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Pesquisa revela efeito de CBD e CBG no fígado gorduroso

Pesquisa revela efeito de CBD e CBG no fígado gorduroso

Cientistas identificaram dois mecanismos celulares pelos quais CBD e CBG podem ajudar no tratamento da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica

Publicado em

10 de março de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Pesquisa revela efeito de CBD e CBG no fígado gorduroso

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém investigaram os efeitos do canabidiol (CBD) e do canabigerol (CBG) sobre a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Essa condição é conhecida pela sigla MASLD e anteriormente chamada de doença do fígado gorduroso não alcoólico.

O estudo foi realizado em um modelo animal no qual a obesidade foi induzida por uma dieta rica em gordura. Em seguida, os animais receberam tratamento diário com CBD, CBG ou placebo durante quatro semanas.

O que os pesquisadores analisaram

Durante e após o tratamento, os cientistas avaliaram diferentes parâmetros metabólicos dos animais:

  • • Composição corporal
  • • Controle de glicose no sangue e sensibilidade à insulina
  • • Níveis de lipídios no sangue
  • • Gordura acumulada no fígado
  • • Perfil metabólico e lipídico do tecido hepático

Os resultados mostraram que ambos os canabinoides reduziram os triglicerídeos acumulados no fígado. Além disso, melhoraram o controle glicêmico, diminuíram a resistência à insulina e ajudaram a normalizar os lipídios no sangue.

O CBG também reduziu a massa gorda e aumentou a massa magra dos animais tratados.

Já o CBD apresentou tendências semelhantes nos parâmetros metabólicos, porém sem impacto na composição da massa corporal.

MASLD: uma das doenças hepáticas mais comuns do mundo

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Segundo o estudo, a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica é a doença crônica do fígado mais comum no mundo. Ela afeta aproximadamente um terço da população adulta.

A condição está diretamente ligada à obesidade, à resistência à insulina, à hipertensão e à dislipidemia. Sem tratamento adequado, pode evoluir para esteatohepatite, fibrose hepática, cirrose e câncer no fígado.

Apesar da alta prevalência e do risco de progressão grave, os tratamentos farmacológicos disponíveis ainda são limitados. Nesse sentido, CBD e CBG surgem como compostos de interesse terapêutico, Isso ocorre porque apresentam bons perfis de segurança e atuam por mecanismos moleculares que agora começam a ser melhor compreendidos.

Além disso, o estudo identificou mecanismos específicos de ação no fígado, fortalecendo a base científica para futuras pesquisas clínicas.

Como CBD e CBG atuam no fígado

Os pesquisadores identificaram dois mecanismos de ação no fígado que contribuíram para melhorar a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica.

Ativação do sistema creatina-fosfocreatina

Tanto o CBD quanto o CBG elevaram os níveis de creatina e fosfocreatina no fígado dos animais tratados.

No caso do CBD, os níveis de fosfocreatina aumentaram cerca de quatro vezes em relação ao grupo que recebeu placebo. Com o CBG, o aumento foi de 3,4 vezes.

Esse sistema funciona como um “reservatório de energia” celular, e é mais comum em tecidos com alta demanda de energia, como músculos cardíacos e esqueléticos.

O fato de ter sido ativada no fígado, órgão onde essa via normalmente opera em níveis muito baixos, representa um achado relevante do estudo.

Restauração da função lisossomal

Os lisossomos são estruturas presentes nas células do fígado responsáveis por degradar e reciclar lipídios e outras moléculas.

Na doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, essa função celular costuma ficar comprometida, o que contribui para o acúmulo de gordura no órgão.

O estudo mostrou que o tratamento com CBD e CBG melhorou o funcionamento dos lisossomos. Isso indica que os fitocanabinoides podem ajudar a reativar a capacidade das células hepáticas de degradar lipídios acumulados.

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Efeitos não dependem dos receptores canabinoides clássicos

Os efeitos observados do CBD e do CBG no fígado não foram mediados pelos receptores canabinoides mais conhecidos, CB1 e CB2.

Os pesquisadores observaram que os níveis dos principais endocanabinoides no fígado permaneceram inalterados após o tratamento.

Isso sugere que os benefícios dos compostos da Cannabis sobre o órgão ocorrem por vias moleculares alternativas, que ainda precisam ser totalmente mapeadas e compreendidas.

O que ainda precisa de investigação

Os próprios autores reconhecem que os achados precisam de confirmação em estudos clínicos com seres humanos. A identificação dos mecanismos moleculares específicos abre caminho para pesquisas mais direcionadas, inclusive com outros compostos que possam atuar sobre as mesmas vias metabólicas.

Por enquanto, não existe indicação aprovada do uso de CBD ou CBG no tratamento de doenças hepáticas.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis mediante indicação médica.

Portanto, se você ou alguém próximo deseja incluir produtos com canabinoides em um tratamento, busque orientação especializada. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, você pode marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia.

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