Respostas inflamatórias que acontecem internamente, sem motivo externo identificado e que perduram por um período longo, são classificadas como inflamação crônica.
Seu mecanismo começa da mesma maneira que a inflamação comum: células imunológicas e citocinas se deslocam para um ponto do organismo para lidar com microrganismos ou toxinas e iniciar a reparação do tecido.
Essa movimentação provoca dor, inchaço ou mudança de cor na área afetada, sinais típicos de que há algo sendo reparado.
O problema é que a inflamação crônica pode se instalar em regiões internas que você não percebe, avançando sem sintomas evidentes.
Quando isso acontece, o organismo mantém uma espécie de alerta permanente, o que desgasta células saudáveis e pode comprometer órgãos ao longo do tempo.
Ainda assim, há estratégias para reduzir esse estado inflamatório persistente e proteger o organismo. Algumas delas são pouco conhecidas, e você verá adiante como aplicá-las no dia a dia:
- O que é inflamação crônica e ela tem cura?
- Causas e mecanismos da inflamação crônica
- Sintomas, sinais e consequências da inflamação crônica
- Como diagnosticar e acompanhar a inflamação crônica
- Como tratar a inflamação crônica no dia a dia
- Uso da Cannabis medicinal no tratamento de inflamação crônica
O que é inflamação crônica e ela tem cura?

A inflamação crônica é uma reação prolongada do sistema imunológico que pode sinalizar doenças autoimunes e outras condições graves.
Mais de 50% das mortes no mundo estão ligadas a doenças inflamatórias crônicas de baixo grau, como câncer, doenças cardiovasculares, demência, derrame e diabetes.
A inflamação é uma ideia antiga, mas também uma descoberta recente na medicina.
Há 2.000 anos, médicos romanos já notavam que feridas em cicatrização e articulações inflamadas ficavam vermelhas, quentes, inchadas e doloridas, como se estivessem pegando fogo.
Eles usavam o termo inflammare para descrever esse estado. Séculos depois, o microscópio ajudou os médicos a entender melhor a inflamação aguda, como a que acontece quando a pele se machuca.
O sistema imunológico do corpo trabalha para curar ferimentos e combater germes e toxinas. Quando ocorre um ferimento ou infecção, o tecido afetado envia sinais químicos de alerta.
As células do sistema imunológico respondem rapidamente, viajando pelo sangue até o local do ferimento. Elas ajudam a limpar o tecido danificado e a formar novos tecidos.
Quando o trabalho está feito, o sistema imunológico se acalma e a inflamação diminui.
No entanto, em algumas pessoas, esse processo ocorre mesmo sem uma causa aparente.
Nesse caso, as células imunológicas e seus produtos químicos permanecem elevados, especialmente no tecido afetado, o tempo todo.
Com o tempo, a inflamação contínua começa a danificar os próprios tecidos do corpo, em vez de proteger contra doenças.
O sistema imunológico se desregula e ataca células e tecidos saudáveis, contribuindo para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Diferença entre inflamação aguda e inflamação crônica
A inflamação aguda é uma reação rápida e intensa que o corpo ativa logo após uma lesão, infecção ou outro estímulo nocivo.
Surge para conter o problema e iniciar a recuperação do tecido afetado e costuma durar poucos dias.
É o que acontece quando um corte na pele fica avermelhado, quente e dolorido, ou quando a garganta inflama depois de um resfriado.
O organismo mobiliza células de defesa de forma concentrada, resolve o que precisa ser resolvido e desativa o processo assim que a ameaça passa.
A inflamação crônica segue o caminho oposto. Em vez de ser limitada e pontual, permanece ativa por longos períodos, mesmo sem um fator desencadeador evidente.
O sistema imunológico mantém uma espécie de vigilância contínua que desgasta tecidos saudáveis e, com o tempo, pode comprometer estruturas internas.
Essa persistência é o que diferencia os dois processos: enquanto a inflamação aguda é um mecanismo rápido de reparo, a inflamação crônica se estende de maneira silenciosa e pode gerar danos progressivos.
Quais são os tipos de inflamação crônica?

Além das duas categorias primárias de inflamação, aguda e crônica, podemos, ainda, subdividir o segundo tipo em cinco formas:
- Inflamação crônica de baixo grau: Este tipo ocorre quando o sistema imunológico é constantemente ativado por fatores como obesidade, dieta pouco saudável, estresse crônico ou falta de atividade física. É menos intensa, mas persistente, e está associada a doenças como diabetes tipo 2, depressão, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer;
- Inflamação alérgica: Resulta de uma resposta imune exagerada a substâncias que geralmente não são nocivas, como pólen, ácaros ou certos alimentos. Doenças como asma alérgica, rinite alérgica e dermatite atópica são exemplos.
- Inflamação infecciosa crônica: Causada por infecções persistentes que o corpo não consegue eliminar completamente, como tuberculose, hepatite viral crônica e infecções por certos fungos e parasitas. Esse tipo de inflamação resulta em danos contínuos ao tecido infectado;
- Inflamação proliferativa inespecífica: Esse tipo de inflamação crônica aparece quando células mononucleares, como linfócitos, macrófagos e plasmócitos, se infiltram na área afetada. Exemplos desse tipo incluem pólipos nasais e abscessos pulmonares.
- Inflamação granulomatosa: É uma inflamação crônica onde surgem lesões nodulares chamadas granulomas. Os macrófagos dentro dos granulomas podem se fundir para formar células gigantes, como as células de Langerhans, células de Aschoff, Reed-Sternberg e tumores.
Causas e mecanismos da inflamação crônica

A inflamação crônica é um fenômeno multifatorial, moldado por predisposição genética, ambiente e hábitos cotidianos.
Embora ainda existam lacunas sobre suas origens, diversos fatores aumentam a probabilidade de esse processo se instalar:
- Idade: O avanço dos anos costuma vir acompanhado de maior produção de moléculas inflamatórias. Alterações na função mitocondrial, acúmulo de radicais livres e aumento da gordura visceral ajudam a explicar por que a inflamação se torna mais frequente com o envelhecimento;
- Obesidade: O tecido adiposo funciona como um órgão ativo, liberando substâncias que ampliam o estado inflamatório. À medida que o IMC sobe, cresce também a liberação de citocinas associadas à inflamação crônica;
- Dieta: Padrões alimentares ricos em gordura estimulam a produção de mediadores inflamatórios. Esse efeito costuma ser mais intenso em pessoas com alterações metabólicas, como resistência à insulina ou diabetes;
- Tabagismo: As substâncias presentes no cigarro reduzem mecanismos anti-inflamatórios naturais e favorecem a ativação constante do sistema imunológico, o que intensifica a inflamação crônica;
- Baixa de hormônios sexuais: Níveis adequados de testosterona e estrogênio contribuem para regular respostas inflamatórias. Quando esses hormônios caem, o organismo tende a ficar mais vulnerável à inflamação crônica;
- Estresse e sono irregular: Exposição constante a estresse físico ou emocional impulsiona a liberação de citocinas que sustentam a inflamação. O mesmo ocorre quando o sono é insuficiente, situação que altera o ritmo hormonal e favorece a inflamação crônica.
Inflamação crônica na patologia: o que acontece no corpo?
A inflamação crônica modifica o ambiente interno de maneira lenta e contínua. O corpo acredita estar sob ameaça constante e mantém células imunológicas ativadas por tempo indeterminado.
Esse estado prolongado afeta tecidos saudáveis, provoca alterações estruturais e favorece processos de degradação, mesmo quando não existe um agente infeccioso real.
Com o passar dos meses ou anos, a inflamação crônica interfere na sinalização hormonal, altera a função mitocondrial e reduz a eficiência dos mecanismos de reparo.
O sistema imunológico passa a responder de forma desordenada, criando um terreno onde o estresse oxidativo se acumula e a integridade celular se fragiliza.
Em várias situações, estruturas como vasos sanguíneos, articulações ou órgãos internos sofrem microagressões repetidas, que levam à formação de fibrose, prejuízo metabólico ou disfunção orgânica.
A inflamação crônica também influencia o metabolismo energético, já que o corpo redireciona recursos para sustentar a resposta inflamatória constante.
Sintomas, sinais e consequências da inflamação crônica

O organismo passa longos períodos lidando com um processo inflamatório que altera funções metabólicas, imunológicas e hormonais.
A falta de resolução desse estado contínuo enfraquece tecidos, altera a produção de energia e gera um padrão geral de desgaste que interfere no bem-estar e na saúde.
Com o tempo, a inflamação crônica abre espaço para uma série de desdobramentos que vão além do desconforto inicial, pois compromete órgãos, favorece desequilíbrios metabólicos e influencia o humor e o comportamento.
Entre as possíveis consequências, estão maior vulnerabilidade a infecções, piora de dores já existentes, dificuldade em manter peso estável e maior risco de doenças que se desenvolvem de forma gradual.
Quais são os sinais de inflamação crônica?
Alterações progressivas no metabolismo, no padrão de energia e no funcionamento geral podem indicar que há algo em curso, mesmo quando não existe um ponto específico de dor ou inflamação visível.
Esses sinais costumam se manifestar de forma acumulativa, tornando o quadro difícil de identificar no início:
- Fadiga persistente sem causa clara;
- Dores musculares ou articulares difusas;
- Ganho de peso ou dificuldade para perder gordura;
- Alterações de humor, irritabilidade ou sensação constante de alerta;
- Névoa mental, lapsos de memória ou redução de foco;
- Problemas digestivos recorrentes;
- Sono não reparador;
- Queda de cabelo ou mudança no aspecto da pele;
- Sensibilidade aumentada ao estresse;
- Infecções leves que demoram mais a melhorar.
A presença dessas manifestações por longo período pode indicar inflamação crônica.
A identificação precoce ajuda a evitar complicações futuras e permite adotar mudanças que reduzem o estado inflamatório contínuo.
Inflamação crônica silenciosa: quando quase não há sintomas
A inflamação crônica silenciosa ocorre quando o corpo passa por processos inflamatórios contínuos sem gerar sinais evidentes.
Esse quadro costuma aparecer em pessoas que mantêm rotinas estressantes, sono irregular ou hábitos alimentares pouco equilibrados, mas também pode surgir por predisposição genética.
Mesmo sem sintomas marcantes, a inflamação crônica silenciosa provoca alterações celulares que se acumulam lentamente.
O organismo trabalha em ritmo compensatório, tentando reparar danos microscópicos que ocorrem diariamente, mas sem conseguir normalizar completamente o ambiente interno.
Esse tipo de inflamação afeta vasos sanguíneos, metabolismo da glicose e equilíbrio hormonal sem chamar atenção.
Quando finalmente aparecem sinais externos, muitas vezes já existe algum grau de disfunção estabelecida, como resistência à insulina, elevação discreta de marcadores inflamatórios ou alterações no perfil lipídico.
Inflamação crônica e câncer: qual é a relação?
A ligação entre inflamação crônica e câncer é investigada por décadas, e hoje se entende que a presença prolongada de inflamação cria um ambiente propício ao desenvolvimento de células anômalas.
O corpo, ao tentar reparar danos repetidos, acelera a renovação celular. Quanto maior essa renovação, maior a chance de erros genéticos se acumularem, especialmente em tecidos expostos a inflamação crônica constante.
O microambiente inflamatório facilita a proliferação de células que escapam do controle imunológico.
Quando esse equilíbrio se rompe, aumenta o risco de que células alteradas sobrevivam e se multipliquem.
A inflamação crônica também favorece o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam tumores, criando condições para seu avanço.
Doenças como colite crônica, gastrite associada ao H. pylori e hepatites virais são exemplos clássicos de situações em que processos inflamatórios prolongados elevam a probabilidade de transformação maligna.
Inflamação crônica e risco de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes
Nas artérias, o processo inflamatório contínuo favorece o acúmulo de placas e altera o funcionamento do endotélio, o que compromete a circulação e aumenta o risco de eventos como infarto e AVC.
Em paralelo, a inflamação crônica influencia mecanismos ligados ao metabolismo da glicose, contribuindo para resistência à insulina e facilitando o avanço do diabetes tipo 2.
Esse estado persistente altera o modo como o corpo armazena energia e interfere na sensibilidade dos receptores hormonais, dificultando o controle glicêmico.
No caso da obesidade, o excesso de tecido adiposo atua como um estímulo permanente para a inflamação crônica.
A gordura visceral libera substâncias que mantêm o sistema imunológico ativado e criam um ciclo em que o ganho de peso alimenta a inflamação, e a inflamação dificulta a perda de peso.
A soma desses fatores faz com que a inflamação crônica seja um eixo importante na progressão de múltiplas doenças.
Como diagnosticar e acompanhar a inflamação crônica

O diagnóstico geralmente ocorre quando a inflamação está associada a outra condição médica.
Portanto, em caso de suspeita de inflamação crônica, o médico pode prescrever exames para avaliar outras condições, como:
- Eletroforese de proteínas séricas (SPE): Pode mostrar níveis baixos de albumina e aumento das gamaglobulinas (gamopatia policlonal);
- Proteína C-reativa de alta sensibilidade (hsCRP): Altos níveis de hsCRP indicam inflamação, mas não diferenciam entre inflamação crônica e aguda. Os níveis normais são menores que 0,55 mg/L em homens e menores que 1,0 mg/L em mulheres;
- Fibrinogênio: Níveis normais são de 200 a 300 mg/dl. Esse exame também ajuda a marcar inflamação sistêmica;
- Amiloide A sérico (SAA): Pode indicar inflamação crônica;
- Citocinas pró-inflamatórias: Testar fatores como TNF-alfa, IL-1beta, IL-6 e IL-8 ajuda a identificar causas específicas de inflamação crônica.
Depois de diagnosticar a causa da inflamação crônica, é possível saber qual médico especialista é o mais indicado para orientar seu tratamento, por exemplo:
- Se a inflamação estiver relacionada a condições autoimunes, um reumatologista é o especialista indicado;
- Em casos de inflamação devido a problemas gastrointestinais, um gastroenterologista faz o tratamento;
- Para inflamação associada a condições dermatológicas, um dermatologista é o especialista certo.
Exames laboratoriais e avaliação clínica da inflamação crônica
A avaliação da inflamação crônica combina análise clínica cuidadosa e exames laboratoriais que ajudam a identificar alterações persistentes no organismo.
A partir desse panorama inicial, entram os testes de sangue, que oferecem pistas importantes mesmo quando não há sinais evidentes no corpo.
Entre os marcadores mais usados está a proteína C-reativa, que tende a subir quando há inflamação crônica em andamento.
Outro indicador é a velocidade de hemossedimentação, que aponta se o sistema imunológico está atuando de forma prolongada.
Em muitos casos, a ferritina aparece elevada não apenas por excesso ou falta de ferro, mas também como reflexo de um estado inflamatório.
Exames que avaliam glicemia, insulina e perfil lipídico também ajudam, já que a inflamação crônica altera o metabolismo e pode influenciar esses resultados.
Há situações em que enzimas hepáticas, hormônios tireoidianos ou marcadores de função renal mostram pequenas variações que, somadas, reforçam o padrão inflamatório.
Como tratar a inflamação crônica no dia a dia

Muitas mudanças na dieta e no estilo de vida são suficientes para remover gatilhos e reduzir a inflamação crônica.
Do mesmo modo, estudos indicam que a prática de exercício físico ajuda a diminuir diversas moléculas e citocinas inflamatórias, mesmo sem perda de peso envolvida.
Além das mudanças no estilo de vida, a farmacoterapia é uma das linhas de tratamento para inflamação crônica mais prescritas, envolvendo medicamentos convencionais e terapias alternativas, entre as quais:
- Metformina: Usada para tratar diabéticos tipo II e inflamação de baixo grau, a metformina reduz marcadores inflamatórios como TNF-alfa, IL-1beta, PCR e fibrinogênio;
- Estatinas: Reduzem vários biomediadores da inflamação e ajudam a diminuir eventos cardiovasculares;
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Exemplos incluem naproxeno, ibuprofeno e aspirina. Aliviam a dor ao inibir a enzima ciclooxigenase (COX), que contribui para a inflamação;
- Corticosteroides: Exemplos incluem prednisona, dexametasona e prednisolona. São usados para tratar várias condições inflamatórias, incluindo artrite, lúpus, sarcoidose e asma;
- Terapias alternativas: Gengibre, açafrão, Cannabis e hissopo têm propriedades anti-inflamatórias muito bem documentadas.
Mudanças de estilo de vida e alimentação anti-inflamatória
A redução da inflamação crônica começa com ajustes consistentes na rotina.
A alimentação é um dos pilares desse processo. Um padrão alimentar voltado em vegetais, frutas, leguminosas, proteínas e gorduras boas cria um ambiente metabólico que reduz estímulos que alimentam a inflamação crônica.
Alimentos ricos em compostos bioativos, como azeite, cúrcuma, alho, gengibre, peixes de água fria e frutas vermelhas, podem modular o estado inflamatório.
Ao mesmo tempo, o excesso de ultraprocessados, açúcares adicionados e frituras tende a intensificar a inflamação crônica.
Além da alimentação anti-inflamatória, outros hábitos influenciam diretamente esse processo. Sono consistente, atividade física regular e exposição controlada ao estresse reduzem os mediadores inflamatórios que circulam no organismo.
Movimentar-se com frequência melhora a sensibilidade à insulina e reduz marcadores que se mantêm elevados na inflamação crônica.
Práticas como respiração guiada e relaxamento também ajudam o sistema nervoso a sair do estado de alerta constante, uma peça importante no controle do processo inflamatório.
Medicamentos, suplementos e acompanhamento médico
O manejo da inflamação crônica vai além das mudanças no estilo de vida. Em diversos cenários, é preciso combinar ajustes no cotidiano com orientação médica para reduzir o processo inflamatório de forma segura.
Dependendo do quadro, o profissional pode lançar mão de medicamentos que modulam o sistema imunológico ou aliviam manifestações associadas à inflamação crônica.
Suplementos também podem integrar o plano terapêutico, desde que usados com critério.
Ácidos graxos ômega-3, curcumina e antioxidantes específicos são estudados por seu potencial de aliviar a inflamação crônica, especialmente quando associados a um padrão alimentar adequado.
Ainda assim, nenhum suplemento substitui acompanhamento médico, que é fundamental para monitorar marcadores laboratoriais, ajustar doses e avaliar a evolução do quadro.
Uso da Cannabis medicinal no tratamento de inflamação crônica
A Cannabis é usada para tratar inflamações há milênios, mas foi apenas nas últimas décadas que estudos científicos identificaram algumas das vias pelas quais ela exerce sua atividade anti-inflamatória, que é considerada como superior à da aspirina e da vitamina C.
Estudos mostram que praticamente todos os componentes conhecidos da Cannabis produzem uma resposta anti-inflamatória, sendo confirmada em testes laboratoriais e clínicos.
O sistema endocanabinoide (SEC) é o principal alvo destes compostos. Basicamente, o SEC regula a atividade do sistema imunológico, e quando esse sistema não funciona bem, reações inflamatórias ocorrem.
Canabinoides como Tetrahidrocanabinol (THC), Canabidiol (CBD) e Canabigerol (CBG) mostraram efeitos poderosos contra inflamação local, aguda e sistêmica, ajudando também a tratar doenças inflamatórias crônicas.
Mas o que torna o uso da Cannabis para inflamação crônica tão bom e mais seguro que os anti-inflamatórios convencionais?
A razão para isso é que a Cannabis atua através de muitas vias de sinalização, diferentes das visadas por esses remédios, o que diminui os efeitos colaterais associados às interferências nessas vias.
A Cannabis também pode diminuir a produção de quimiocinas, que são moléculas envolvidas na ativação de células inflamatórias.
A diminuição das quimiocinas leva a uma redução na infiltração de leucócitos e, consequentemente, na resposta inflamatória local.
Cabe lembrar que os compostos da Cannabis são antioxidantes poderosos, que ajudam a neutralizar radicais livres que geram inflamação crônica.
Os canabinoides também modulam a liberação de mastócitos, células envolvidas em reações alérgicas e inflamatórias. Isso resulta na diminuição da inflamação em tecidos afetados por essas reações.
Sistema endocanabinoide e modulação da resposta inflamatória
O sistema endocanabinoide é uma rede que ajuda o organismo a manter estabilidade interna.
Seus receptores se espalham por tecidos imunológicos, neurais e metabólicos, o que permite interferir nos mecanismos que sustentam a inflamação crônica.
Quando modulados, esses receptores ajustam a liberação de mediadores inflamatórios e influenciam a comunicação entre células de defesa.
Diversas pesquisas investigam como compostos endógenos e fitocanabinoides interagem com esses receptores.
Em muitos casos, observa-se redução de sinais associados à inflamação crônica, especialmente quando há estresse oxidativo elevado ou alterações na sinalização imunológica.
Esse efeito também se relaciona ao modo como o sistema endocanabinoide influencia o humor, o sono e o metabolismo energético, já que todas essas áreas costumam ser afetadas quando a inflamação crônica se mantém ativa.
Evidências de Cannabis medicinal em dores e doenças inflamatórias
Uma revisão de estudos publicada em 2021 avaliou 26 ensaios a respeito do uso de componentes da Cannabis para inflamação crônica.
Os estudos focaram no Canabidiol, anabigerol, THC isolado, e THC + CBD.
O objetivo do estudo era averiguar se estes compostos seriam capazes de diminuir a produção de células inflamatórias e, em caso positivo, como poderiam afetar doenças que promovem a inflamação.
As citocinas pró-inflamatórias mais estudadas foram o TNFalfa, a IL-1 beta, a IL-6 e o IFN-gama.
Seus níveis sempre caíram após o tratamento com CBD, CBG ou CBD+THC. A resposta anti-inflamatória induzida por canabinoides e sua gravidade também foram examinadas.
Nos estudos com CBD+THC, os níveis de pelo menos uma citocina inflamatória foi consideravelmente reduzida de forma mais notável do que quando utilizados separadamente.
Em 24 estudos, houve melhorias em doenças ou incapacidades relacionadas à inflamação.
O THC sozinho não reduziu os níveis de citocinas pró-inflamatórias, mas melhorou a dor neuropática de forma intensiva.
Os pesquisadores concluíram que a combinação de componentes da Cannabis, como CBD, CBG e CBD+THC tem um efeito anti-inflamatório forte in vivo.
Riscos, limitações das evidências e necessidade de acompanhamento médico
Parte das evidências do uso dos canabinoides para inflamação crônica ainda é experimental ou baseada em estudos com populações específicas.
Além disso, variações genéticas, uso de outros medicamentos e condições de saúde prévias podem alterar completamente a resposta do organismo.
Outro ponto importante é o risco de interpretações equivocadas. Mesmo suplementos considerados seguros podem ser inadequados para determinados perfis metabólicos ou estados hormonais.
Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. A avaliação profissional permite entender o contexto completo da inflamação crônica, identificar causas profundas e definir quais abordagens realmente fazem sentido.
Se você está à procura de um médico experiente em terapias canabinoides, conecte-se a centenas de profissionais prescritores clicando aqui.
Use as ferramentas de filtragem em nossa plataforma de agendamento para encontrar o médico que melhor se encaixa em suas necessidades!
Conclusão
A inflamação crônica é um problema sério e, sem um tratamento adequado, leva a complicações graves.
Então, se você sofre com inflamação crônica e deseja tentar um tratamento que ajude a controlar o quadro, vale a pena considerar o Canabidiol.
Para saber mais sobre os benefícios do Canabidiol e como ele ajuda no combate à inflamação crônica, confira outros artigos e análises de especialistas a respeito desta terapia aqui no portal.













