Início

Câncer de mama triplo-negativo: paciente atingiu remissão após protocolo com CBD

Câncer de mama triplo-negativo: paciente atingiu remissão após protocolo com CBD

Relato clínico descreve remissão completa de câncer de mama triplo-negativo após uso de CBD, melatonina e ozonioterapia como complemento ao tratamento convencional

Publicado em

27 de fevereiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Câncer de mama triplo-negativo: paciente atingiu remissão após protocolo com CBD

Uma paciente com câncer de mama triplo-negativo metastático alcançou remissão completa sustentada por cinco anos após combinar tratamento convencional com um protocolo integrativo que incluía canabidiol (CBD), melatonina em altas doses e ozonioterapia.

O caso, publicado em um relato científico, reacende o debate sobre o papel de abordagens complementares no tratamento oncológico.

Um tumor agressivo associado a condição genética

Uma mulher de 42 anos, mãe de três filhos, recebeu em 2017 o diagnóstico de um dos tipos mais agressivos de câncer de mama: o câncer de mama triplo-negativo (TNBC). Esse tumor costuma estar associado a maior risco de recorrência e metástases.

Após identificar um nódulo na mama direita, ela foi submetida a quadrantectomia para retirada do tumor. O tratamento inicial incluiu quimioterapia com epirrubicina e ciclofosfamida, seguida de paclitaxel semanal. A paciente também realizou radioterapia.

Além disso, a paciente também tinha uma mutação no gene BRCA1, que aumenta o risco de câncer de mama e ovário. Como medida preventiva adicional, realizou cirurgia para retirada dos ovários e trompas após confirmação da mutação genética.

Dois anos depois: a volta do tumor

Em 2019, exames de imagem detectaram metástases, com o tumor se espalhando pelo pulmão e em linfonodos da região central do tórax. Diante do retorno das células cancerígenas, ela iniciou nova quimioterapia, desta vez com carboplatina e gemcitabina.

No entanto, os efeitos adversos levaram à interrupção do tratamento após poucos meses. Foi nesse contexto que se iniciou uma estratégia integrativa, associada ao tratamento oncológico convencional. Sob orientação médica, a paciente iniciou um protocolo complementar com:

  • • Canabidiol (CBD)
  • • Melatonina em altas doses
  • • Terapia com oxigênio–ozônio (O2/O3)

A introdução do CBD no tratamento

No início, a paciente recebeu CBD na dose de 200 mg/dia durante os três meses em que a paciente realizava a terapia com oxigênio–ozônio. Nos períodos de pausa da ozonioterapia, a dose aumentava para 400 mg/dia. Essa abordagem continuou ao longo do acompanhamento.

A melatonina começou em 100 mg por dia e teve aumento progressivo até atingir 2 gramas diárias. A ozonioterapia era realizada por insuflação retal, quatro vezes por semana durante três meses consecutivos. Após esse período, havia uma pausa de igual duração antes da retomada.

Importante destacar que o uso do CBD e das outras abordagens integrativas não substituiu o tratamento convencional. Pelo contrário, ele foi utilizado como estratégia complementar.

O que aconteceu durante o tratamento integrativo?

Cerca de dois meses após o início da combinação entre quimioterapia e protocolo integrativo, os nódulos pulmonares deixaram de ser detectáveis nos exames de imagem.

Os linfonodos ainda apresentavam alterações e foram tratados com radioterapia estereotáxica, técnica de alta precisão que aplica doses concentradas de radiação na área afetada.

Posteriormente, em março de 2020, a paciente iniciou o uso de olaparibe, um inibidor de PARP indicado para pacientes com mutação em BRCA1 ou BRCA2. A dose inicial foi de 600 mg por dia, mas precisou ser reduzida devido a náuseas persistentes. Mais tarde, houve também redução por queda nos glóbulos brancos. Em alguns momentos, o tratamento foi temporariamente interrompido e depois retomado. Durante todo esse período, a equipe médica manteve o CBD, a melatonina e a ozonioterapia.

Cinco anos depois: remissão sustentada

Menos de dois anos após o diagnóstico das metástases, os exames já indicavam resposta completa, sem sinais detectáveis da doença. O acompanhamento continuou com tomografias periódicas.

Cinco anos após a identificação das metástases pulmonares e mediastinais, a paciente permanece sem evidência de doença ativa. Ela segue em acompanhamento médico e mantém o uso de olaparibe associado ao protocolo integrativo.

tipos de carcinoma de mama cdb oleo

Como o CBD pode ter contribuído?

O estudo ressalta que se trata de um único relato de caso, o que significa que não é possível afirmar com precisão que o CBD foi responsável pela remissão. Ainda assim, os autores discutem mecanismos biológicos que podem ajudar a explicar um possível papel complementar da substância.

Segundo pesquisas pré-clínicas citadas no artigo, o CBD pode:

  • • Reduzir a proliferação de células tumorais
  • • Induzir apoptose (morte programada das células cancerígenas)
  • • Diminuir a capacidade de invasão e migração tumoral
  • • Modular o microambiente tumoral
  • • Atuar sobre vias importantes para o crescimento celular
  • • Potencializar a ação de quimioterápicos

Além disso, o CBD tem propriedades analgésicas (redução da dor), antieméticas (controle de náuseas) e ansiolíticas (alívio da ansiedade), o que pode contribuir para melhorar a tolerância ao tratamento oncológico.

Os autores também mencionam que a combinação entre CBD, melatonina e ozonioterapia já demonstrou efeitos sinérgicos em estudos laboratoriais, sugerindo que essas abordagens podem atuar em conjunto para aumentar a sensibilidade das células tumorais aos tratamentos convencionais.

Ciência, cautela e próximos passos

Embora o desfecho clínico seja considerado notável, especialmente em um quadro metastático de câncer de mama triplo-negativo, os próprios pesquisadores reforçam que não é possível estabelecer relação de causa e efeito a partir de um único caso. A resposta observada ocorreu dentro de um contexto amplo de tratamento, que incluiu quimioterapia, radioterapia e terapia-alvo com olaparibe.

O relato, no entanto, abre espaço para novas investigações sobre o papel de estratégias integrativas como adjuvantes no tratamento do câncer.

Medicamentos à base de Cannabis no contexto oncológico

O uso de medicamentos à base de Cannabis vem ganhando força entre pessoas em tratamento oncológico, principalmente para o alívio de sintomas como dor, náusea, insônia, ansiedade e perda de apetite associados à quimioterapia.

Embora os resultados descritos neste caso sejam promissores, qualquer uso de derivados da Cannabis no contexto oncológico deve ter orientação médica e integração ao plano terapêutico convencional.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis, mediante prescrição médica. Então, se você ou alguém próximo deseja incluir canabinoides na sua rotina de cuidados, busque orientação profissional.

Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar consultas presenciais ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de abordagem.

Compartilhe:

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

O Cannabis& Saúde é um portal de jornalismo, que fornece conteúdos sobre Cannabis para uso medicinal, e, preza pelo cumprimento legal de todas as suas obrigações, em especial a previsão Constitucional Federal de 1988, dos seguintes artigos. Artigo 220, que estabelece que a liberdade de expressão, criação, informação e manifestação do pensamento não pode ser restringida, desde que respeitados os demais dispositivos da Constituição.
Os artigos seguintes, até o 224, tratam de temas como a liberdade de imprensa, a censura, a propriedade de empresas jornalísticas e a livre concorrência.

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Posts relacionados

Colunas em destaque

Inscreva-se para não perder nenhuma atualização do portal Cannabis e Saúde

Posts relacionados

Agende agora uma consulta com um médico prescritor de Cannabis medicinal

Consultas a partir de R$ 200,00

Você também pode gostar destes posts: