Uma revisão científica analisou os efeitos do canabidiol (CBD) no tratamento da ansiedade e depressão em adultos. O levantamento reuniu dados de estudos publicados entre 2020 e 2025, envolvendo mais de 300 participantes.
Os resultados indicam que o canabinoide apresentou efeitos positivos na redução de sintomas da ansiedade em diferentes transtornos. Já no caso da depressão, ainda há poucos dados que confirmem sua eficácia como tratamento.
O que a pesquisa investigou
O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de Rio Verde (UniRV), em Goiás. Os cientistas avaliaram revisões sistemáticas e meta-análises disponíveis em três das principais bases científicas do mundo: Cochrane Library, PubMed e Embase.
Esse tipo de pesquisa analisa resultados de várias pesquisas já publicadas. Por isso, costuma ser considerado um dos níveis mais confiáveis de evidência científica.
CBD e ansiedade: evidências promissoras
Nos transtornos de ansiedade, os dados indicam efeitos terapêuticos promissores. A análise identificou que o CBD demonstrou efeito positivo significativo na redução de sintomas em diferentes condições, incluindo:
- • Transtorno de ansiedade generalizada
- • Transtorno de ansiedade social
- • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
O impacto foi medido pelo índice Hedges’ g, com resultado de -0,92 pontos. Esse valor indica uma redução importante nos sintomas e sugere efeito moderado a forte na redução da ansiedade.
Na escala usada em pesquisas científicas, um efeito próximo de -0,8 já costuma ser classificado como grande.
CBD e depressão: evidências ainda insuficientes
Já no caso da depressão maior, a revisão conclui que os dados disponíveis não são suficientes para recomendar o CBD como tratamento eficaz.
Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado às diferenças nos mecanismos cerebrais envolvidos em cada transtorno.
Ansiedade e depressão frequentemente aparecem juntas, mas afetam regiões e circuitos cerebrais distintos. Por isso, podem responder de maneiras diferentes ao CBD.
Nesse sentido, até agora, as respostas do canabidiol parecem ser mais consistentes nos circuitos ligados à ansiedade do que nos associados à depressão.

Por que os efeitos podem ser diferentes
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que o canabidiol interage de forma diferente com os mecanismos envolvidos em cada condição.
Isso ajudaria a explicar por que os resultados são mais consistentes para ansiedade do que para depressão.
De acordo com os autores, o CBD atua principalmente no sistema endocanabinoide, uma rede de receptores presente no sistema nervoso central e periférico. Esse sistema está relacionado à regulação do humor, do sono e da resposta ao estresse.
Ansiedade e depressão são desafios para a saúde pública
Ansiedade e depressão estão entre os transtornos mentais mais comuns e representam um desafio importante para os sistemas de saúde.
Essas condições podem afetar o sono, a produtividade, as relações sociais e o bem-estar geral. Em casos mais graves, também estão associados a maior risco de incapacidade e pior qualidade de vida.
Embora existam tratamentos consolidados, como psicoterapia e medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos, uma parcela dos pacientes não responde bem às terapias convencionais. Outros abandonam o tratamento devido a efeitos colaterais, como sonolência excessiva, alterações de peso ou disfunções sexuais.
Por esse motivo, cresce o interesse científico por alternativas terapêuticas. Nesse sentido, o CBD tem se destacado principalmente por não apresentar efeitos psicoativos, ao contrário do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC).
Nos últimos anos, diversos estudos passaram a investigar se o canabidiol pode ajudar a regular sistemas neuroquímicos envolvidos no humor e na resposta ao estresse.
O que ainda precisa ser estudado
Os próprios autores reconhecem que ainda existem limitações nos estudos disponíveis. Segundo eles, serão necessários mais ensaios clínicos para confirmar a eficácia do CBD.
Também será importante definir com mais precisão quais doses e protocolos terapêuticos são mais adequados.
No caso da depressão, novas pesquisas serão especialmente importantes para esclarecer se o canabidiol pode ter algum papel terapêutico ou se seus benefícios se limitariam ao tratamento da ansiedade. Esses estudos futuros também poderão investigar outros compostos da Cannabis além do CBD e do THC.
Como funciona o uso de CBD no Brasil
O uso de CBD para fins terapêuticos no Brasil exige prescrição médica, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula os produtos à base de Cannabis comercializados no país. Então, se você ou alguém próximo deseja incluir medicamentos com canabinoides em um tratamento para saúde mental, busque orientação especializada.
Para o sucesso da abordagem, é fundamental que o profissional de saúde faça uma avaliação individual e considere os tratamentos já em andamento para elaborar um plano terapêutico eficaz e seguro. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta com médicos experientes nesse tipo de abordagem. Acesse já e dê o primeiro passo de forma responsável.