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Autismo: especialista fala sobre uso de Cannabis e melhoras clínicas

Autismo: especialista fala sobre uso de Cannabis e melhoras clínicas

Neurologista Geovane Massa explica como medicamentos à base de Cannabis ajudam no transtorno espectro autista e os cuidados no tratamento com acompanhamento médico

Publicado em

30 de abril de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Cannabis transtorno espectro autista

Para celebrar o Abril Azul, o canal do YouTube do Cannabis & Saúde recebeu, na última quarta-feira (29/04), o Dr. Geovane Massa. Ele é neurologista e tem ampla experiência no cuidado de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) em Salvador, Bahia.

Na conversa, o especialista compartilhou sua visão clínica sobre o uso de medicamentos à base de Cannabis como alternativa terapêutica para pacientes dentro do espectro.

Massa também falou sobre como os canabinoides podem atuar no organismo e comentou os desafios e avanços que observa na prática diária com seus pacientes.

No vídeo abaixo você pode assistir à entrevista completa.

A seguir, reunimos alguns dos principais momentos dessa conversa.

O que a ciência já sabe sobre Cannabis e transtorno do espectro autista

Um dos pontos de partida da conversa foi o avanço das pesquisas sobre Cannabis medicinal no transtorno do espectro autista. O Dr. Geovane destacou que o campo científico está amadurecendo de forma consistente:

“Essa evolução científica vem passando de relatos anedóticos e estudos observacionais para ensaios clínicos randomizados, que são o padrão-ouro da evidência.”

Dr. Geovane Viana | Neurologia CRM: 26153/BA

Dr. Geovane Viana | Neurologia CRM: 26153/BA

Esse movimento representa um passo importante para que médicos e famílias possam tomar decisões cada vez mais embasadas e seguras sobre o cuidado de pessoas com TEA.

Melhora real: o que muda na vida do paciente

Ao longo da entrevista, o neurologista chamou atenção para algo que muitas famílias reconhecem, mas que nem sempre aparece nas avaliações clínicas tradicionais.

“O ganho clínico, muitas vezes, não aparece nos indicadores de algum sintoma.

Às vezes ele aparece quando a criança está melhor na escola, dorme a noite inteira, olha para o cuidador e manifesta um carinho ou dá um beijo na mãe, que ela nunca deu.

Então, às vezes, não é um sintoma do núcleo do autismo.”

A fala destaca a importância do acompanhamento próximo e do monitoramento por profissionais de saúde.

O papel do THC e o receio dos médicos

Outro tema abordado foi o uso do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC). Esse composto da Cannabis ainda gera resistência entre muitos profissionais de saúde por provocar efeitos psicoativos em doses altas.

O Dr. Geovane trouxe uma perspectiva baseada em sua experiência clínica:

“O THC em doses muito baixas ajuda bastante na regulação do sono e na redução da agressividade. Acho que os médicos não devem ter medo de THC em crianças com autismo se a dose for pequena.”

De acordo com o médico, o THC pode ser uma ferramenta útil quando usado com critério.

Segurança, acompanhamento e efeitos colaterais

A segurança no uso de medicamentos à base de Cannabis gera muitas dúvidas entre as famílias. O especialista destacou que a segurança depende do acompanhamento contínuo:

“Seguro é aquilo que é bem acompanhado e bem monitorado. Os efeitos colaterais da Cannabis, nesse contexto de segurança, acompanhamento e monitoramento, são muito leves e passageiros.

Os efeitos colaterais são geralmente sonolência, redução ou aumento de apetite e diarreia, comum na primeira semana. Existe uma prática comum de começar com uma dose pequena e aumentar. Se chegar a ver algum efeito colateral, aí reduz a dose.”

Interações medicamentosas: o ponto mais sensível

Para pacientes que já usam outros medicamentos convencionais, algo muito comum no TEA, o Dr. Geovane destacou que é necessário ter atenção redobrada:

“A interação com outros medicamentos é o ponto mais sensível do manejo médico de fitocanabinoides. O médico deve monitorar as enzimas hepáticas e ter uma atenção especial a quem usa valproato e clobazam.”

A evolução que aparece no olhar de quem cuida

Para encerrar, o neurologista trouxe uma reflexão sobre o papel da equipe multidisciplinar no acompanhamento das crianças com TEA e sobre como, muitas vezes, é o terapeuta ou o professor quem primeiro percebe os avanços:

“Muitas das vezes, a maior referência da evolução vem de outros profissionais. Em uma psicoterapia, ele pode evoluir no contato visual, na aceitação dos comandos, na fala. E isso, às vezes, a mãe não percebe, mas o profissional percebe.”

Uma lembrança de que o cuidado com o TEA envolve diferentes olhares e profissionais.

Cannabis e TEA: o que é permitido no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis para o tratamento do transtorno do espectro autista sob prescrição médica.

Então, se você ou alguém próximo deseja iniciar um tratamento com canabinoides, busque orientação profissional.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de prescrição.

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Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

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