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Estudo de caso: como o canabidiol ajudou cachorro a ficar anos sem crises epilépticas

Estudo de caso: como o canabidiol ajudou cachorro a ficar anos sem crises epilépticas

O caso do cachorro Jack mostra o potencial do canabidiol (CBD) no controle da epilepsia canina, com uso contínuo, segurança e eficácia a longo prazo

Publicado em

23 de janeiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Estudo de caso: como o canabidiol ajudou cachorro a ficar anos sem crises de epilepsia

Em diversas condições de saúde, os benefícios terapêuticos do canabidiol (CBD) observados em humanos também podem ser replicados em cachorros. A epilepsia refratária é um exemplo marcante dessa semelhança, tanto em pessoas como em animais. A redução na frequência e na intensidade das crises com o uso de medicamentos à base de Cannabis pode transformar o bem-estar dos pacientes, além de seus cuidadores.

Um estudo de caso ilustra esse potencial ao acompanhar a trajetória de Jack, um cachorro que conviveu por anos com epilepsia grave até alcançar estabilidade com o uso do canabidiol. Na época da conclusão do artigo, Jack estava há sete anos sem crises epilépticas, mantendo-se estável apenas com CBD.

A epilepsia canina

A epilepsia em cães surge de forma semelhante à observada em humanos, quando grupos de neurônios passam a disparar sinais elétricos excessivos, provocando convulsões. Essas crises podem variar de episódios leves até quadros extremamente graves e recorrentes.

O tratamento convencional da epilepsia canina envolve o uso diário de medicamentos antiepilépticos para tentar manter as crises sob controle. Em situações de emergência, outros fármacos podem ser associados ao protocolo. No entanto, nem todos os animais respondem adequadamente, configurando o que os veterinários chamam de epilepsia refratária, quando as crises persistem apesar do uso correto da medicação.

Foi exatamente esse o caso de Jack.

Jack e uma epilepsia difícil de controlar

Jack é um cachorro macho, mestiço de Pastor Belga Malinois com Pastor Basco. Ele teve sua primeira crise epiléptica aos cinco anos de idade e recebeu o diagnóstico de epilepsia idiopática, quando exames descartam causas identificáveis, como tumores ou infecções no cérebro.

Inicialmente, o tratamento com fenobarbital conseguiu controlar as crises, que ocorriam a cada quatro a oito semanas. Mas, com o passar do tempo, o quadro piorou e Jack passou a ter crises a cada duas semanas, muitas delas em cluster, exigindo uso frequente de medicamentos de emergência.

Além das convulsões, surgiram efeitos colaterais importantes, que incluíam desorientação, perda de coordenação, fraqueza nas patas traseiras, sonolência excessiva e queda na qualidade de vida.

Houve então a inclusão de brometo de potássio no tratamento. No entanto, em pouco tempo, Jack desenvolveu reações graves, como lesões de pele, perda de pelos, dor e irritabilidade. Diante desse quadro, o tutor e os veterinários optaram por suspender o medicamento.

Sem resposta adequada aos tratamentos convencionais, a possibilidade de eutanásia começou a ser considerada. Foi nesse contexto que o CBD entrou como uma última alternativa.

Canabidiol para evitar a eutanásia

Inspirados por relatos positivos do uso de CBD em epilepsias humanas graves, tutor e veterinários decidiram iniciar o tratamento com óleo rico em canabidiol, com baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC) de grau farmacêutico.

O CBD foi introduzido gradualmente, em associação ao fenobarbital, com uma dose inicial de 0,6 mg/kg, administrada duas vezes ao dia. Nos primeiros dias, Jack apresentou maior sonolência, um efeito esperado durante o período de adaptação. Em seguida, a dose foi progressivamente aumentando:

  • • Primeiro para 1 mg/kg por dia;
  • • Depois para 1,2 mg/kg por dia;
  • • Até chegar a 2 mg/kg por dia, dose considerada ideal.

Nesse estágio do tratamento, Jack completou quatro semanas sem crises, algo que não acontecia havia anos.

CBD assume o controle das crises

Com a estabilização do quadro, os veterinários iniciaram a redução gradual do fenobarbital. A cada ajuste, Jack permanecia bem, sem retorno das convulsões. Paralelamente, os efeitos colaterais do anticonvulsivante foram desaparecendo: ele recuperou força, coordenação motora e disposição.

Após meses sem crises, os exames do cachorro mostraram que os níveis de fenobarbital estavam abaixo da faixa terapêutica, indicando que o controle da epilepsia vinha, principalmente, do canabidiol. Desde então, Jack passou a viver em monoterapia com CBD, na dose de 2 mg/kg/dia, sem necessidade de ajustes e sem recorrência das crises.

Hoje idoso, Jack vive sem crises

Os pesquisadores também avaliaram se o CBD poderia estar aumentando a concentração do fenobarbital no organismo, por interferir no metabolismo do fígado. Os resultados mostraram que essa interação não ocorreu, reforçando a hipótese de que o canabidiol teve ação direta no controle das crises.

Outro ponto importante é que o CBD não atuou como um medicamento de emergência, mas sim como um tratamento contínuo, com efeito gradual e sustentado ao longo do tempo.

Sete anos após a última crise, Jack apresentava bom nível de atividade, cognição preservada e nenhum efeito adverso relevante, mesmo sendo um cachorro idoso com histórico neurológico grave.

Uso seguro do CBD nos cachorros brasileiros

No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis em animais domésticos tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que haja prescrição e acompanhamento de um médico-veterinário. Assim como acontece com humanos, o tratamento precisa ser individualizado, com escolha adequada do produto e monitoramento contínuo.

O caso de Jack não significa que o canabidiol vai funcionar para qualquer cachorro com epilepsia, mas reforça o potencial do canabinoide como alternativa terapêutica, especialmente quando os tratamentos convencionais falham.

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