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Dor, câncer e cuidado: a experiência de um paciente que incorporou a Cannabis ao tratamento

Dor, câncer e cuidado: a experiência de um paciente que incorporou a Cannabis ao tratamento

Diagnosticado com câncer de próstata com metástase óssea, Ricardo Mazzaferro, 71, passou a utilizar Cannabis medicinal, com prescrição individualizada e em paralelo ao tratamento oncológico, como estratégia para o controle da dor e para abrir um respiro na rotina marcada pelo tratamento contra a doença.

Publicado em

18 de dezembro de 2025

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

Ricardo Mazzaferro, 71,  começou a usar óleo de Cannabis por conta da ansiedade. Àquela altura, não havia diagnóstico de câncer, nem suspeita, conta a esposa, Sônia.

Um tempo depois, durante uma consulta de rotina com o urologista, vieram os exames que mudariam completamente o cenário. O diagnóstico: câncer de próstata com metástase óssea extensa. Ainda assim, a doença avançava em silêncio. “Quando saiu o resultado da ressonância, ele não tinha sintoma nenhum. Nada. Nenhuma dor que indicasse aquilo tudo”, conta Sônia.

As dores apareceriam mais tarde — e, no começo, confundiram-se com outro problema. Em setembro do ano anterior, Ricardo havia passado por uma cirurgia na coluna. A recuperação foi lenta, com fisioterapia e limitações físicas. “A gente atribuía tudo à coluna. Ele já vinha com dores, então ninguém imaginava que era outra coisa.”

Com o tempo, o quadro mudou. As dores se intensificaram, espalharam-se e passaram a comprometer a rotina. Vieram também novos exames, entre eles o PET-Scan. “O médico explicou que os tumores estavam espalhados pelos ossos, da cabeça até os pés. Foi um choque”, diz Sônia. Uma ressonância magnética do cérebro descartou comprometimento neurológico, mas confirmou a extensão óssea da doença.

Da escada analgésica à Cannabis

O tratamento da dor seguiu o caminho tradicional: dipirona, depois codeína, tramadol e, por fim, medicamentos mais fortes. “A gente chegou a comprar caixa de tramadol. Ele tomou um comprimido, mas não se adaptou bem”, relata.

Foi nesse momento que a cannabis, até então restrita ao manejo da ansiedade, ganhou outra função. Paralelamente ao tratamento oncológico, conduzido pelo oncologista, Ricardo passou a contar com um suporte individualizado por meio do acompanhamento de uma médica prescritora. Nesse contexto, uma formulação com THC, administrada em gummies, foi introduzida com foco no controle da dor. O efeito, segundo Sônia, não demorou a aparecer.

“Foi muito rápido. Em menos de uma semana, os outros remédios praticamente ficaram de lado. No caso dele, a resposta foi muito clara”, afirma.

A redução do uso de analgésicos chamou a atenção do próprio oncologista. “Em uma das consultas, ele ficou espantado. Perguntou como estava a dor, que remédios ele ainda estava usando.”

Com cerca de um mês de uso contínuo, Ricardo Mazzaferro conseguiu suspender até a dipirona. “Ele foi eliminando tudo, um por um”, conta a esposa.

Interrupção, retorno e comparação direta

Durante o primeiro ciclo de quimioterapia — seis sessões —, o oncologista optou por suspender temporariamente o uso da Cannabis. A intenção era avaliar, sem interferências, a resposta do organismo ao tratamento oncológico.

Três dias após o fim da quimioterapia, a dor voltou. “O médico orientou dipirona. Ele tomava, a dor passava, mas quatro, cinco horas depois, voltava tudo”, relata Sônia. O padrão se repetiu por alguns dias.

“Teve um dia em que ele estava sem dor, mas eu estranhei. Quando vi, era efeito da dipirona. Aí resolvemos voltar com a Cannabis.” O resultado foi imediato. “A dor voltou a ficar controlada.”

A experiência acabou funcionando como uma comparação involuntária entre abordagens. “Ali ficou muito claro para nós o quanto a Cannabis estava ajudando.”

Corpo cansado, rotina em reconstrução

Hoje, Ricardo não está sem sintomas. O cansaço ainda aparece, principalmente no período da tarde. Ainda assim, a diferença em relação aos meses anteriores é evidente.

“Antes, ele não dirigia, não saía, não fazia nada. Agora ele acorda, sai de manhã, faz as refeições na mesa e não na cama, ajuda em casa. Consegue ir e voltar.” Pequenos gestos que, no contexto da doença, ganham outro peso.

As náuseas associadas à quimioterapia também diminuíram com o uso da Cannabis. O paladar segue alterado, um efeito que o oncologista atribui à quimioterapia e que pode levar alguns meses para se normalizar.

Quem cuida também precisa de cuidado

No meio desse processo, Sônia também encontrou na Cannabis um suporte para si mesma. “Eu sou muito agitada, sempre fui. Não paro nunca. Depois que comecei a usar o óleo, me senti mais tranquila e menos ansiosa”

Ela faz questão de diferenciar calma de apatia. “Não é que eu deixei de fazer as coisas. Eu continuo fazendo. Mas agora eu consigo sentar, respirar, assistir um jornal. Depois eu levanto e faço o que precisa ser feito.”

Para ela, essa mudança foi decisiva para atravessar um período marcado por exaustão física e emocional. “Foi tudo muito pesado. Ajudou muito a lidar com isso.”

Preconceito, persistência e acesso

Ao falar sobre Cannabis medicinal, Sônia reconhece que o preconceito ainda pesa. “As pessoas confundem uso medicinal com recreativo. Eu diria para tentar, pelo menos. Deixar esse medo de lado.”

Ela lembra de um caso próximo, na família, em que o tratamento quase foi abandonado nos primeiros dias. “Teve uma melhora, depois um retrocesso, e a pessoa quis desistir. Eu falei: não é milagre, é remédio. Precisa de tempo.”

Ajuste de dose, acompanhamento médico e individualização do tratamento são pontos que ela considera centrais. “Nem todo médico sabe fazer esse ajuste, e isso faz diferença.”

O acesso ao tratamento ainda é um ponto sensível. “Há interesse, mas nem sempre as pessoas conseguem iniciar. Ampliar o acesso permitiria que mais pacientes tivessem a oportunidade de experimentar o tratamento de forma acompanhada”, diz Sônia.

Enquanto aguarda novos exames para reavaliar o quadro, Ricardo Mazzaferro segue com a Cannabis integrada ao tratamento, sempre com o acompanhamento da médica prescritora e do oncologista. Não como promessa, mas como parte de um cuidado que, na prática, devolveu algo essencial: menos dor, mais autonomia e o respiro de uma rotina mais confortável.

Importante!

No Brasil, o uso de produtos à base de Cannabis medicinal é autorizado pela Anvisa e requer prescrição médica. A condução do tratamento deve ser sempre individualizada, levando em conta o histórico clínico, os sintomas, possíveis interações medicamentosas e a resposta de cada paciente ao longo do acompanhamento.

Esse cuidado personalizado é possível com médicos experientes, como os profissionais disponíveis em nossa plataforma, que realizam avaliação criteriosa e acompanhamento contínuo para definir a melhor estratégia terapêutica. Para saber se essa abordagem pode ser indicada no seu caso, a orientação médica é fundamental.

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O Cannabis& Saúde é um portal de jornalismo, que fornece conteúdos sobre Cannabis para uso medicinal, e, preza pelo cumprimento legal de todas as suas obrigações, em especial a previsão Constitucional Federal de 1988, dos seguintes artigos. Artigo 220, que estabelece que a liberdade de expressão, criação, informação e manifestação do pensamento não pode ser restringida, desde que respeitados os demais dispositivos da Constituição.
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