A primeira vez que Nágila Rocha considerou a Cannabis medicinal foi durante uma conversa simples, entre mães. Uma amiga, cujo filho autista já fazia uso, insistiu para que ela tentasse. Naquele momento, Nágila ainda hesitava. Mas o histórico recente não deixava muitas alternativas.
N. M. havia sido diagnosticado com Síndrome de Tourette aos 9 anos e, desde então, a família atravessava um período de instabilidade contínua. Os medicamentos disponíveis traziam algum alívio pontual, mas também efeitos difíceis de sustentar. A risperidona aumentou de forma significativa o apetite. “Ele sentia muita fome”, lembra a mãe. Já o Atenta ajudava parcialmente no TDAH, mas comprometia o controle da Tourette. “Você melhora uma coisa e desorganiza outra.”
Leia também
Cannabis reduz tiques em adolescentes com Tourette, aponta estudo
Quando o tratamento com Cannabis medicinal começou, os resultados não foram imediatos. “No começo, eu não via muito efeito”, conta. A mudança veio com o tempo — e, sobretudo, com ajuste. Os primeiros sinais apareceram nos tiques motores, principalmente os mais localizados. Eles não desapareceram por completo, mas perderam intensidade. Os tiques vocais continuaram presentes, porém acompanhados de algo novo: mais relaxamento, mais calmaria. “Ele ficou mais tranquilo. Com menos crises.”
Entre doses, ajustes e avanços concretos
Hoje, o tratamento de N. M. envolve a associação de Canabinoides, administrados conforme a necessidade clínica. O THC é utilizado regularmente, três vezes ao dia, no manejo da Tourette. Em períodos de maior intensidade dos tiques, entra também a goma de THC. O CBD faz parte da base do tratamento, e outros compostos são usados à noite, com foco no sono. Para o TDAH, o acompanhamento segue associado.
O impacto dessas mudanças ultrapassa os sintomas mais visíveis. Um ano após o início do uso da Cannabis medcinal, Nágila não hesita ao comparar passado e presente. “A qualidade de vida dele hoje é indiscutível. É incrível.” O sono, antes fragmentado, se tornou contínuo. Dormir passou a ser dormir, sem interrupções. Brincar voltou a caber na rotina.
Na escola, a diferença foi ainda mais marcante. A dificuldade de concentração era fonte constante de frustração. “Ele chorava porque não conseguia.” Com o tempo, isso mudou. “Hoje, ele consegue.” Para a mãe, esses momentos — aparentemente simples — são os que ficaram guardados. “Com alívio”, como ela narra.
Nágila descreve a Síndrome de Tourette como uma montanha-russa: não há cura, apenas tratamento e manejo. “É onde a gente mais encontra controle.” O que mudou não foi a existência da condição, mas a forma como ela atravessa o cotidiano. “Hoje, ele é outra criança.”
Apesar dos resultados, o estigma ainda acompanha o tratamento. O uso da Cannabis medicinal, especialmente na infância, segue cercado de desinformação. “É falta de informação”, afirma. Com o tempo, no entanto, a experiência concreta começou a falar mais alto. Amigos que antes rejeitavam o tema passaram a considerar. Familiares que evitavam a conversa mudaram de postura ao observar os efeitos.
“Quando veem a qualidade de vida, começam a entender.”
A própria família ampliou o olhar sobre o tratamento. “Minha mãe faz uso para dor. Eu faço para ansiedade.” Para Nágila, falar sobre os benefícios faz parte do processo de quebrar o preconceito. “Vai sendo aos poucos.”
Importante!
Após o diagnóstico de Síndrome de Tourette, muitas famílias passam a buscar alternativas terapêuticas que possam ajudar no controle dos sintomas. No caso dos medicamentos à base de Cannabis, o primeiro passo é contar com a orientação de um profissional de saúde habilitado e com experiência nesse tipo de prescrição.
A avaliação médica é indispensável para definir se o tratamento é indicado, quais compostos podem ser utilizados e em quais doses. Esse acompanhamento pode ocorrer tanto de forma presencial quanto por telemedicina, a depender da disponibilidade do paciente e do especialista. Clique aqui e agende sua consulta!

















