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Canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC: Entenda suas diferenças

Canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC: Entenda suas diferenças

Publicado em

14 de julho de 2026

• Revisado por

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Os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC compartilham a mesma origem botânica, porém apresentam propriedades farmacológicas, concentrações naturais e níveis de evidência clínica bastante diferentes. 

A escolha entre eles exige uma leitura cuidadosa da composição, do objetivo terapêutico e da resposta individual ao tratamento.

Dois óleos de Cannabis podem produzir respostas distintas, mesmo quando apresentam concentrações semelhantes de CBD. 

A presença de canabinoides minoritários, terpenos, flavonoides e pequenas quantidades de THC modifica o perfil químico completo da formulação.

Compreender os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC permite interpretar melhor as propostas dos produtos Full Spectrum, entender o efeito entourage e participar da consulta médica com expectativas realistas sobre as possibilidades da Cannabis:

  • O que são canabinoides? 
  • Quais são os principais tipos de canabinoides? 
  • Qual a diferença entre CBD, CBG, CBN e CBC? 
  • Outros canabinoides encontrados na Cannabis 
  • O que é um produto Full Spectrum e qual a relação com CBD, CBG, CBN e CBC? 
  • Como os médicos escolhem o canabinoide mais adequado para cada paciente? 
  • Os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC são regulamentados no Brasil?

O que são canabinoides?

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Os canabinoides são moléculas capazes de interagir com receptores, enzimas e canais envolvidos na regulação da atividade neurológica, da resposta imunológica, da percepção da dor, do apetite, do humor e de outros processos fisiológicos. 

A palavra descreve uma família química, e não uma única substância.

O organismo humano produz moléculas com funções canabinoides, chamadas endocanabinoides. 

Entre as mais conhecidas estão a anandamida e o 2-araquidonoilglicerol, ou 2-AG, que participam de um sistema de sinalização distribuído pelo cérebro, pelos nervos periféricos, pelos tecidos imunológicos e por diferentes órgãos.

A Cannabis sativa produz os fitocanabinoides. 

O CBD, o CBG, o CBN, o CBC e o THC pertencem a esse grupo, embora cada composto apresente uma estrutura, uma afinidade receptorial e um comportamento farmacológico próprio.

Existem ainda os canabinoides sintéticos, desenvolvidos em laboratório para reproduzir ou modificar determinadas ações dessas moléculas. 

Eles não devem ser confundidos com os extratos vegetais, porque alguns compostos sintéticos apresentam potência, segurança e toxicidade completamente diferentes.

Os receptores CB1 e CB2 formam a parte mais conhecida do sistema endocanabinoide. 

O CB1 aparece em alta concentração no sistema nervoso central, enquanto o CB2 mantém relação importante com células imunológicas e tecidos periféricos.

A atuação dos canabinoides, entretanto, ultrapassa esses dois receptores. 

Uma investigação experimental avaliou oito fitocanabinoides em células de ovário de hamster chinês modificadas para expressar CB1 ou CB2 humanos e também em camundongos C57BL/6.

Os pesquisadores analisaram afinidade receptorial, inibição de AMP cíclico, recrutamento de β-arrestina 2, seletividade e respostas comportamentais. 

Os resultados mostraram perfis diferentes entre THC, THCA, THCV, CBD, CBDA, CBDV, CBG e CBC, incluindo atividade parcial em CB1, CB2 ou ambos, além de efeitos que não poderiam ser explicados por um único mecanismo. 

Quais são os principais tipos de canabinoides?

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Os endocanabinoides são produzidos pelo organismo, os fitocanabinoides são encontrados na Cannabis e os sintéticos são obtidos por processos laboratoriais.

Dentro da planta, outra divisão importante separa os compostos ácidos das formas neutras. 

A Cannabis fresca apresenta concentrações relevantes de CBDA, CBGA, THCA e CBCA, que podem sofrer descarboxilação com o calor, o armazenamento ou o processamento.

Nesse processo, o CBDA origina o CBD, o CBGA pode originar o CBG, o THCA forma o THC e o CBCA dá origem ao CBC. 

A conversão não ocorre de maneira uniforme, porque depende do tempo, da temperatura e das características do material vegetal.

Entre os fitocanabinoides mais conhecidos estão:

  • CBD: composto que reúne a maior quantidade de estudos clínicos entre os canabinoides;
  • THC: principal responsável pelos efeitos psicoativos da Cannabis, com ação relevante sobre CB1 e aplicações médicas relacionadas, entre outras áreas, à dor, à espasticidade, às náuseas e ao apetite;
  • CBG: canabinoide minoritário derivado do CBGA, precursor utilizado pela planta na formação de diferentes famílias químicas;
  • CBN: composto associado à oxidação e à degradação do THC, encontrado em proporções maiores em materiais submetidos ao envelhecimento;
  • CBC: fitocanabinoide minoritário com atividade investigada em canais relacionados à dor, à inflamação e à sinalização sensorial.

 

A proporção entre os componentes varia conforme o quimiotipo vegetal, o cultivo, a colheita, a extração e a padronização industrial. 

Qual é a diferença entre CBD, CBG, CBN e CBC?

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A principal diferença entre CBD, CBG, CBN e CBC aparece no modo como cada molécula interage com os sistemas biológicos. 

Embora os quatro pertençam à mesma família, eles não produzem efeitos equivalentes e não devem ser apresentados como substitutos automáticos.

O CBD apresenta a farmacologia mais ampla. 

A sua afinidade direta pelos receptores CB1 e CB2 é relativamente baixa, mas ele influencia canais TRP, receptores de serotonina, enzimas e outros sistemas de sinalização. 

A ausência de intoxicação semelhante à causada pelo THC favoreceu o seu desenvolvimento clínico.

O CBG possui um perfil próprio. Além da interação com receptores canabinoides e canais TRP, ele apresenta atividade em receptores alfa-2-adrenérgicos e serotoninérgicos. 

O CBN apresenta afinidade por CB1 e CB2, embora produza uma atividade intoxicante consideravelmente inferior à do THC nas condições habitualmente investigadas. 

A sua reputação como “canabinoide do sono” ganhou base clínica inicial, porém ainda não permite tratá-lo como um sedativo universal.

Já o CBC atua de maneira relevante em alvos sensoriais, incluindo canais associados à nocicepção. 

A literatura científica investiga especialmente a sua participação na dor inflamatória, na hipersensibilidade mecânica e em processos imunológicos.

CBD

O CBD pode integrar tratamentos relacionados à epilepsia, à dor, à espasticidade, à ansiedade, ao sono e a outros sintomas, conforme a formulação e a avaliação médica. A solidez das evidências varia bastante entre essas aplicações.

A comprovação mais consistente aparece em algumas síndromes epilépticas graves. 

Um ensaio multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo acompanhou 120 crianças e adultos jovens com síndrome de Dravet e crises resistentes ao tratamento.

Os participantes receberam CBD oral na dose de 20 mg/kg por dia ou placebo, adicionados aos anticonvulsivantes já utilizados, durante 14 semanas. 

A frequência mediana de crises convulsivas mensais caiu de 12,4 para 5,9 no grupo CBD e de 14,9 para 14,1 entre aqueles que receberam placebo.

Uma redução de pelo menos 50% das crises ocorreu em 43% dos pacientes tratados com CBD e em 27% do grupo de comparação. 

CBG

O CBG é investigado principalmente por suas possíveis ações ansiolíticas, analgésicas, anti-inflamatórias e neuromoduladoras. 

A quantidade de estudos humanos ainda é pequena, embora os primeiros resultados tenham ampliado o interesse clínico pela molécula.

Um ensaio duplo-cego, controlado por placebo e com desenho cruzado avaliou 34 adultos saudáveis. 

Cada participante recebeu 20 mg de CBG derivado de cânhamo e placebo em duas sessões separadas por uma semana.

Os pesquisadores mediram ansiedade, estresse, humor, memória verbal, percepção de efeito farmacológico e desempenho motor. 

Em comparação com o placebo, o CBG reduziu os níveis gerais de ansiedade e o estresse registrado na primeira avaliação após a administração.

O composto também apresentou melhora no teste de memória verbal, sem evidências de intoxicação subjetiva ou comprometimento motor. 

CBN

O CBN aparece com maior frequência em formulações direcionadas à manutenção do sono. 

A evidência disponível sugere uma possível atuação sobre despertares noturnos e percepção de perturbação, embora os resultados não confirmem melhora consistente em todos os parâmetros.

Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo incluiu adultos de 18 a 55 anos que classificavam o próprio sono como ruim ou muito ruim. 

Os participantes receberam placebo, 20 mg de CBN ou 20 mg de CBN combinados com 10, 20 ou 100 mg de CBD durante sete noites.

A análise modificada por intenção de tratar reuniu 293 participantes. O CBN isolado reduziu significativamente o número de despertares e a escala geral de perturbação do sono em comparação com o placebo.

CBC

O CBC é estudado por seu potencial analgésico e anti-inflamatório, com interesse especial em dores neuropáticas e respostas nociceptivas. 

Uma pesquisa utilizou camundongos C57BL/6 machos e fêmeas, saudáveis ou com neuropatia, submetidos aos testes de von Frey, retirada da cauda, formalina e acetona. 

Esses modelos analisaram alodinia mecânica, calor nocivo, dor inflamatória persistente e sensibilidade ao frio.

Doses de 10 e 20 mg/kg de CBC reduziram significativamente a alodinia mecânica entre uma e duas horas após a administração. A dose de 20 mg/kg também diminuiu comportamentos dolorosos no teste térmico e nas duas fases do teste de formalina.

Os resultados sugeriram ação sobre diferentes modalidades de dor, porém a administração intraperitoneal em animais não permite estabelecer uma dose oral equivalente para seres humanos. 

Ensaios clínicos deverão confirmar a eficácia, a farmacocinética e a segurança antes que o CBC seja indicado isoladamente para condições específicas. 

Outros canabinoides encontrados na Cannabis

A composição da Cannabis ultrapassa os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC. 

A planta produz uma rede de moléculas neutras, ácidas e variantes estruturais que podem aparecer em proporções diferentes conforme a genética vegetal e o processamento.

O THCA é a forma ácida que antecede o THC na planta. 

Ele não apresenta o mesmo perfil intoxicante antes da descarboxilação, embora aquecimento, armazenamento inadequado ou processamento possam promover a sua conversão.

O CBDA corresponde ao precursor ácido do CBD. 

A molécula possui farmacologia própria e não deve ser considerada apenas uma versão “inativa”, embora a quantidade de pesquisas clínicas seja inferior à disponível para o canabidiol descarboxilado.

O CBGA merece atenção por ocupar uma posição central na biossíntese vegetal. 

Enzimas da Cannabis utilizam essa molécula para formar precursores de diferentes famílias, incluindo aquelas relacionadas ao CBD, ao THC e ao CBC.

Entre outros compostos, encontram-se:

  • THCV: estruturalmente relacionada ao THC, com comportamento dependente da dose e farmacologia própria;
  • CBDV: análogo do CBD investigado principalmente em modelos neurológicos;
  • CBGV: variante relacionada ao CBG;
  • CBCV: molécula da família do CBC;
  • CBL: produto que pode surgir a partir da transformação do CBC;
  • Delta-8-THC: isômero do THC com atividade intoxicante e perfil farmacológico distinto.

O que é um produto Full Spectrum e qual é a relação com CBD, CBG, CBN e CBC?

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Um produto Full Spectrum utiliza um extrato que preserva diferentes componentes originalmente presentes na Cannabis. 

A composição pode reunir CBD, CBG, CBN, CBC, THC, terpenos, flavonoides e outras moléculas, sempre dentro do perfil químico definido pelo fabricante e permitido pela legislação aplicável.

A expressão Full Spectrum não determina uma fórmula universal. 

Dois produtos classificados dessa maneira podem apresentar concentrações bastante diferentes, porque o termo descreve a variedade de constituintes preservados e não estabelece uma proporção obrigatória entre eles.

Um óleo pode conter CBD como componente dominante, pequenas quantidades de CBG e CBC, traços de CBN e teor controlado de THC. 

Outro pode apresentar um perfil completamente diferente, ainda que utilize a mesma denominação comercial.

No Brasil, a RDC 1.015/2026 define a categoria sanitária nacional em torno do fitofármaco CBD ou do extrato obtido de um quimiotipo CBD-dominante, no qual a concentração de CBD deve ser pelo menos cinco vezes maior do que a de THC.

A norma não cria uma categoria regulatória independente chamada “Full Spectrum”. 

Um extrato com os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC somente pode ser comercializado como produto de Cannabis quando a composição efetivamente autorizada pela Anvisa contempla aquele perfil químico. 

O que é o efeito entourage?

O efeito entourage descreve a possibilidade de diferentes constituintes da Cannabis modificarem a resposta produzida por uma molécula isolada. 

A interação pode envolver canabinoides, terpenos, flavonoides e outros componentes do extrato.

A presença de vários componentes em um produto, entretanto, não comprova automaticamente a existência de sinergia terapêutica. 

A proporção entre as moléculas, a dose, a via de administração e a condição clínica interferem no resultado.

Como os médicos escolhem o canabinoide mais adequado para cada paciente?

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A escolha médica começa pelo problema clínico que precisa ser tratado. 

A insônia marcada por vários despertares exige um raciocínio diferente daquele aplicado a uma epilepsia resistente, uma dor neuropática ou uma condição acompanhada por ansiedade persistente.

O profissional também avalia a força das evidências. 

Entre os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC, o CBD possui a base clínica mais desenvolvida. 

Os demais podem integrar formulações específicas, mas ainda apresentam lacunas importantes sobre dose, segurança prolongada e eficácia comparativa.

A composição selecionada considera diferentes fatores:

  • Diagnóstico e os sintomas predominantes;
  • Idade, o peso e a sensibilidade individual;
  • Medicamentos utilizados simultaneamente;
  • Histórico de efeitos adversos;
  • Necessidade de evitar ou controlar o THC;
  • Concentração de cada canabinoide por mililitro;
  • Via de administração e a velocidade de início desejada;
  • Resposta obtida durante a titulação.

A presença de outros medicamentos merece análise particular. Os canabinoides podem utilizar enzimas hepáticas envolvidas no metabolismo de anticonvulsivantes, antidepressivos, anticoagulantes, sedativos e outras classes farmacológicas.

O médico precisa observar ainda se o paciente necessita de um isolado, de uma combinação definida ou de um extrato com composição mais ampla. 

A escolha depende da resposta clínica e do perfil químico real, e não apenas das expressões “Full Spectrum” ou “Broad Spectrum”.

Os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC são regulamentados no Brasil?

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Os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC não possuem uma regulamentação individual e idêntica no Brasil. 

O enquadramento sanitário depende do tipo de produto, da composição, da forma de acesso e da autorização concedida para aquela formulação.

A RDC 1.015/2026, em vigor desde 4 de maio de 2026, substituiu a estrutura criada pela RDC 327/2019. 

Ela regulamenta a fabricação, a importação empresarial, a distribuição, a comercialização, a prescrição e a dispensação de produtos industrializados de Cannabis para uso medicinal humano.

Nessa categoria, o ingrediente ativo deve ser o fitofármaco CBD com pureza mínima de 98% ou um extrato proveniente de quimiotipo CBD-dominante. 

O extrato pode conter canabinoides minoritários naturais, incluindo CBG, CBN e CBC, desde que a composição corresponda ao produto autorizado.

Isso significa que o CBD possui um enquadramento direto como fitofármaco. O CBG, o CBN e o CBC não foram estabelecidos pela norma como ingredientes ativos isolados equivalentes dentro dessa categoria nacional.

A RDC permite produtos com mais de 0,2% de THC para pacientes com doenças debilitantes graves ou que ameacem a vida. 

Também autoriza as vias oral, bucal, sublingual e dermatológica, conforme a apresentação aprovada.

Os produtos com até 0,2% de THC são prescritos por Receita de Controle Especial. 

Aqueles com teor superior exigem Notificação de Receita “A”, conforme o enquadramento atualizado das substâncias controladas. 

Existe ainda a importação excepcional por pessoa física, regulamentada pela RDC 660/2022. O paciente precisa apresentar uma prescrição emitida por profissional legalmente habilitado e obter a autorização da Anvisa.

A autorização individual de importação não equivale ao registro sanitário do produto. 

A própria Anvisa informa que essas formulações importadas por esse caminho não tiveram eficácia, qualidade e segurança avaliadas previamente pela Agência, ficando o uso sob responsabilidade do paciente e do prescritor. 

Conclusão

Os canabinoides CBD, CBG, CBN e CBC possuem características próprias e podem ocupar funções diferentes dentro de um tratamento. 

Contudo, a formulação mais adequada depende do diagnóstico, da concentração, dos medicamentos em uso e da resposta individual. 

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