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CBD é associado a menos dor e inflamação em doença do coração

CBD é associado a menos dor e inflamação em doença do coração

Pesquisa indica que o canabidiol (CBD) pode reduzir a dor e marcadores inflamatórios em casos de pericardite recorrente.

Publicado em

15 de julho de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

CBD é associado a menos dor e inflamação em doença do coração em casos de pericardite recorrente

Um medicamento oral à base de canabidiol (CBD) foi associado à redução da dor e da inflamação em pessoas com pericardite recorrente, doença que afeta a membrana ao redor do coração.

A pesquisa foi realizada com 27 adultos, e os resultados foram publicados na revista científica da American Heart Association. Trata-se de um ensaio clínico de fase II, etapa em que a eficácia e a segurança de um tratamento são avaliadas em humanos.

Após oito semanas, a intensidade média da dor caiu de 5,8 para 2,1 pontos em uma escala de zero a dez.

Entre os participantes que começaram o estudo com níveis elevados de proteína C-reativa, 80% apresentaram resultado dentro dos níveis considerados normais. A proteína C-reativa é um indicador de inflamação no organismo.

Os resultados chamam atenção porque colocam o CBD em uma área ainda pouco associada ao uso medicinal da Cannabis: o tratamento de uma doença cardiovascular.

A pericardite recorrente e o medo de novas crises

A pericardite é uma inflamação do pericárdio, uma bolsa formada por camadas finas que envolvem e protegem o coração. A doença pode causar episódios de dor no peito, geralmente intensa, além de febre, cansaço e dificuldade para respirar.

A condição é considerada recorrente quando reaparece depois de um período de quatro a seis semanas sem sintomas. De acordo com os pesquisadores, até 30% dos pacientes podem ter uma nova crise após o primeiro episódio.

Além da dor e das limitações físicas, muitos pacientes convivem com a preocupação de sofrer outra crise, o que pode prejudicar a qualidade de vida.

Os tratamentos convencionais incluem anti-inflamatórios e corticoesteroides. Em casos mais difíceis de controlar, também podem ser utilizados medicamentos injetáveis.

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Como o tratamento com CBD foi realizado

Os pesquisadores incluíram 27 adultos que apresentavam pelo menos a segundo ocorrência de pericardite recorrente.

O medicamento utilizado foi uma formulação oral à base de CBD, com concentração de 100 mg/mL e sem quantidades detectáveis de ∆9-tetrahidrocanabinol (THC).

A dose foi aumentada gradualmente até a maior quantidade tolerada por cada participante, respeitando o limite de 10 mg/kg, duas vezes ao dia.

Durante as primeiras oito semanas, os participantes continuaram tomando os medicamentos que já utilizavam para controlar a pericardite, como colchicina, anti-inflamatórios não esteroides e corticoesteroides.

Depois dessa primeira etapa, 24 pacientes participaram de uma extensão de 18 semanas. Nesse período, os médicos tentaram reduzir e suspender gradualmente os tratamentos convencionais, enquanto mantinham o uso do CBD.

Dor, inflamação e crises diminuíram

O principal objetivo do estudo era avaliar a mudança na intensidade da dor.

No início da pesquisa a pontuação média máxima era de 5,8. Após oito semanas, esse valor caiu para 2,1, uma redução média de 3,7 pontos.

Na semana 26, ao final da extensão, a pontuação média da dor era de 1,5.

Os pesquisadores também monitoraram a proteína C-reativa (PCR). Esse exame ajuda os médicos a avaliar se há um processo inflamatório ativo no organismo.

Dez participantes tinham PCR elevada no início. Após oito semanas, oito deles apresentaram resultados dentro dos níveis considerados normais. Na maioria desses pacientes, a redução ocorreu nas primeiras três ou quatro semanas.

Durante a fase de extensão, 70% dos pacientes permaneceram sem novas crises.

A frequência média de episódios caiu de 5,8 por ano, antes do estudo, para 0,9 episódio por ano durante a na pesquisa.

Quais efeitos colaterais foram observados

A diarreia foi o efeito adverso mais comum. Na maioria dos casos, o problema desapareceu sem necessidade de interromper o tratamento.

Também foram relatadas erupções na pele. Em alguns casos, foi necessário reduzir a dose ou utilizar antialérgicos ou corticoesteroides aplicados sobre a pele.

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Como o CBD poderia reduzir a inflamação

A hipótese dos pesquisadores envolve o inflamossoma NLRP3, uma estrutura presente nas células de defesa.

Essa estrutura funciona como parte do sistema de alarme do organismo. Na pericardite recorrente, sua ativação excessiva pode ajudar a manter a inflamação ao redor do coração.

De acordo com o estudo, o CBD poderia reduzir essa atividade ao regular a via NF-kappa B, um mecanismo celular envolvido no controle da resposta inflamatória. Com isso, poderia diminuir a produção de substâncias como as interleucinas IL-1 beta e IL-6.

O estudo, no entanto, não avaliou essas vias nos participantes. Portanto, esse possível mecanismo de ação permanece uma hipótese baseada em pesquisas anteriores.

Uma nova frente de pesquisa para o canabidiol

O uso terapêutico do canabidiol já é documentado em áreas como epilepsia, dor, espasticidade e efeitos colaterais do tratamento oncológico.

O novo estudo amplia a investigação do potencial do canabinoide para uma doença cardiovascular.

O medicamento utilizado no ensaio está passando pelas etapas necessárias para buscar a aprovação de autoridades regulatórias dos Estados Unidos. Os pesquisadores já iniciaram o recrutamento de voluntários para a fase III do estudo.

A mesma formulação também passa por ensaios clínicos para a miocardite aguda, inflamação que atinge o próprio músculo do coração.

A empresa responsável pelo produto mantém ainda outro programa de desenvolvimento para insuficiência cardíaca. Nesse caso, o CBD é administrado por via subcutânea.

Por que os resultados ainda são preliminares

Por enquanto, os resultados precisam ser confirmados em estudo randomizado, controlado por placebo e realizado com um número maior de participantes.

O ensaio de fase II acrescenta dados relevantes ao debate sobre a relação entre Cannabis e doenças cardiovasculares. Porém, ainda não permite concluir de forma definitiva se o medicamento rico em CBD deve integrar o tratamento da pericardite recorrente.

Os autores levantam a possibilidade de que uma formulação oral à base de CBD possa, no futuro, ser avaliada antes da indicação de corticoesteroides ou medicamentos injetáveis.

O uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil

No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. A avaliação individual continua sendo essencial para garantir que o tratamento seja eficaz e seguro.

Portanto, quem deseja incluir esses produtos na rotina de cuidado deve buscar orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde é possível marcar consultas presenciais ou por telemedicina com profissionais experientes nesse tipo de abordagem.

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