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UNISUL inicia estudo com CBD para depressão e busca voluntários

UNISUL inicia estudo com CBD para depressão e busca voluntários

Ensaio clínico conduzido pela UNISUL busca participantes para testar CBD em casos de depressão. Entenda como funciona e quem pode se inscrever.

Publicado em

18 de março de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

UNISUL abre estudo com CBD para depressão e busca voluntários

Pesquisadores da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) estão buscando voluntários para um novo ensaio clínico que vai investigar os efeitos de um óleo rico em canabidiol (CBD) nos sintomas do transtorno depressivo maior (TDM).

O estudo é conduzido pelo Dr. Linério Novais e conta com a coordenação do Prof. Dr. Rafael Mariano de Bitencourt, do Laboratório de Neurociência Comportamental (LabNeC).

O trabalho pretende ajudar a ampliar o conhecimento sobre o uso dos compostos da Cannabis na saúde mental, tema que vem ganhando mais atenção de pesquisadores da área.

Interessados podem se inscrever por meio de formulário online.

A metodologia do estudo

O estudo segue um modelo bem estruturado: randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

Isso significa que nem os participantes nem os pesquisadores sabem quem está recebendo o produto ativo ou o placebo durante o experimento. Isso aumenta a confiabilidade dos resultados.

Esse tipo de metodologia é considerado padrão-ouro na ciência. Ela pode gerar resultados mais confiáveis sobre os efeitos do CBD.

O medicamento à base de Cannabis testado

O produto à base de Cannabis utilizado na pesquisa é um óleo de espectro completo rico em CBD.

Significa que, além do canabidiol, ele contém outros compostos naturais da planta Cannabis em pequenas quantidades. Esses compostos podem atuar juntos no organismo, aumentando os possíveis efeitos terapêuticos.

Quem pode participar

O público-alvo são adultos com mais de 18 anos que tenham diagnóstico já confirmado de TDM.

Cada participante passará por três meses de tratamento, com acompanhamento da equipe de pesquisa.

A participação é voluntária, e todas as informações coletadas serão mantidas em sigilo, seguindo os princípios éticos de pesquisa clínica.

A equipe pretende contar com 60 participantes para o estudo. As inscrições seguirão abertas até meados de 2026, e a expectativa é que a etapa de acompanhamento clínico da pesquisa seja concluída ainda este ano.

O que é o transtorno depressivo maior

O transtorno depressivo maior é uma condição de saúde mental que apresenta sintomas persistentes, como desânimo intenso, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração e sensação de cansaço constante.

O tratamento geralmente envolve acompanhamento médico, psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos.

No entanto, estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que aproximadamente 40% dos brasileiros diagnosticados com depressão não respondem adequadamente à primeira ou segunda linha de medicação convencional. Isso reforça a importância de novas pesquisas na área.

Antes do estudo: o que a ciência já sabe sobre o CBD no tratamento da depressão

Antes do estudo clínico em humanos, pesquisas em laboratório e com modelos animais já indicavam que o CBD pode ter efeitos positivos sobre os sintomas associados à depressão.

Os resultados indicam que o canabidiol pode atuar em regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, área relacionada à memória, ao aprendizado e à regulação das emoções.

Em estudos pré-clínicos, o CBD foi associado ao aumento das conexões entre neurônios e ao fortalecimento da comunicação entre essas células.

Comparado a medicamentos convencionais, que geralmente focam em neurotransmissores, como a serotonina, o CBD pode ter uma ação mais abrangente. Ele pode ajudar a equilibrar a atividade geral do cérebro.

Por isso, o canabinoide vem sendo investigado como um complemento às abordagens convencionais. Especialmente para pessoas que não respondem bem aos tratamentos atuais ou enfrentam efeitos colaterais indesejados.

Como acessar tratamentos com Cannabis no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis, desde que haja prescrição médica. Portanto, se você ou alguém próximo deseja iniciar essa terapia, busque orientação profissional

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.

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