Em 2025, a pesquisa sobre a Cannabis teve novos e surpreendentes capítulos, com achados que mostram a complexidade química da planta e suas potenciais aplicações terapêuticas. Além dos canabinoides majoritários, como CBD e THC, pesquisadores de várias partes do mundo voltaram suas atenções para compostos inéditos ou pouco explorados, muitos deles com propriedades promissoras.
Nesta retrospectiva, reunimos os principais estudos de 2025 que marcaram o avanço dessa fronteira do conhecimento.
1. Canabielsoxa: uma descoberta por acaso

Em maio de 2025, um grupo de cientistas na Coreia do Sul identificou um novo canabinoide chamado canabielsoxa. A revelação ocorreu enquanto o foco do estudo era o potencial antitumoral de canabinoides extraídos de uma variedade rica em canabigerol (CBG).
Principais características do canabielsoxa:
- Testes contra câncer infantil: embora o estudo tenha isolado 11 compostos e testado sua ação contra células de neuroblastoma, um câncer infantil agressivo, o canabielsoxa não mostrou ação antitumoral nesse modelo, indicando mecanismos de ação distintos dos demais.
- Novo universo de moléculas: além do canabielsoxa, os pesquisadores também descreveram outros compostos da Cannabis, reforçando que a planta ainda guarda muitos constituintes químicos a serem explorados.
Embora ainda esteja no início dos experimentos, o canabielsoxa amplia o repertório de canabinoides conhecidos e desafia pesquisadores a entender melhor suas funções.
2. Canabizetol (CBGD): um canabinoide dimérico

Entre os avanços mais empolgantes está o canabizetol (CBGD), um canabinoide dimérico, ou seja, formado por duas unidades químicas unidas por uma ponte de carbono, identificado em extratos de Cannabis.
Destaques do estudo:
- Estrutura rara: canabinoides diméricos são extremamente raros na natureza. Antes do CBGD, apenas dois outros dímeros haviam sido caracterizados.
- Potente ação biológica: em testes com células da pele humana, o CBGD apresentou forte atividade anti-inflamatória, bloqueando a liberação de citocinas pró-inflamatórias como IL-8 em baixas concentrações sem toxicidade celular.
- Mecanismos amplos: o estudo mostrou que o CBGD modulou muito mais genes inflamatórios que o próprio CBG convencional, sugerindo que dímeros canabinoides podem ter perfis biológicos únicos.
Apesar de ainda não haver aplicações clínicas, o CBGD chama atenção por trazer novas possibilidades, especialmente em inflamações.
3. Canabiciclol (CBL): um novo canabinoide com potencial para saúde mental

No início de 2025, pesquisadores publicaram uma análise química do canabiciclol (CBL), um canabinoide menor ainda pouco conhecido. Diferente de CBD e THC, o CBL não se liga fortemente aos receptores CB1 e CB2 do sistema endocanabinoide, porém interage com o receptor de serotonina 5-HT1A, importante na regulação do humor, sono e ansiedade.
Os principais resultados foram:
- Origem química: o CBL não é produzido diretamente pela planta, mas se forma pela transformação do canabicromeno (CBC), por calor ou luz.
- Interação com serotonina: embora não se ligue fortemente aos receptores do sistema endocanabinoide, o CBL ajusta a resposta da serotonina.
- Potencial terapêutico: essa atividade sugere um caminho para novas terapias para distúrbios de humor e ansiedade com menor risco de efeitos psicoativos.
Os pesquisadores destacam que ainda há desafios na produção em larga escala e na compreensão de seus mecanismos exatos, mas o CBL desponta como um composto com potencial para a saúde mental.
4. Estilbenos nas folhas: muito além dos canabinoides

Outro avanço importante em 2025 veio de estudos que olharam para partes da planta tradicionalmente menos exploradas: as folhas. Pesquisadores identificaram um grupo de compostos chamados estilbenos, fenóis naturais mais conhecidos por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, presentes nas folhas da Cannabis.
Principais resultados:
- Variedade de moléculas: o estudo relatou a presença de cerca de 14 tipos de estilbenos nas folhas, muitos deles pertencentes à subclasse dos dihidrostilbenoides.
- Modelo de ação preditiva: utilizando modelagem computacional (in silico), os cientistas analisaram o potencial farmacológico desses compostos antes de testes experimentais.
- Propriedades promissoras: os estilbenos identificados exibem atividades anti-inflamatórias, antioxidantes, e alguns até com potencial anticâncer ou cardioprotetor, destacando que partes da planta tradicionalmente descartadas podem ser fontes de novos bioativos.
Esses achados incentivam uma visão mais ampla do valor medicinal da Cannabis, indo além dos canabinoides clássicos para uma farmacologia vegetal mais rica e complexa.
O que aprendemos em 2025?
O ano foi marcante por revelar que a Cannabis ainda guarda muitos segredos químicos — e que cada descoberta pode abrir novas frentes terapêuticas. Enquanto o canabiciclol e o canabielsoxa exploram caminhos inusitados de interação biológica, o canabizetol destaca a diversidade estrutural ainda por decifrar. Os estilbenos nas folhas, por sua vez, reforçam a ideia de que o valor medicinal da planta vai muito além dos canabinoides típicos.
Em breve, a ciência nos fornecerá uma descrição detalhada de todos os compostos da planta Cannabis e as etapas desse processo você acompanha por aqui.
Vale destacar que esses estudos estão em fases iniciais e tratamentos com esses novos compostos não estão disponíveis por enquanto. Se você deseja incluir medicamentos à base de Cannabis na sua rotina de cuidado, acesse a nossa plataforma de agendamento e marque uma consulta. Conte com a nossa equipe para iniciar essa jornada de forma responsável e eficaz.













