O interesse científico pelos compostos da Cannabis continua crescendo, e um novo estudo sugere que um canabinoide ainda pouco estudado pode ajudar a combater alguns dos danos metabólicos causados pela obesidade.
Pesquisadores da Polônia observaram que o canabigerol (CBG) foi capaz de reduzir alterações associadas à obesidade em modelo animal. Entre os efeitos observados estão a diminuição do acúmulo de gordura nos músculos, a melhora da função mitocondrial e redução do estresse oxidativo.
Como os cientistas testaram o CBG
Os pesquisadores utilizaram um modelo experimental de obesidade. Parte dos animais recebeu uma dieta rica em gordura e açúcar, capaz de induzir alterações metabólicas semelhantes às observadas na obesidade humana.
Em seguida, esse grupo recebeu tratamento com CBG na dose de 30 mg/kg por dia durante duas semanas.
Após esse período, os cientistas avaliaram diversos parâmetros relacionados ao metabolismo muscular, incluindo o transporte de gorduras para dentro das células, o armazenamento de lipídios, o funcionamento das mitocôndrias e marcadores de estresse oxidativo.

CBG reduziu o excesso de gordura nos músculos
Um dos principais achados do estudo foi a redução do acúmulo de gordura no tecido muscular.
Os animais obesos apresentaram níveis elevados de diferentes tipos de lipídios associados a alterações metabólicas. Após o tratamento com CBG, os pesquisadores observaram uma diminuição significativa desses compostos.
Além disso, o canabinoide reduziu a atividade de proteínas envolvidas na produção e no armazenamento de gordura. Isso sugere que o organismo passou a produzir e acumular menos lipídios dentro das células musculares.
Segundo os autores, essa mudança pode ser importante porque o excesso de gordura nos músculos está relacionado ao desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes tipo 2.
Canabinoide também protegeu células
O estudo também encontrou sinais de redução do estresse oxidativo.
Nos animais obesos, os pesquisadores observaram aumento de marcadores associados à oxidação de gorduras e redução de enzimas antioxidantes.
O tratamento com CBG produziu o efeito oposto: elevou a atividade antioxidante e reduziu indicadores de dano celular.
Como o canabigerol age no organismo
Embora o CBD seja muito mais estudado, o interesse científico pelo CBG tem aumentado nos últimos anos devido aos seus possíveis efeitos anti-inflamatórios, neuroprotetores e metabólicos.
No estudo, os pesquisadores investigaram os mecanismos que poderiam explicar os efeitos observados.
Os resultados indicaram que o canabinoide atua em diferentes etapas do metabolismo das gorduras. Segundo os autores, isso ocorreria por meio da interação com o receptor CB1.
Os autores afirmam que o canabigerol pode reduzir a atividade do receptor CB1 de forma indireta. Por isso, ele é considerado um modulador alostérico negativo desse receptor.
Os animais obesos apresentaram maior atividade do CB1 nas mitocôndrias. Após o tratamento, essa atividade foi reduzida.
De acordo com os autores, essa modulação pode aumentar o uso da gordura como fonte de energia. Ela também pode contribuir para o melhor funcionamento das mitocôndrias e para a redução do acúmulo de gordura nos músculos.
O que o estudo indica até agora
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que ainda é cedo para concluir que o CBG possa ser utilizado como tratamento para obesidade.
Na prática, a pesquisa demonstra que o canabinoide foi capaz de melhorar diversos indicadores metabólicos relacionados à obesidade em um modelo experimental.
Os cientistas incentivam mais estudos sobre os mecanismos pelos quais o canabigerol influencia a cardiolipina e o funcionamento das mitocôndrias.
Também serão necessários estudos clínicos para verificar se os efeitos observados em animais podem ser observados em humanos.
Acesso a medicamentos à base de canabigerol no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil com prescrição médica.
Para tratamentos que exijam formulações ricas em CBG, é necessário importar o medicamento através da importação regulamentada pela Anvisa. A escolha do tipo de canabinoide a ser utilizado vem após consulta médica e avaliação individual.
Para quem deseja iniciar um tratamento com derivados da Cannabis, é necessário ter orientação especializada. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível agendar uma consulta com profissionais experientes nesse tipo de terapia.