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“A gente sempre soube que ela era capaz de evoluir, de ter mais autonomia. A Cannabis acelerou e potencializou esse processo”

“A gente sempre soube que ela era capaz de evoluir, de ter mais autonomia. A Cannabis acelerou e potencializou esse processo”

Publicado em

31 de março de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

Diagnosticada com TEA por volta dos dois anos, M.C, hoje com três,  já tinha contato com um ambiente onde a Cannabis medicinal era discutida como alternativa terapêutica. Mesmo assim, a família optou por não iniciar o tratamento naquele momento.

“A gente nunca torceu o nariz para essa possibilidade, mas também não era algo que a gente pensava para aquele momento”, conta a mãe, Anne Caroline.

Segundo ela, apesar do ambiente favorável, não houve pressão para iniciar o uso. Pelo contrário: a família se sentiu à vontade para seguir apenas com as terapias no início.

A criança passou meses em acompanhamento, incluindo fonoaudiologia e terapia ocupacional. Foi quase um ano depois que a possibilidade da Cannabis voltou à pauta — desta vez, de forma mais concreta.

Relato de fonoaudióloga levou família a reconsiderar tratamento, iniciado em janeiro de 2026

A mudança começou em uma conversa com a fonoaudióloga, que relatou o caso de outro paciente e os avanços observados com o uso da substância.  “Foi ali que a gente começou a considerar de verdade”, diz Anne.

Até então, a percepção era de que o tratamento poderia ser positivo, mas talvez não fosse necessário, ou não fosse o momento certo. A partir desse relato, a família passou a pesquisar mais e reavaliar a decisão.

Em janeiro de 2026, iniciou o tratamento com Cannabis medicinal, sob prescrição da Dra Vanessa Matalobos. A introdução foi feita com doses baixas — seis gotas no almoço e seis no jantar, com formulação de CBD e THC — e acompanhamento contínuo.

Mesmo no início do uso, os efeitos chamaram atenção

Nas primeiras semanas, passou a responder melhor a estímulos que já faziam parte da rotina. “Ela começou a falar palavras que nunca tinha falado, e com muita naturalidade”, relata a mãe.

O padrão de sono também melhorou, assim como a alimentação, que já não era um problema, mas se tornou ainda mais ampla, com maior aceitação de novos alimentos.

Outro ponto importante foi o comportamento. Segundo Anne, ela ficou mais dócil e passou a estabelecer um contato visual mais consistente.

Mas os avanços mais marcantes vieram em situações específicas do dia a dia.

Uma delas foi a leitura. Antes mesmo do tratamento, a criança já demonstrava interesse por letras e números. Após o início do uso da Cannabis, esse interesse evoluiu rapidamente.

A família conseguiu registrar em vídeo a menina lendo palavras como cores — vermelho, azul, verde, branco — e também termos com sílabas simples e até palavras maiores, incluindo o nome do irmão.

“Parecia uma criança em processo de alfabetização”, descreve a mãe.

Outro momento foi ainda mais significativo para a família: a criança aprendeu a dar beijo.

A habilidade havia sido perdida por volta de um ano e quatro meses. Desde então, não havia sido retomada.

“Hoje a gente recebe beijo da nossa filha. Isso é muito emocionante”, afirma Anne.

Atualmente, a pequena apresenta um nível de autonomia e compreensão que surpreende até em situações simples. Segundo a mãe, ela consegue antecipar ações do cotidiano: ao ouvir que vai comer pipoca, por exemplo, vai até o armário e pega o pacote antes mesmo de alguém pedir.

Mesmo sendo uma criança ainda não verbal, a capacidade de compreensão aumentou significativamente. Para a família, o tratamento não substituiu as terapias, mas potencializou os resultados já esperados.

“A gente sempre soube que ela era capaz de evoluir, de ter mais autonomia, mais concentração. A Cannabis acelerou e potencializou esse processo”, diz.

O uso da substância também não gerou resistência significativa no entorno. Segundo Anne, a maioria das pessoas apoiou a decisão, que pode ser um reflexo de um maior acesso à informação sobre o tema.

Ainda nos primeiros meses de tratamento, a avaliação da família é direta: “Foi um divisor de águas.”

Mais do que mudanças pontuais, o que se observa é uma transformação consistente na forma como a criança interage, aprende e responde ao mundo ao redor — um processo que, segundo a mãe, ainda está só começando.

Leia também:

Diagnóstico tardio de autismo: mãe de criança com TEA descobre o transtorno aos 38 anos após anos de diagnósticos equivocados

Importante! 

No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis é autorizado mediante prescrição médica e acompanhamento profissional. Cada caso deve ser avaliado de forma individual, levando em conta o histórico clínico e as necessidades específicas do paciente.

Para quem deseja entender se essa pode ser uma alternativa terapêutica, o primeiro passo é buscar orientação médica.

Na plataforma do Cannabis & Saúde, é possível encontrar profissionais de diversas especialidades com ampla experiência na prescrição de canabinoides.

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Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

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