Aos 37 anos, a psicóloga Stephanie S. convive desde a adolescência com ansiedade, depressão e compulsão alimentar. Em agosto do ano passado, esses quadros se intensificaram após o diagnóstico de câncer de tireoide. Embora o tipo do tumor tivesse indicação cirúrgica como único tratamento — sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia —, o período entre o diagnóstico e a cirurgia, realizada apenas em dezembro, foi marcado por um agravamento significativo do seu estado emocional.
“A depressão é algo que me acompanha desde a adolescência. Teve épocas em que precisei entrar com medicação alopática, em boa parte da vida fiz terapia. É algo que sempre esteve presente na minha rotina, às vezes mais, às vezes menos”, relata.
O impacto emocional após o diagnóstico
Segundo Stephanie, o impacto do diagnóstico foi imediato. “Quando descobri o câncer, fiquei extremamente ansiosa. Passei a viver em um estado de aflição constante. Algo até então, inédito pra mim”
A ansiedade também intensificou um outro quadro antigo: a compulsão alimentar. Paciente bariátrica desde 2018, ela havia recuperado parte do peso ao longo dos anos, especialmente durante a pandemia. Com o diagnóstico oncológico, a relação com a alimentação se tornou ainda mais desregulada. Ao mesmo tempo, o sono (que antes era intenso) desapareceu por completo.
“Eu nunca tive problemas para dormir, pelo contrário, sempre dormi demais. Mas depois do diagnóstico meu sono sumiu completamente. Eu me desregulei inteira. Não conseguia me concentrar no trabalho e não conseguia descansar”, conta.
Foi nesse contexto que, por orientação médica, Stephanie iniciou o uso da Cannabis medicinal, com foco no manejo da ansiedade. Após cerca de um mês e meio de uso do óleo, ela começou a perceber mudanças consistentes no dia a dia.
“Senti uma redução significativa da ansiedade e meu sono melhorou muito. Antes do diagnóstico, eu dormia muitas horas, mas hoje entendo que não era um sono de qualidade, porque eu acordava cansada. Agora durmo até menos, mas acordo mais disposta. A diferença é bem nítida.”
Quando o cuidado vira prioridade
Além da melhora no sono e na ansiedade, a psicóloga percebeu efeitos importantes na relação com a alimentação. Embora ressalte que não sabe atribuir essa mudança exclusivamente à Cannabis, ela relata maior controle, o que abriu espaço para a retomada de hábitos saudáveis.
“Com o tempo, consegui controlar melhor a alimentação e, depois do período de repouso pós-cirúrgico, estabeleci uma rotina de exercícios físicos. Nada muito intenso. Estou indo aos poucos, mas com constância. E tenho percebido mais compromisso e também disposição para manter essa rotina. Não sei muito bem o que vem primeiro”, brinca.
Leia também
Estudo indica que a Cannabis pode melhorar experiência do exercício físico
A continuidade do cuidado
A cirurgia, realizada em dezembro, foi bem-sucedida. Exames recentes confirmaram a ausência de metástases. Durante o período pré-cirúrgico, o uso do óleo de CBD foi suspenso por orientação médica e retomado após o procedimento. “É um tipo de câncer que se resolve com cirurgia, sem indicação de quimioterapia ou outros tratamentos”, explica. Ainda assim, o início de 2026 trouxe um novo desafio: o desligamento do trabalho, em janeiro.
“Ser desligada é sempre um baque, mas, mesmo assim, sinto que continuo no controle de mim mesma. Atribuo isso à mudança de rotina que surgiu depois do início do uso do óleo, com mais foco na minha saúde. Afinal, não tinha muito jeito não olhar para essa esfera da vida depois de um susto desse.”
Outro aspecto percebido ao longo do tratamento foi uma melhora na comunicação. “As pessoas começaram a comentar que minha dicção melhorou, que eu consigo falar de forma mais pausada. Eu não percebia isso antes, mas fazia muita diferença, inclusive na minha vida profissional. Talvez a ansiedade estivesse tão acentuada que estivesse impactando na forma como eu me comunico.”
Para Stephanie, a Cannabis medicinal não representou apenas uma estratégia pontual para atravessar um momento delicado, mas um ponto de virada.
“Sinto que a Cannabis me ajudou a atravessar esse diagnóstico, que assusta muito, e inaugurou um novo período da minha vida, com mais foco na minha saúde de uma forma geral. Algo que eu estava negligenciando há muito tempo. Realmente é uma ferramenta muito interessante em diversos níveis e, pra mim, tem feito muito sentido neste momento da minha vida.”, finaliza.
Importante!
O uso de medicamentos à base de Cannabis, como no caso de Stephanie, deve sempre ocorrer com acompanhamento médico. A resposta ao tratamento pode variar de pessoa para pessoa, e fatores como dosagem, forma de administração e possíveis interações com outros medicamentos precisam ser avaliados individualmente para garantir segurança e eficácia.
No relato, a Cannabis foi utilizada como parte de um cuidado integrado, com indicação profissional e ajustes ao longo do processo, respeitando inclusive a suspensão do uso no período pré-cirúrgico. Se você deseja entender se essa ferramenta pode ser indicada para o seu caso, acesse a nossa plataforma e agende uma consulta!














