Diagnosticada com TEA por volta dos dois anos, M.C, hoje com três, já tinha contato com um ambiente onde a Cannabis medicinal era discutida como alternativa terapêutica. Mesmo assim, a família optou por não iniciar o tratamento naquele momento.
“A gente nunca torceu o nariz para essa possibilidade, mas também não era algo que a gente pensava para aquele momento”, conta a mãe, Anne Caroline.
Segundo ela, apesar do ambiente favorável, não houve pressão para iniciar o uso. Pelo contrário: a família se sentiu à vontade para seguir apenas com as terapias no início.
A criança passou meses em acompanhamento, incluindo fonoaudiologia e terapia ocupacional. Foi quase um ano depois que a possibilidade da Cannabis voltou à pauta — desta vez, de forma mais concreta.
Relato de fonoaudióloga levou família a reconsiderar tratamento, iniciado em janeiro de 2026
A mudança começou em uma conversa com a fonoaudióloga, que relatou o caso de outro paciente e os avanços observados com o uso da substância. “Foi ali que a gente começou a considerar de verdade”, diz Anne.
Até então, a percepção era de que o tratamento poderia ser positivo, mas talvez não fosse necessário, ou não fosse o momento certo. A partir desse relato, a família passou a pesquisar mais e reavaliar a decisão.
Em janeiro de 2026, iniciou o tratamento com Cannabis medicinal, sob prescrição da Dra Vanessa Matalobos. A introdução foi feita com doses baixas — seis gotas no almoço e seis no jantar, com formulação de CBD e THC — e acompanhamento contínuo.
Mesmo no início do uso, os efeitos chamaram atenção
Nas primeiras semanas, passou a responder melhor a estímulos que já faziam parte da rotina. “Ela começou a falar palavras que nunca tinha falado, e com muita naturalidade”, relata a mãe.
O padrão de sono também melhorou, assim como a alimentação, que já não era um problema, mas se tornou ainda mais ampla, com maior aceitação de novos alimentos.
Outro ponto importante foi o comportamento. Segundo Anne, ela ficou mais dócil e passou a estabelecer um contato visual mais consistente.
Mas os avanços mais marcantes vieram em situações específicas do dia a dia.
Uma delas foi a leitura. Antes mesmo do tratamento, a criança já demonstrava interesse por letras e números. Após o início do uso da Cannabis, esse interesse evoluiu rapidamente.
A família conseguiu registrar em vídeo a menina lendo palavras como cores — vermelho, azul, verde, branco — e também termos com sílabas simples e até palavras maiores, incluindo o nome do irmão.
“Parecia uma criança em processo de alfabetização”, descreve a mãe.
Outro momento foi ainda mais significativo para a família: a criança aprendeu a dar beijo.
A habilidade havia sido perdida por volta de um ano e quatro meses. Desde então, não havia sido retomada.
“Hoje a gente recebe beijo da nossa filha. Isso é muito emocionante”, afirma Anne.
Atualmente, a pequena apresenta um nível de autonomia e compreensão que surpreende até em situações simples. Segundo a mãe, ela consegue antecipar ações do cotidiano: ao ouvir que vai comer pipoca, por exemplo, vai até o armário e pega o pacote antes mesmo de alguém pedir.
Mesmo sendo uma criança ainda não verbal, a capacidade de compreensão aumentou significativamente. Para a família, o tratamento não substituiu as terapias, mas potencializou os resultados já esperados.
“A gente sempre soube que ela era capaz de evoluir, de ter mais autonomia, mais concentração. A Cannabis acelerou e potencializou esse processo”, diz.
O uso da substância também não gerou resistência significativa no entorno. Segundo Anne, a maioria das pessoas apoiou a decisão, que pode ser um reflexo de um maior acesso à informação sobre o tema.
Ainda nos primeiros meses de tratamento, a avaliação da família é direta: “Foi um divisor de águas.”
Mais do que mudanças pontuais, o que se observa é uma transformação consistente na forma como a criança interage, aprende e responde ao mundo ao redor — um processo que, segundo a mãe, ainda está só começando.
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Importante!
No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis é autorizado mediante prescrição médica e acompanhamento profissional. Cada caso deve ser avaliado de forma individual, levando em conta o histórico clínico e as necessidades específicas do paciente.
Para quem deseja entender se essa pode ser uma alternativa terapêutica, o primeiro passo é buscar orientação médica.
Na plataforma do Cannabis & Saúde, é possível encontrar profissionais de diversas especialidades com ampla experiência na prescrição de canabinoides.