Início

“Teve época de 45, 50 convulsões num único dia”

“Teve época de 45, 50 convulsões num único dia”

Diagnosticada ainda no primeiro ano de vida, uma criança com Síndrome de West, forma rara e grave de epilepsia, conviveu por anos com até 50 convulsões diárias, apesar do uso contínuo de múltiplos anticonvulsivantes. A introdução da Cannabis medicinal esteve associada à redução superior a 80% das crises, ao surgimento de marcos motores inéditos — como sentar e sustentar o tronco — e a uma reorganização significativa da rotina familiar, marcada por mais previsibilidade, segurança e tranquilidade.

Publicado em

16 de janeiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

E.P.R tinha menos de um ano de vida quando começou a apresentar os primeiros sinais de uma epilepsia rara e grave: a Síndrome de West. As crises se tornaram parte da rotina da família ainda na primeira infância e, durante anos, chegaram a se repetir dezenas de vezes por dia. “Teve época de 45, 50 convulsões num único dia”, relata o pai, Ney Macêdo Ramos. “Era algo que dominava completamente a nossa vida.”

 “A gente começou a perceber uns refluxos estranhos”, conta Ney. “Eu sou pai coruja, fico pesquisando tudo. Via outros relatos na internet e pensava: ‘isso aqui não é normal’.”

A confirmação veio logo depois. A síndrome, marcada por espasmos epilépticos frequentes e de difícil controle, rapidamente passou a organizar toda a rotina da família. “Quando a gente entende o que é a Síndrome de West, percebe que não é simples.”

Anos entre medicamentos e crises

O tratamento inicial seguiu o caminho convencional. Depakene, Clonazepam, Carbamazepina e outros anticonvulsivantes passaram a fazer parte do dia a dia da criança ainda no primeiro ano de vida. “A gente entrou com tudo o que foi indicado”, afirma o pai. “Se não tivesse feito isso, talvez ele tivesse piorado muito.”

Mas o custo era alto. “Os efeitos colaterais eram pesados. Ele ficava praticamente dormindo o tempo todo. Não tinha vida”, descreve. As crises diminuíam em alguns momentos, mas nunca desapareceram. “Não era um controle de verdade.”

Durante quase cinco anos, o desenvolvimento motor de Efraim permaneceu severamente comprometido. Ele não sentava, não sustentava o próprio corpo. “Era uma criança muito limitada fisicamente”, resume Ney.

Quando o convencional não basta

Até então, a família não sabia que a Cannabis medicinal poderia ser uma alternativa. “Era algo totalmente novo pra mim e pra minha esposa”, diz. “A gente não fazia ideia de que existia esse tipo de tratamento específico para epilepsia grave.”

A informação chegou, mais uma vez, pela busca insistente. “A gente pesquisava porque não tinha mais o que fazer. Os remédios de farmácia não estavam dando o efeito necessário na vida do nosso filho.”

A decisão de tentar veio quando o esgotamento se impôs. “Quando tudo começa a piorar, você precisa tentar algo diferente.”

O menino tinha cinco anos quando iniciou o uso do CBD, com acompanhamento médico. “É recente. Tem mais ou menos um ano que a gente está com esse protocolo de tratamento.”

O tempo da resposta

Os efeitos não foram imediatos. “Não foi no primeiro mês, nem no segundo”, explica Ney. “Mas depois de três meses, a gente começou a ver algo mudar.”

Até então, Efraim vivia praticamente acamado, sob altas doses de medicamentos anticonvulsivantes. Com a introdução da Cannabis, a família iniciou uma redução gradual dessas medicações. “A gente foi tirando aos poucos e aumentando o CDB.”

O primeiro sinal veio de forma silenciosa, mas bastante significativa. “Um dia, ele sentou”, conta Ney. “A gente se olhou, eu e minha esposa, meio sem acreditar.”

Era a primeira vez. “Ele nunca tinha sentado antes. Isso aconteceu depois de cinco anos e seis meses de vida.”

Um gesto que muda tudo

Alguns meses depois, outro episódio marcaria definitivamente essa história. Ney lembra a data com exatidão: 20 de dezembro. “Foi perto do Natal, quando ele conseguiu ficar de joelhos e sustentar o tronco, por quase um minuto, se equilibrando”, conta o pai emocionado.

Para quem conviveu durante anos com a imobilidade do filho, aquele gesto simples ganhou um peso difícil de explicar. “Quando eu vi aquilo, meu coração voltou a sonhar”, diz.

“Era uma criança que, um ano antes, não tinha vida”, completa. “Aquilo me deu uma esperança que eu não sentia há muito tempo.”

O sonho agora é outro. “O meu sonho é que ele consiga andar. Ter autonomia. Eu acredito que, no tempo certo, isso pode acontecer.”

Menos crises, outra rotina

A mudança não ficou restrita aos marcos motores. As crises epilépticas diminuíram de forma expressiva. “Se antes era 100%, hoje caiu pra uns 10 ou 15%”, calcula.

Na prática, isso significa dias inteiros sem convulsões. “Hoje, às vezes, ele tem cinco crises no dia. Às vezes, nenhuma.”

O tratamento atual combina o CBD com uma dose bem menor de anticonvulsivante. “Se antes ele tomava 5 ou 6 ml, hoje está em torno de 2 ml, 2,5 ml.”

O óleo é administrado duas vezes ao dia. “São 15 gotas às 10 da manhã e 15 gotas às 10 da noite.”

O sono ainda oscila, especialmente quando há crises. “Quando ele convulsiona, fica fraco, dorme durante o dia, e aí à noite troca o horário”, explica. “Mas é algo completamente diferente do que era antes.”

O efeito além do paciente

A melhora de Efraim reorganizou a vida inteira da família. “Antes, eu vivia ansioso, preocupado o tempo todo”, conta Ney.

Comerciante, dono de uma loja de importados e celulares, ele descreve o impacto no trabalho e na vida pessoal. “Eu trabalhava pensando se meu filho estava bem ou não. Isso ia me desgastando. Eu vivia meio aéreo”, admite.

Hoje, o sentimento é outro. “A nossa rotina mudou significativamente. A gente vive mais tranquilo. Eu, minha esposa, nossos filhos.”

Informação como cuidado

Ney sabe que a Cannabis medicinal ainda carrega estigmas. “As pessoas associam direto à droga, à maconha, por falta de informação”, diz. Para ele, o problema é estrutural. “Falta falar sobre isso. Falta o poder público explicar. É um tratamento que ajuda em tanta coisa. Epilepsia, síndromes raras, ansiedade.

Quando fala com outros pais, Ney não tenta convencer — apenas relata. “Eu diria pra dar o primeiro passo”, afirma. “Assim como eu dei.”

O medo, ele entende. “O novo assusta.”

Mas deixa um conselho simples, sustentado pela própria experiência: “dê uma chance. Vale a pena. Vale muito a pena.”

Pronto para dar o primeiro passo? 

Histórias como essa não encerram o debate — elas o abrem. Em um país onde o acesso à Cannabis medicinal ainda é atravessado por desinformação, relatos como esse ajudam a dimensionar o impacto concreto da terapia na vida de pacientes e famílias que convivem com condições neurológicas graves e refratárias.

No Brasil, o uso medicinal da Cannabis é legal desde 2015. O acesso aos produtos é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por meio das resoluções RDC 327 e RDC 660, que estabelecem critérios específicos para importação, produção e uso, sempre mediante prescrição de um profissional de saúde habilitado e com finalidade terapêutica.

Para quem busca compreender melhor como essa terapia funciona, acesse nossa plataforma e marque sua consulta! 

Compartilhe:

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

O Cannabis& Saúde é um portal de jornalismo, que fornece conteúdos sobre Cannabis para uso medicinal, e, preza pelo cumprimento legal de todas as suas obrigações, em especial a previsão Constitucional Federal de 1988, dos seguintes artigos. Artigo 220, que estabelece que a liberdade de expressão, criação, informação e manifestação do pensamento não pode ser restringida, desde que respeitados os demais dispositivos da Constituição.
Os artigos seguintes, até o 224, tratam de temas como a liberdade de imprensa, a censura, a propriedade de empresas jornalísticas e a livre concorrência.

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Posts relacionados

Colunas em destaque

Inscreva-se para não perder nenhuma atualização do portal Cannabis e Saúde

Posts relacionados

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Você também pode gostar destes posts:

Próxima Live:

O uso da Cannabis Medicinal para Epilepsia

Dia 10/07 às 20h00