas, estresse, além de bons resultados para a cinomose canina. Você pode acompanhar as novidades do uso veterinário da planta com as nossas colunistas Aline Gonçalves Goulart e Kátia Ferraro.

O uso da Cannabis na veterinária
E é justamente a pesquisa do uso da Cannabis na veterinária que levou a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a conseguir autorização para cultivar a planta com fins científicos. Sob a supervisão do professor Erik Amazonas, a instituição iniciou o plantio e pretende extrair óleo rico em CBD.
No entanto, a prescrição da Cannabis por médicos-veterinários segue sem regulamentação aqui no Brasil. O uso é autorizado para tratar condições de saúde em pessoas. Então, se você é um humano, pode fazer uso medicinal da planta de forma legal e segura. Primeiro, você precisa marcar uma consulta com um profissional da saúde pela nossa plataforma de agendamentos. Em seguida, siga as recomendações do médico, para obter mais qualidade de vida e bem-estar.
Um Projeto de Lei foi apresentado no estado do Rio de Janeiro para regulamentar a prescrição de Cannabis por profissionais da medicina veterinária. A proposta tem o objetivo de dar segurança jurídica para que os veterinários prescrevam produtos com a planta para tratar a saúde de animais.
Além disso, o PL 1257/2023 também autoriza universidades e institutos de pesquisa do estado do Rio de Janeiro a realizarem pesquisas científicas para auxiliarem no tratamento de saúde de animais com a Cannabis. Nesse sentido, as associações de pacientes com autorização para produzir remédios com canabinoides poderiam atuar na execução das pesquisas.

Segurança jurídica para profissionais da veterinária
Estima-se que no Brasil, atualmente, tenhamos cerca de 200 mil médicos veterinários. Esses são profissionais que desempenham papel crucial para a manutenção da saúde e bem-estar dos nossos amigos animais de quatro patas, asas ou com escamas. Segundo o censo do Instituto Pet Brasil, feito em 2021, somos o terceiro país com animais de estimação no mundo, com mais de 149 milhões de pets. Os cães são maioria (mais de 58 milhões no país), seguidos dos gatos (27 milhões).
Pensando nesse número imenso de animais e nas evidências científicas que comprovam a eficácia dos tratamentos com Cannabis, o deputado estadual Carlos Minc propôs o PL 1257/2023 para regular a prescrição de canabinoides pelos veterinários no Rio de Janeiro em 7 de junho. A medida precisa passar pela aprovação de quatro Comissões da casa antes de ir para a votação no plenário. Depois disso, precisa receber a sanção do governador do estado.
Se a lei for aprovada, veterinários do Rio de Janeiro poderão prescrever produtos com Cannabis para seus pacientes. Os tutores dos animais poderão adquirir o medicamento de forma legal em farmácias, por meio de importação ou em associações devidamente autorizadas.

O PL também garante que os tutores possam transitar pelo território do estado portando os medicamentos do seu pet.
Ainda segundo o projeto, enquanto não existir regulamentação específica para produtos com Cannabis para animais, uma responsabilidade do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), se deverá seguir as normativas já existentes para o uso dos canabinoides em humanos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Sistema endocanabinoide em animais
A ação milagrosa que a Cannabis parece ter no tratamento de diversas condições de saúde em humanos acontece graças a interação que os canabinoides da planta têm com nosso sistema endocanabinoide. Esse sistema desempenha uma função importantíssima no nosso organismo, regulando diversos processos fisiológicos como o humor, ansiedade, apetite e pressão arterial.
Acontece que esse sistema não e uma exclusividade dos humanos. Pesquisadores de todo o mundo identificaram que o sistema endocanabiniode está presente em uma grande parte dos seres vivos, desde os mais primitivos até os mais sofisticados. Recentemente, um artigo publicado na revista Nature mostrou que cientistas identificaram uma minhoca microscópica chamada Caenorhbditis elegans possui um sistema endocanabinoide que age de forma similar ao nosso. Inclusive, os cientistas também observaram que a Cannabis abre o apetite dessa forma tão primitiva de vida. Ou seja, as minhocas também sentem “larica” quando sob efeito do THC.

Veterinária e Cannabis no Brasil
Apesar de os veterinários não terem a desejada segurança jurídica para utilizar a Cannabis na prática profissional, temos visto respaldo de instituições de ensino e do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), por exemplo. Dessa forma, podemos mencionar a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que possui autorização para cultivar a planta para fins acadêmicos e o faz para estudar aplicações veterinárias. Por outro lado, o CRMV-SP já promoveu encontro online para debater as aplicações dos canabinoides na medicina veterinária.
Aqui no Cannabis & Saúde temos duas colunistas que escrevem sobre o panorama dos usos medicinais da Cannabis na saúde animal, Dra. Kátia Ferraro e Dra. Aline Goulart. Acompanhe-nos para ficar por dentro de todas as novidades a respeito dessa nova forma de cuidar do nossos companheiros pets.
Um estudo realizado pelo USDA, o equivalente ao Ministério da Agricultura dos EUA, demonstrou que é seguro comer a carne de gado alimentado com ração de cânhamo. Segundo a análise, realizada na Universidade da Dakota do Norte, a quantidade de THC ou CBD presente na carne é tão baixa que não consegue gerar qualquer efeito em quem se alimentar desses animais.
Essa investigação, publicada no periódico científico Food Additives and Contaminants (aditivos alimentares e contaminantes, na tradução livre), checou a concentração de canabinoides nos músculos, fígado, rins e tecidos adiposos de gado alimentado com uma ração que tinha de semente de cânhamo processada na composição.

Sementes de cânhamo foram transformadas em ração para gado
Níveis baixíssimos de CBD e THC na carne
O objetivo do estudo era descobrir se a semente de cânhamo é uma fonte de proteína e fibras segura para a alimentação do gado bovino. As sementes de cânhamo possuem alto valor nutricional, é rica em proteínas e fibras. Por outro lado, como ficou demonstrado no artigo, não contem quantidades relevantes de canabinoides como CBD e THC.
Um grupo de novilhos recebeu recebeu uma ração que continha 20% de cânhamo processado por 111 dias. Depois desse período, os cientistas avaliaram os resíduos de canabinoides nos animais nos dias 0, 1, 4 e 8 após cessarem a dieta. Assim, foi possível identificar quanto tempo leva para os derivados da Cannabis serem eliminados pelo organismo do gado.
Na média, a concentração de CBD e THC na ração ficava entre 1,3 e 0,8 mg/kg, quantidade que não causa efeitos psicoativos nos bovinos. Para fins de comparação, a dose de canabidiol com fins medicinais para um humano adulto fica entre 10 e 25 mg/kg.
Cânhamo para alimentação do gado

David Smith, um dos responsáveis pela pesquisa, defendeu o uso do cânhamo para a alimentação do gado de corte.
“De acordo com nossa avaliação de exposição, seria muito difícil para um ser humano consumir gordura suficiente de gado alimentado com torta de sementes de cânhamo para exceder as diretrizes regulatórias para exposição ao THC.
Do ponto de vista da segurança alimentar, a torta de cânhamo com baixo teor de canabinoides pode ser uma fonte adequada de proteína bruta e fibra na alimentação do gado, oferecendo aos produtores industriais de cânhamo um mercado potencial para este subproduto da extração do óleo de cânhamo.”

Carne de gado alimentado com cânhamo não consegue intoxicar quem a come
Esses resultados abrem a possibilidade para que resíduos de cultivo de cânhamo com fins medicinais ou industriais possam ser empregados na pecuária. Experimentos nesse sentido já estão acontecendo em vários lugares, inclusive com galinhas.
Por enquanto, o uso de Cannabis na alimentação de animais é proibido tanto nos EUA quanto aqui no Brasil. Os estudos da USDA ajudam a esclarecer as dúvidas que ainda permeiam esse debate. No entanto, o uso medicinal segue sendo uma ótima opção de tratamento para pessoas que sofrem com diversas condições de saúde. Aqui na nossa plataforma de agendamentos você pode marcar uma consulta com um médico prescritor de canabinoides e começar o quanto antes, se necessário.
Pesquisadores da Universidade da República, do Uruguai, acompanharam o caso de um gato com artrite que recebeu tratamento com Cannabis. Esse foi um estudo inédito sobre o uso veterinário da Cannabis e os resultados foram animadores.
Um gato castrado, sem raça definida e com 10 anos de idade foi diagnosticado com artrite. Consequentemente, ele sofria com dores crônicas que mudaram a sua rotina. A tutora do animal relatou dificuldades em saltar, menor interação com outros gatos e gemidos.
Um tratamento com óleo de Cannabis full spectrum contendo 1,8% de CBD e 0,8% de THC teve efeito analgésico e fez as dores do gato diminuírem após 30 dias de tratamento. Segundo o índice de dor musculoesquelética felina (FMPI, na sigla em inglês), a pontuação de dor no pet diminuiu em mais de 50 pontos, o que significa uma redução de aproximadamente 38% na dor.

Primeiro estudo de caso envolvendo Cannabis em um gato
O sistema endocanabinoide está presente na maioria dos vertebrados, nos nossos pets não poderia ser diferente. Entretanto, os anos de proibição da Cannabis impediram que as pesquisas científicas sobre o uso da planta avançassem, tanto para humanos quanto para a saúde animal.
Por isso, temos poucas evidências científicas sobre o uso veterinário da Cannabis, principalmente em gatos. Nesse sentido, A case report of CBD and THC as analgesic therapy in a cat with chronic osteoarthritic pain (Um relato de caso de CBD e THC como terapia analgésica em um gato com dor osteoartrítica crônica, na tradução livre) foi o primeiro estudo de caso sobre o uso de canabinoides em felinos já feito.
Portanto, os autores do artigo identificaram os benefícios do tratamento, mas também apontam a necessidade que mais estudos aconteçam para confirmar essas possibilidades.
“Este caso relatou um resultado satisfatório para o paciente e o proprietário, sugerindo que medicamentos à base de cannabis podem ser uma alternativa terapêutica para gatos com osteoartrite. Os veterinários ainda apresentam dúvidas e preocupações sobre o uso de formulações de Cannabis sativa em seus pacientes; conseqüentemente, mais estudos clínicos e farmacocinéticos são necessários para estudar a segurança e eficácia de seu uso.”

Veterinários têm situação indefinida sobre Cannabis
Por enquanto, não existe regulamentação para o uso veterinário da Cannabis. Os profissionais que gostariam de prescrever a planta para seus pacientes não possuem a segurança jurídica e preferem não recomendar o tratamento.
No caso dos veterinários, é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que regula os medicamentos que os profissionais podem utilizar. Até agora, o órgão ainda não se posicionou. Diferente da Anvisa, que já incluiu médicos e dentistas na plataforma de importação de produtos com Cannabis.
Acompanhe a coluna que a veterinária Katia Ferraro escreve aqui no portal Cannabis & Saúde. Ela traz as principais novidades sobre o uso veterinário da Cannabis para cães, gatos e outros animais que nos acompanham.
Então, se você quer tratar a saúde do seu pet, avalie bem as possibilidades dentro da legalidade junto ao veterinário. Porém, para tratar a saúde de seres humanos, a regulamentação já permite. O primeiro passo é marcar uma consulta com um médico prescritor aqui na nossa plataforma de agendamentos. São mais de 200 profissionais capacitados para te mostrar o melhor caminho.
O sistema endocanabinoide não é um privilégio dos humanos, de acordo com o Dr. Raphael Mechoulam, todos os animais vertebrados possuem esse sistema e interagem com os compostos da Cannabis.
Isso inclui os cães domésticos. A interação dos canabinoides com animais têm sido objeto de estudo de pesquisadores e, recentemente, cientistas britânicos investigaram o uso do CBD para reduzir o estresse em qualquer tipo de cachorro. Para isso, usaram duas situações estressantes para esses animais: viajar de carro e ficar um tempo sozinho.
Os resultados foram animadores e uma dose única de CBD por cachorro reduziu consideravelmente o estresse nessas situações. Ao mesmo tempo que mais estudos são necessários, esse estudo sugere que se desenvolvam produtos com canabidiol de uso veterinário para cachorros em situações estressantes.
CBD broad spectrum para o seu cachorro
O estudo, que foi publicado na revista Frontiers in Veterinary Science, era cego, randomizado e controlado por placebo. Para medir os níveis de estresse, os pesquisadores analisaram alguns indicadores fisiológicos (como frequência cardíaca, temperatura e níveis de cortisol no sangue) e de comportamento (como choro, tremores e respiração) dos 20 cães que participaram do período de testes.
Nesse sentido, eles deram uma dose única de CBD broad spectrum (sem a presença de THC) de 4mg/kg ou placebo duas horas antes de exporem os cães às situações de estresse. Os cachorros que receberam o canabidiol demonstraram estar menos tristes e estressados, com menores níveis de cortisol no sangue e comportamento mais relaxado.

Uso veterinário da Cannabis
O uso dos derivados da Cannabis em animais é tão antigo quanto o uso em humanos, foi a proibição que interrompeu o uso veterinário da planta, assim como o uso medicinal. No entanto, surgiram diversas evidências sobre os benefícios dos canabinoides em animais domésticos. Um exemplo é a epilepsia em cachorros pode ser tratada com CBD.
Por outro lado, aqui no Brasil, a prescrição da Cannabis é restrita a humanos de acordo com as resoluções da Anvisa. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) apoia a pesquisa e a regulamentação do uso veterinário dos canabinoides.
Nas condições atuais, pode ser difícil tratar o seu pet com os derivados da Cannabis. Porém, para os tutores e tutoras é muito fácil. Basta marcar uma consulta com um médico prescritor utilizando a nossa plataforma de agendamentos. Lá, você encontra mais de 200 médicos de diversas especialidades, todos capacitados para prescrever o produto mais indicado para o seu caso.
A cinomose é uma doença grave e altamente contagiosa que ataca cachorros em todo o mundo e a Cannabis surge como uma poderosa aliada no tratamento da infecção e também das sequelas. Causada por um vírus, ela pode levar à morte do animal, principalmente os que possuem a saúde já comprometida.
Em conjunto com a terapia já estabelecida, os efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e neuroprotetores da Cannabis potencializam a resposta do animal à infecção da cinomose. Atualmente, pesquisas científicas analisam essa relação e podemos ver alguns exemplos, como esse estudo de caso realizado por uma estudante da graduação em Medicina Veterinária pela UNICEPLAC (Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos), de Brasília.

A autora do estudo, a brasileira Caroline Audrey Pereira, concluiu: “Os compostos da Cannabis sativa são importantes alternativas para o tratamento da cinomose, sendo um bom anti-inflamatório e analgésico, quando comparado a outros fármacos, além do seu potencial na melhora de alterações do sistema neurológico. Sugere-se mais estudos sobre a efetividade da ação dos compostos de Cannabis sativa na medicina veterinária, a fim de esclarecer e definir protocolos para a administração de derivados terapêuticos da Cannabis sativa.”
O que é a cinomose
A infecção da cinomose é causada por um vírus chamado Paramyxovirus, do gênero Morbilivírus. Os cães contraem a doença ao terem contato com urina, fezes ou secreções contaminadas. Rapidamente, ela ataca o sistema digestivo, respiratório até chegar ao sistema nervoso e afetar algumas funções cerebrais.
A melhor forma de prevenir a cinomose é pela vacinação. As vacinas conhecidas como V8, V10 e V11 oferecem proteção contra o vírus e precisam de uma dose de reforço anualmente. Por isso, é fundamental que o esquema vacinal esteja completo no seu pet.

Tratamento para cinomose com Cannabis
Inicialmente, a doença ataca os sistemas digestivo e respiratório, causando diarreia, enjoos, anorexia, febre e secreções nos olhos e nariz. Em seguida, quando o vírus chega ao sistema nervoso, ela pode causar convulsões, paralisias, tremores e falta de coordenação. Portanto, um tratamento nos estágios iniciais da infecção aumentam muito as chances de sobrevivência.
Para a veterinária e fundadora da Red Cannabis medicinal Veterinária Brasil, Vanessa Seabra, a utilização de Cannabis no tratamento da cinomose oferece muitos benefícios, assim como costumamos ver em pacientes humanos que utilizam a planta.
“A fisiopatologia da cinomose em cães é muito semelhante com a esclerose múltipla em humanos, ou seja, o vírus provoca a destruição das bainhas de mielina e atrapalha a conexão entre os neurônios, levando-os a morte. A Cannabis consegue diminuir a inflamação, tem ação antioxidante, diminui a destruição da bainha de mielina (neuroproteção) e melhora a reposta imune do organismo frente aos desafios impostos pelo vírus e possíveis bactérias oportunistas. Sempre em conjunto com a terapia já estabelecida, a cannabis age como um potencializador do sistema endocanabinoide na resposta a infecção.”
Cannabis + tratamentos convencionais
A Cannabis sozinha não é capaz de promover a reabilitação dos animais infectados pela cinomose. Portanto, é necessário utilizar um repertório de opções terapêuticas que trarão qualidade de vida ao cachorro. Lembrando que não existe um tratamento específico para a cinomose, os cuidados são com os sintomas para evitar que a doença progrida. O cão infectado tem grandes possibilidades de seguir uma vida normal, se tratado adequadamente. Dra. Vanessa Seabra destaca como é importante analisar cada caso.

Dra. Vanessa Seabra vê benefícios na utilização da Cannabis como tratamento para cinomose
“Cannabis realmente ajuda bastante, mas sempre em conjunto com as demais terapias. É importante frisar que a cannabis não é panaceia, não é milagre. Deve-se analisar o paciente, o quadro que ele apresenta, e, em conjunto com as demais medicações disponíveis, adequar o quimiotipo e a concentração aos efeitos terapêuticos esperados.”
Apesar dos estudos e casos de sucesso, não é permitido que veterinários prescrevam Cannabis para seus pacientes no Brasil. O Conselho Federal de Medicina Veterinária recomenda que os profissionais aguardem a regulamentação por parte da Anvisa para evitar constrangimentos.
Nós, humanos, não somos os únicos que podem se beneficiar do uso medicinal da Cannabis. Já foi observado a presença do sistema endocanabinoide na grande maioria dos animais vertebrados, entre eles cães, gatos, cavalos e aves. Saiba o que a ciência já conhece sobre os benefícios da Cannabis medicinal veterinária.
O uso de fitoterápicos tem crescido na área veterinária. E se hoje o mundo se volta para o uso medicinal de Cannabis, no campo veterinário não é diferente.
Esse tema tem crescendo com pressa no Brasil e no mundo. Em 2019, foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina o 1° Simpósio Internacional de Medicina Veterinária Canabinoide, uma Watch Party global simultânea, transmitida nos EUA, Canadá e Brasil.
Nesse simpósio, foram ministradas palestras com maiores nomes dessa área na medicina veterinária do mundo, como Stephen Cital, Trina Hazzah e Erik Amazonas.
O evento foi organizado pela Ama-Me Brasil (Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis medicinal), em parceria com a Veterinary Cannabis Education and Consulting, e reuniu veterinários, farmacêuticos, médicos e público em geral, trazendo à tona os desafios do uso de Cannabis na Medicina Veterinária, relatando experiências positivas e negativas dessa terapia.
De maneira evidente, nós humanos não somos os únicos que podem ser beneficiar do uso medicinal de substância derivados da Cannabis. Já foi observado a presença do sistema endocanabinoide (ECS) na grande maioria dos animais vertebrados, entre eles cães, gatos, cavalos, aves, etc.
Os receptores canabinoides, CB1, CB2, PPAR (Receptores Ativados por Proliferador de Peroxissomo), estão presentes em todo o corpo: sistema nervoso central, órgãos periféricos, tecido epidérmico. Também foi observada a presença e liberação de endocanabinoides Anandamida (AEA), 2-Araquidonoilglicerol (2-AG), Palmitoiletanolamida (PEA), entre outros, que se ligam aos receptores canabinoide levando a regulação do sistema 1.
Fitocanabinoides e a Terapêutica Veterinária
Assim, vários estudos têm demonstrado o papel do CBD, THC, terpenoides e flavonoides, em conjunto ou separadamente. A modulação do sistema endocanabinoide por essas substâncias tem um poderoso potencial terapêutico em quase todas as doenças que afetam humanos, incluindo: obesidade, diabetes, doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica), epilepsia, doenças inflamatórias, cardiovasculares, hepáticas, gastrointestinais, doenças de pele, dor, distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático), câncer, glaucoma, náusea e vômito induzidos por quimioterapia, etc2,3.
O extrato de Cannabis também vem sido utilizado na Medicina Veterinária para o tratamento de animais domésticos e equinos. Os nossos queridos companheiros também podem se beneficiar do uso terapêutico dos derivados da planta dá mesma maneira que nós4.
Vários estudos demonstram a ação dos canabinoides, exógenos e endógenos, na modulação de doenças e transtornos comportamentais, incluindo patologias como osteoartrite, dermatite atópica, mielopatias degenerativas, epilepsia, doenças neuroinflamatórias e outros. Estudos clínicos já testaram a eficácia do óleo de CBD em cães, gatos e cavalos, apresentando bons resultados, especialmente em apoio à terapia normal 5.
Principais Ações do Óleo de Cannabis em Animais
O óleo de CBD pode fornecer terapia relevante para animais de estimação ou trabalho acometidos de alguma doença, física, mental e/ou comportamental. Entre as patologias estão as seguintes:
- Infeções fúngicas, bacterianas, virais
- Dor crônica e/ou neuropática
- Crises epilépticas
- Processo de cicatrização
- Distúrbios do trato gastrointestinal, como disbiose
- Transtornos mentais
- Transtorno de ansiedade
- Situações estresse
- Traumas físicos ou “psicológicos”
- Problemas dermatológicos.
- Doenças autoimunes
Desta maneira, a experiência clínica do uso de derivados de Cannabis em animais nos revela que essa terapia pode vários benefícios como: redução dos níveis de medo, estresse e ansiedade, alivio da dor, melhora da função neurológica (ex. após AVC ou senilidade), melhora a alimentação, diminuição de doenças oportunistas, diminuição a quase zero de crises epilépticas.
Na visão geral, o uso de óleo de Cannabis sativa devolve aos nossos companheiros a alegria de viver, brincar e proporciona um valioso conforto nas últimas horas de vida.
A dose correta para seu companheiro
Dois trabalhos envolvendo os produtos Bedrocan ® e Sativex® foram realizados para entender melhor a farmacocinética do óleo de Cannabis contendo THC, CBD, terpenos e de spray com THC e CBD, respectivamente.
Após o tratamento, foram avaliados o níveis de CBD e THC no organismo, o tempo que os mesmos levam para eliminar essas substâncias e uma possível acumulação desses após a aplicação de doses múltiplas. Ambos os estudos demonstraram que os cães toleram bem o tratamento. Também que esse medicamento possui um padrão de ação farmacocinético esperado, sendo os níveis máximos de fitocanabinoides (THC e CBD) observados de 1 à 2 horas após o tratamento. Por fim, não foi observado sinais de excitação, sedação ou qualquer outro efeito adverso visível nos cães tratados 6,7.
Logo, a dose certa para animais depende muito do seu peso corporal. Normalmente, se começam tratamentos com poucas gotas. Depois, aumenta-se até níveis de resposta desejáveis sejam alcançados.
Via de regra, uma dose por dia é suficiente. Para condições mais extremas, o número de doses pode ser aumentada para 2-3 doses por dia.
As dosagens de óleo de CBD para animais são um pouco diferentes do que a terapia para humanos e mais direcionadas pelo peso corporal. Para a grande maioria dos cães e gatos podemos utilizar cerca de 2 gotas para cada 5kg de animal8.
- Em animais de até 10 kg = 4-6 gotas diárias de óleo de Cannabis.
- Em animais de 10 a 25 kg = 8-12 gotas diárias de óleo de Cannabis.
- Em animais como peso superior a 25 kg = cerca de 15 gotas diárias de óleo de Cannabis.
Uso de derivados de Cannabis pelo mundo
Em países como EUA, Canada, Itália, o consumidor, tutor do animal, já pode escolher petiscos, rações, shampoos, sprays, produtos de higiene oral, cremes relaxante musculares, aplicadores em roll-on, entre outros contendo derivados de Cannabis. Assim, o dono do pet pode oferecer uma suplementação junto com outro tratamento.
O número de empresas desse ramo tem crescido com velocidade. Entre elas temos, Alleva Holistic; Canna-Pet; TreatWell Heath; Treatibles, Pet Releaf; VETCBD; entre outras. Todas especializadas em produtos à base de canabidiol pra animais de estimação.
Tutores relatam uma enorme melhora na qualidade de vida de seus animais. Alguns exemplos podem ser observados nas redes sociais e sites das empresas.
Entre exemplos observados, está o caso do Lucca, um cachorro de 9 anos, raça boiadeiro australiano, que sofreu uma lesão dolorosa. Sua tutora o tratou com goma de CBD da PetRelief para auxiliar com o desconforto nas articulações. Tem também o caso da Astra, uma labradora de 3 anos, que apresenta uma situação de ansiedade grave por ter sido abandonada. Hoje, usa CBD 700 mg, diminuindo as situações de estresse e ansiedade 9.
Resumindo: o uso de óleo de Cannabis é uma terapia útil, sem efeitos secundários/adversos relevantes. A pior coisa que pode acorrer é sonolência, letargia, aumento do apetite, da ingestão de água e em caso de uma dose muito elevada pode ser observada náuseas, vômitos, diarreia. Sendo que esses efeitos adversos transitórios acabam desaparecendo em no máximo 24h. Todavia, importante ressaltar que deve-se sempre consultar o médico veterinário para esse aprovar o uso desse medicamento em seu animal.
Regulação do uso de derivados canabinoides na clínica veterinária
No Brasil, há veterinários que trabalham, prescrevem e são entusiastas do uso de derivados da maconha em animais. Por exemplo, o Dr Pet Cannabis (Dr. Fábio Mercante de San Juan) e o Dr Erik Amazonas. Esses profissionais, junto com os tutores, lutam pela regulamentação do uso de Cannabis em animais.
A resolução da Anvisa sobre a Cannabis medicinal permitiu o uso de derivados somente para uso humano, deixando de lado o veterinário.
À vista disso, devido a falta de uma lei que proíba ou libere o uso desse tipo de medicamento na área veterinária, diversos profissionais têm feito a prescrição e tratado transtornos em animais com óleo à base de Cannabis de maneira “ilegal”.
Entretanto, essa discussão já chegou ao órgão responsável pelas questões veterinárias: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
No mês de fevereiro desse ano, o diretor-presidente da Sustentec (Produtores Associados para Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis), Euclides Lara Cardozo, apresentou em Reunião Ordinária do Mapa um breve apanhado sobre “As regras para produção e comercialização de produtos à base de canabidiol para uso na saúde animal no Brasil e a importância para economia brasileira de regulamentação da atividade de cultivo de Cânhamo e Cannabis para uso medicinal”.
Dando assim um primeiro passo para a regulamentação do uso dessas substância para o mercado veterinário.
Referências
1 –https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31527410
2 – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16728591
3 – https://www.avma.org/news/javmanews/pages/130615a.aspx
4- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22738050
5- http://vri.cz/docs/vetmed/61-3-111.pdf
6- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30580232
7- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32054131
8 – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32118071
9 – https://www.instagram.com/petreleaf/
“Poderemos criar estratégias para a desconstrução de preconceitos e mitos, além de apoiar a criação de uma legislação sobre o uso”, deseja um dos idealizadores do estudo
Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estão produzindo uma pesquisa nacional para avaliar o conhecimento dos brasileiros sobre os principais componentes da maconha, tetrahidrocanabidiol e canabidiol, e desmistificar o senso comum a respeito da utilização da planta em animais.
Intitulado “Análise do conhecimento dos brasileiros acerca da Cannabis sp. (Maconha) e seu uso terapêutico na Medicina Veterinária”, o projeto busca ampliar o suporte teórico e, com questionário disponível até 22 de julho, obter respostas sobre o tema.
“O resultado da pesquisa contribuirá para o assunto. Entendendo o conhecimento da população sobre o tema, poderemos criar estratégias para a desconstrução de preconceitos e mitos. Além de apoiar a criação de uma legislação sobre o uso”, almeja Helder Pereira, estudante de Medicina Veterinária e um dos idealizadores da pesquisa.
O estado da Paraíba é referência no Brasil em relação ao uso de maconha para fins medicinais.
“No estado, estão as instituições Liga Paraibana em Defesa da Cannabis Medicinal (Liga Canábica) e a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace). Além disso, a UFPB possui grupo de estudo e a disciplina “Sistema Endococanabinóide e Perspectivas Terapêuticas da Cannabis Sativa e seus derivados” sobre o assunto”, destaca o estudante.
Uma pesquisa divulgada no início deste ano pela Universidade do Colorado (EUA), analisou 26 cachorros com epilepsia por 12 semanas e revelou queda significativa nas crises entre os animais que fizeram uso do óleo de canabidiol.
Especialistas pelo mundo acreditam ainda que há expectativa de que o uso da substância possa agir em casos de câncer, dor crônica e questões neurológicas de animais como cães e gatos.
Conforme Helder, a ideia de pesquisar o tema surgiu no ano passado, em um evento na UFPB e o compartilhamento das informações é fundamental para o conhecimento da população sobre dados mais fiéis a respeito da planta.
“Em 2019, no Centro de Ciências Agrárias da UFPB, em Areia, no Brejo paraibano, houve uma série de palestras sobre o uso de drogas. Um dos palestrantes chamou atenção pela forma que abordou o uso da maconha em humanos. A informação se faz extremamente necessária para chegarmos à boa parte da população e obter dados fiéis acerca do uso em animais”, ressalta o estudante.
Além de Helder, a equipe de pesquisadores da UFPB é composta pelos professores Ricardo Guerra e Abraão Barbosa, pela enfermeira e técnica do laboratório biomolecular Clara Vasconcelos, pelo doutorando em fisiologia Lucas Rannier e pela mestranda em jornalismo Maryane Paulino.
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As informações são da UFPB

