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Estudo amplia conhecimento sobre sistema endocanabinoide em aves

Estudo amplia conhecimento sobre sistema endocanabinoide em aves

Pesquisa ajuda a entender como aves absorvem e processam compostos da Cannabis e pode orientar futuros estudos na veterinária.

Publicado em

26 de junho de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Estudo mostra como aves processam compostos da Cannabis

Um estudo publicado no Journal of Avian Medicine and Surgery mostrou que administrar um óleo à base de Cannabis junto com alimento prolonga o tempo de permanência do canabidiol (CBD) no organismo de uma espécie de papagaio.

Embora a pesquisa não tenha avaliado diretamente a eficácia clínica da Cannabis no tratamento de doenças em aves, os resultados representam um avanço importante para a medicina veterinária. Isso porque trazem informações sobre como o organismo dessa espécie absorve, distribui, processa e elimina os canabinoides.

De acordo com os autores, esses dados ajudam a construir a base científica para futuros estudos sobre o uso medicinal da Cannabis em aves.

Por que estudar os efeitos da Cannabis em aves

De acordo com os autores do estudo, o tratamento da dor em aves ainda representa um desafio na veterinária. Essas espécies apresentam diferenças importantes em relação aos mamíferos na resposta aos analgésicos convencionais, o que limita as opções terapêuticas disponíveis.

Nesse contexto, os fitocanabinoides despertam interesse porque estudos realizados em outras espécies já demonstraram propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, anticonvulsivantes, ansiolíticas e antieméticas.

Apesar desse potencial, ainda existem poucas informações sobre como esses compostos se comportam no organismo das aves. Por isso, estudos sobre o funcionamento dos compostos no organismo são fundamentais antes da realização de pesquisas clínicas.

As aves também possuem sistema endocanabinoide

O estudo destaca que o sistema endocanabinoide é altamente preservado ao longo da evolução entre os vertebrados, inclusive as aves.

Isso significa que elas também possuem receptores capazes de interagir com compostos da Cannabis, como o CBD e o ácido canabidiólico (CBDA).

Além dos receptores canabinoides, esses compostos também atuam em outras mecanismos do organismo, incluindo receptores serotoninérgicos, dopaminérgicos e canais de cálcio.

Essa atuação por diferentes mecanismos é um dos fatores que torna os canabinoides tão promissores para a medicina veterinária.

Como a pesquisa foi conduzida

A pesquisa incluiu 12 papagaios-hispaniolanos saudáveis (Amazona ventralis), espécie encontrada no Haiti, na República Dominicana e em Porto Rico.

Os animais foram divididos em dois grupos.

O primeiro recebeu um óleo à base de Cannabis por via oral, administrado diretamente no papo (crop), com o auxílio de uma seringa. Em seguida, recebeu uma dieta pastosa.

O segundo grupo recebeu exatamente o mesmo óleo, mas sem a pasta alimentar.

O óleo utilizado continha CBD, CBDA e ∆9-tetrahidrocanabinol, nas seguintes doses:

  • CBD: 28 mg/kg;
  • CBDA: 113 mg/kg;
  • THC: 2,7 mg/kg.

Após a administração, os pesquisadores coletaram amostras de sangue durante 12 horas para acompanhar a concentração dos canabinoides. Eles analisaram indicadores como concentração máxima, tempo até atingir o pico de concentração e meia-vida.

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Alimento prolongou a permanência do CBD no organismo

Os resultados mostraram que o alimento modificou a velocidade com que o CBD foi absorvido pelas aves.

Nas aves que receberam a dieta pastosa, o composto demorou mais para atingir sua concentração máxima no sangue. Além disso, permaneceu circulando por mais tempo no organismo. A meia-vida do CBD aumentou de 4,34 horas no grupo sem alimento para 7,17 horas no grupo alimentado.

De acordo com os pesquisadores, esse comportamento sugere que a alimentação pastosa pode funcionar como um sistema de liberação prolongada, retardando a absorção do composto sem aumentar a quantidade absorvida pelo organismo.

Além disso, nenhuma das aves apresentou efeitos adversos ou regurgitação após a administração do óleo.

O que os resultados significam para a medicina veterinária

Os resultados do estudo não demonstram que a Cannabis seja capaz de tratar doenças em aves. Para os autores, compreender como o organismo dessas espécies processa os canabinoides é um passo essencial para o desenvolvimento de terapias seguras.

Os pesquisadores defendem que futuros estudos investiguem diferentes formulações de Cannabis para aves, incluindo veículos oleosos, produtos hidrossolúveis e administração pelas mucosas.

Também será necessário analisar tratamentos de longo prazo para compreender melhor seus possíveis benefícios terapêuticos.

O uso de derivados da Cannabis na medicina veterinária

No Brasil, a Anvisa autoriza que médicos veterinários prescrevam medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes.

Para entender melhor a regulamentação e as possibilidades dos derivados da planta na saúde animal, o e-book Cannabis na Medicina Veterinária oferece informações atualizadas.

Já os profissionais que desejam incorporar os compostos da Cannabis à prática clínica podem buscar capacitação na área. Para isso, a Vigo Academy oferece o Curso de Prescrição de Cannabis medicinal para veterinários.

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