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“Quando conto que a Vitória faz uso, as pessoas percebem a qualidade de vida dela”

“Quando conto que a Vitória faz uso, as pessoas percebem a qualidade de vida dela”

Mãe relata como a Cannabis medicinal passou a integrar, a partir de 2025, o cuidado de Vitória, 30 anos, paciente com mielomeningocele, malformação de Chiari e outras condições neurológicas.

Publicado em

27 de janeiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

Até maio de 2025, o controle da dor de Vitória de Assunção Chiappetta seguia um protocolo convencional: medicação administrada a cada oito horas e respostas limitadas.

Com o tempo, os efeitos colaterais passaram a pesar tanto quanto o sintoma que se tentava conter. A sonolência excessiva, o cansaço contínuo e a falta de disposição comprometeram ainda mais a rotina, reduzindo sua capacidade de interação e resposta às atividades do dia a dia.

Aos 30 anos, Vitória convive com um quadro neurológico de alta complexidade. É portadora de mielomeningocele torácica, associada à malformação de Chiari — condição congênita que envolve alterações no tronco cerebral, cerebelo e porção superior da medula espinhal — além de hidrocefalia e siringomielia cervical. Essas condições comprometem o desenvolvimento neurológico de Vitória, dificultam a sustentação do corpo e interferem no crescimento. Ela também apresenta alterações no funcionamento da bexiga e do intestino e, desde 2008, utiliza sonda vesical de forma contínua.

Dor crônica, fadiga e falta de resposta ao tratamento

Esse conjunto de alterações neurológicas cria um terreno fértil para a manifestação de dores persistentes, de difícil manejo com terapias convencionais. Com o avanço dos sintomas, especialmente episódios recorrentes de cólica e desconforto contínuo, ficou cada vez mais claro que a abordagem medicamentosa utilizada até então não oferecia o controle necessário.

“Ela ficava muito desanimada, com sono o tempo todo, sem ânimo para nada”, relata a mãe, Luci de Assunção Raposo, responsável pelos cuidados diários e principal observadora das respostas ao tratamento. Segundo ela, a dor passou a ocupar um lugar central na rotina da filha, interferindo no sono, no humor e na capacidade de engajamento com estímulos externos.

Quando a Cannabis medicinal passa a fazer diferença

Foi nesse contexto que a Cannabis medicinal passou a ser considerada como alternativa terapêutica, sob prescrição do ortopedista Dr. Jimmy Fardin. A introdução do tratamento não eliminou completamente a dor, mas promoveu uma mudança consistente na intensidade e também na frequência. “Hoje ela ainda sente dor, mas é menos. Antes, era o dia todo”, afirma Luci.

O processo exigiu acompanhamento contínuo e ajustes sucessivos até que a dosagem adequada fosse alcançada, respeitando as respostas individuais do organismo. Esse manejo cuidadoso permitiu um controle mais equilibrado, sobretudo da dor nociceptiva e neuropática, além de maior previsibilidade no cotidiano.

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Os efeitos observados não se restringiram somente ao alívio da dor. Segundo a mãe, houve melhora no ciclo sono-vigília, maior estabilidade emocional e avanços no controle da ansiedade e dos sintomas depressivos. O tratamento também contribuiu para uma resposta mais estável do sistema imunológico, favorecendo uma rotina menos marcada por oscilações, exaustão física e períodos prolongados de abatimento.

Ainda segundo a mãe, a suspensão do uso, ainda que pontual, foi um importante indicativo  da eficácia do óleo. “Quando fica sem administrar a Cannabis, a dor volta com muita força”, relata Luci. A observação reforça que os benefícios não se manifestam apenas de forma pontual, mas sustentam o cotidiano de maneira contínua.

Para Luci, os resultados observados não encerram a busca por cuidado, mas reafirmam a importância de estratégias terapêuticas que considerem a complexidade de cada paciente. Apesar dos avanços, o estigma em torno da Cannabis medicinal ainda persiste.  Ainda assim, ela fala sobre o tratamento com naturalidade. “Eu não tenho preconceito. Quando conto que a Vitória faz uso, as pessoas percebem a qualidade de vida dela”, diz. Para Luci, a informação é um instrumento central na desconstrução de julgamentos. “É preciso falar mais, estar na mídia. Só assim o preconceito começa a cair.”

Importante! 

Na história de Vitória, a Cannabis não aparece como solução definitiva nem como promessa de cura. Surge como uma ferramenta terapêutica possível dentro de um quadro marcado por múltiplas vulnerabilidades neurológicas. Ao reduzir a centralidade da dor e devolver algum equilíbrio à rotina, o tratamento ampliou o que, por muito tempo, parecia restrito: a possibilidade de viver com menos sofrimento constante.

Relatos como o de Vitória ajudam a qualificar o debate sobre o uso da Cannabis medicinal no cuidado de condições neurológicas e dores crônicas, mas não substituem a avaliação individualizada. A indicação do tratamento, assim como a escolha da formulação e o ajuste das doses, devem ser realizados por médicos, a partir de acompanhamento clínico contínuo e criterioso.

Para quem busca orientação segura e acompanhamento especializado, a plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde reúne médicos prescritores de diferentes especialidades, facilitando o acesso a um cuidado responsável e personalizado. Clique aqui e agende sua consulta.

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Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

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