A comunicação passou a ocupar um lugar mais constante na rotina de Theo, 9 anos. Diagnosticado com paralisia cerebral, epilepsia, hidrocefalia e microcefalia secundária, ele sempre encontrou formas de se expressar, principalmente por meio de gestos e sons. Hoje, a fala aparece com mais frequência para pedir, responder e se comunicar no dia a dia.
“Ele está usando mais a fala, não só a comunicação alternativa”, relata a mãe, Eunice. Segundo ela, o filho está mais alegre, mais comunicativo e demonstra mais segurança para se expressar. “São mais sorrisos, mais expressões, o tempo todo.”
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Essa mudança é percebida de forma clara na escola. Theo está mais atento, atende melhor aos comandos e realiza atividades escolares com mais envolvimento. Professores e terapeutas também observaram ganhos cognitivos, motores e sociais. “Ele interage mais, se comunica mais e consegue permanecer nas atividades por mais tempo, com bom humor”, conta Eunice.
Esgotamento terapêutico e impacto na rotina familiar
“Ele tomava fenobarbital e, a cada consulta, aumentavam a dose. Chegou a 60 gotas por dia, sem controlar as crises. Além disso, vinham os efeitos colaterais: insônia, irritabilidade, rigidez muscular. Ele começou a perder o que já tinha conquistado — palavras, movimentos — e a regredir”, lembra a mãe.
O esgotamento físico e emocional da família crescia na mesma velocidade que as doses do remédio. “Era desesperador. Ele chorava a noite inteira querendo dormir e não conseguia. E a gente chorava junto. Era uma rotina complicada tanto para ele quanto para nós”, conta.
Descobrindo o potencial da Cannabis medicinal
Foi nesse contexto que Eunice começou a considerar a Cannabis medicinal. “Eu conhecia crianças que usavam e tinham bons resultados. Fiz curso, fui estudar, pesquisar. Crescemos ouvindo que era algo ruim, mas descobri que era exatamente o que ia salvar a vida do meu filho”
A resposta foi quase imediata. “Na primeira semana, já vimos diferença: ele estava mais calmo, comendo melhor. As crises diminuíram, os espasmos também. Em dois meses, o controle foi total.”
Interação como um dos principais avanços
Entre os diferentes aspectos da rotina, a interação social se destaca como uma das evoluções mais significativas. Theo conversa com colegas e professores e demonstra satisfação em estar na escola. “É o lugar que ele mais ama”, afirma a mãe.
Essa interação também acontece fora do ambiente escolar. Durante passeios, ao encontrar colegas, Theo se comunica, conversa e demonstra alegria. Para Eunice, há uma mudança clara na forma como o filho se coloca nas relações. “Ele melhora, cada vez mais, a interação, mas agora está usando mais a fala. Parece que está perdendo a vergonha de falar.”
Ganhos motores e mais autonomia
Os avanços também se refletem no aspecto motor. Theo passou a segurar o copo com mais firmeza, pegar alimentos sozinho, alcançar objetos no quarto e manusear brinquedos com mais precisão. A autonomia nas atividades do dia a dia aumentou, assim como a disposição para realizar exercícios nas terapias.
“Ele consegue manter os exercícios por mais tempo e com melhor humor”, relata Eunice. Segundo ela, o rendimento nas terapias tem sido mais consistente, sem oscilações frequentes.
A bicicleta faz parte da rotina diária e ganhou um novo ritmo. Theo passou a pedalar por cerca de de uma hora por dia. “Ele anda com mais alegria, todos os dias”, conta a mãe.
Sono regular e estabilidade clínica
Outro ponto central da rotina é o sono. Theo dorme bem, acorda disposto e mantém uma regularidade que impacta positivamente o dia a dia. “O sono está maravilhoso”, resume Eunice.
Ele faz uso de óleo de Cannabis medicinal, com acompanhamento da Dra. Carolina Restrepo Villafuerte, médica responsável pelo tratamento. Nos últimos meses, não foi necessário realizar ajustes na dosagem. Desde o último ajuste, Theo não apresentou novas crises convulsivas.
A estabilidade do quadro permitiu manter a rotina de terapias, escola e passeios sem intercorrências. “Hoje, os dias rendem mais. Antes, havia muita oscilação. Agora, ele consegue aproveitar melhor todos os dias”, diz a mãe.
O olhar para o futuro
Para Eunice, a experiência com o filho reforça a importância de ampliar estudos, pesquisas e informações sobre o uso medicinal da Cannabis. “Ainda existe muito preconceito. Precisamos de mais comprovações para que esse tratamento seja visto com mais naturalidade.”
Ela também chama atenção para as dificuldades de acesso pelo sistema público de saúde. “O custeio pelo SUS ainda é muito difícil. Estamos há anos na Justiça tentando isso”, relata.
Enquanto enfrenta essas barreiras, Eunice observa o filho seguir em movimento. “Ele tem quatro diagnósticos, isso não muda. O que muda é como ele vive. Hoje, ele se comunica mais, interage mais, aprende mais e aproveita melhor a rotina.”
*Para preservar a identidade da criança, o nome utilizado na reportagem é fictício.
Importante!
É importante destacar que o uso da Cannabis medicinal é permitido no Brasil, desde que haja prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde habilitado. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando histórico clínico, diagnóstico e objetivos terapêuticos.
Para quem busca informações ou deseja entender se essa abordagem pode fazer sentido em seu contexto de saúde, é possível agendar uma consulta com médicos com experiência em terapias com canabinoides por meio desta plataforma.













