Não apenas para pacientes reumáticos que enfrentam condições como fibromialgia, artrite reumatoide (AR) ou lúpus eritematoso Sistêmico. A área da reumatologia é um desafio também para médicos. E, inclusive, é considerada uma das especialidades médicas mais complexas da atualidade, marcada por doenças crônicas, dor persistente e grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.
Neste sentido, a Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR) tem se consolidado como uma das principais referências científicas no Brasil, promovendo educação continuada e incentivando pesquisas que buscam aprimorar o cuidado clínico.
Em entrevista exclusiva, a presidente da entidade, Dra. Danieli Castro Andrade, sublinha que “uma doença diagnosticada precocemente tende a responder melhor ao tratamento e minimizar danos e efeitos a longo prazo. Os desafios são muitos, mas o acesso ao reconhecimento e o tratamento precoce são um dos grandes gargalos para a maioria dos pacientes”.
Uma trajetória de ciência, educação e compromisso social
Fundada em 1953, a Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR) é uma associação civil científica de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como missão representar os reumatologistas do Estado de São Paulo e fortalecer a especialidade médica. Desde sua criação, a entidade atua de forma contínua na divulgação das mais recentes conquistas científicas no campo da reumatologia, promovendo atualização entre profissionais da saúde e ampliando o acesso da sociedade a informações de qualidade sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças reumáticas.
Com sede própria, a SPR é afiliada à Associação Paulista de Medicina (APM) e à Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), além de integrar o corpo da Associação Médica Brasileira (AMB). Essa estrutura reforça o papel da instituição como elo entre a ciência e a prática clínica, unindo especialidades, promovendo eventos científicos e fortalecendo a ética médica no Estado e no país.
Educação médica e conscientização pública
A SPR tem desempenhado papel ativo na educação médica continuada e no diálogo com pacientes, promovendo iniciativas que aproximam ciência e sociedade.
“Fazemos educação continuada para todos os reumatologistas em todas as doenças, além de incluirmos pacientes em vários dos nossos fóruns de discussão. Essa é uma das nossas missões estratégicas, do papel institucional da SPR como sociedade médica voltada ao desenvolvimento contínuo da reumatologia”, explica Andrade
Nos últimos meses, a entidade ampliou ações de conscientização sobre o impacto das doenças reumáticas, incluindo o Primeiro Encontro de Pacientes Reumáticos, que reuniu especialistas e associações de pacientes. “Fizemos recentemente também uma iniciativa nacional de conscientização de doenças reumatológicas com promoção de saúde no Parque da Aclimação, em São Paulo, e em outros diversos locais pelo Brasil”, complementa.
Cannabis medicinal e fibromialgia: avanços e ciência
O avanço das pesquisas com Cannabis medicinal tem despertado interesse crescente entre pacientes e médicos, especialmente no manejo da dor crônica e inflamação — sintomas centrais em doenças reumáticas como artrite reumatoide, lúpus e fibromialgia.
Questionada sobre o posicionamento da SPR, Andrade pondera que o tema ainda está em amadurecimento dentro da comunidade médica:
“Ainda não fizemos uma avaliação consistente da experiência dos reumatologistas da SPR em relação à Cannabis medicinal. Há opiniões a favor, outras contrárias, como em tudo na medicina. Cada caso clínico deve ser avaliado de forma individual”
Estudo da Unila investiga Cannabis para fibromialgia
O papel do sistema endocanabinoide e o olhar para o futuro
Pesquisas recentes vêm explorando o sistema endocanabinoide, rede biológica presente no organismo humano responsável por modular funções como dor, sono, humor e imunidade. Estudos sugerem que pacientes com fibromialgia podem apresentar déficit endocanabinoide clínico, o que explicaria a resposta positiva de alguns ao uso de canabinoides.
Ainda assim, Andrade defende que a adoção terapêutica deve ocorrer com base em evidências robustas. “Seguimos acompanhando a literatura médica para traduzi-la da melhor forma para o cuidado com os nossos pacientes”, conclui.
Leia a entrevista completa com Dra.
Como a SPR avalia os principais desafios atuais no diagnóstico e tratamento das doenças reumáticas no Brasil?
“Uma doença diagnosticada precocemente tende a responder melhor ao tratamento e minimizar danos e efeitos a longo prazo. Os desafios são muitos, mas o acesso ao reconhecimento e o tratamento precoce são um dos grandes gargalos para a maioria dos pacientes”.
Quais são as prioridades da Sociedade Paulista de Reumatologia em termos de educação médica e pesquisa científica?
“Fazemos educação continuada para todos os reumatologistas em todas as doenças, além de incluirmos pacientes em vários dos nossos fóruns de discussão. Essa é uma das nossas missões estratégicas, do papel institucional da SPR como sociedade médica voltada ao desenvolvimento contínuo da reumatologia. Servimos como veículo para divulgar as pesquisas feitas pelos renomados reumatologistas que integram os serviços universitários de São Paulo”.
Há campanhas ou iniciativas recentes da SPR voltadas à conscientização sobre o impacto das doenças reumáticas na qualidade de vida dos pacientes?
“Sim, esse ano houve algumas iniciativas que atingiram e contemplaram o público, como o Primeiro Encontro de pacientes Reumáticos, que envolveu várias sociedades para pacientes com a participação de especialistas multidisciplinares que falaram sobre aspectos psicológicos, nutricionais, sexualidade e exercício físico, além de uma abordagem de alguns temas médicos adaptados para o paciente. Fizemos recentemente também uma iniciativa nacional de conscientização de doenças reumatológicas com promoção de saúde no Parque da Aclimação em São Paulo e em outros diversos locais pelo Brasil”.
Diante do avanço das pesquisas, como a SPR observa o papel da cannabis medicinal no controle da dor e da inflamação em pacientes reumáticos?
“Ainda não fizemos uma avaliação consistente da experiência dos reumatologistas da SPR em relação à Cannabis medicinal. Há opiniões a favor, outras contrárias, como em tudo na medicina. Cada caso clínico deve ser avaliado de forma individual”.
Além de Presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia, a Dra. também é livre-docente pela USP, certo? Como vê o papel do sistema endocanabinoide para a saúde e especificamente para doenças como a fibromialgia?
“Precisamos de mais estudos para confirmarmos o benefício do uso de Canabis Medicinal para Fibromialgia. Relatos individuais e experiência de experts não trazem o nível de qualidade de informação científica que precisamos para tomar decisões. Uma revisão de 2023 (“Cannabis for the Treatment of Fibromyalgia: A Systematic Review”) encontrou 4 estudos randomizados controlados + 5 estudos observacionais, com total de ~564 pacientes. Concluiu que há evidência de baixa qualidade para redução de dor de curta duração em fibromialgia com canabinoides. Outra revisão de 2024 analisou 19 publicações e verificou que “em geral o uso demonstrou melhoria em dor, qualidade de vida e sono”, mas ressaltou que a evidência é limitada e que há necessidade de estudos de alta qualidade. Seguimos acompanhando a literatura médica para traduzi-la da melhor forma para o cuidado com os nossos pacientes”.
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O uso medicinal da Cannabis no Brasil
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza que médicos devidamente habilitados por seu Conselho Regional prescrevam medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes de forma legal. Os benefícios do uso de canabinoides são amplamente reconhecidos para de condições de saúde, como dor crônica, epilepsia, esclerose múltipla e efeitos colaterais de quimioterapia.
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