Dor persistente, dificuldade para dormir, perda de apetite e ansiedade fazem parte da rotina de muitos pacientes com câncer de pâncreas. Em muitos casos, o tumor é diagnosticado em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de cura, já que os sintomas iniciais costumam ser discretos.
O uso terapêutico da Cannabis nesses casos vem ganhando espaço como uma estratégia complementar para melhorar a qualidade de vida e favorecer a adesão ao tratamento oncológico. Nesse cenário, o estudo CanPan, um ensaio clínico realizado nos Estados Unidos, investigou como os derivados da Cannabis podem contribuir para a redução de sintomas em pessoas com câncer de pâncreas.
Uma equipe com experiência prévia em pesquisas sobre Cannabis e oncologia conduziu o trabalho em parceria com o Programa Estadual de Cannabis Medicinal de Minnesota. Antes do CanPan, o grupo já havia participado de estudos observacionais com mais de mil pacientes com câncer, além de um estudo clínico envolvendo tumores avançados.
Esses projetos mostraram que muitos pacientes relataram melhora de sintomas como dor, náusea e insônia, com poucos efeitos adversos. O CanPan surge, portanto, como um passo adiante ao testar essa abordagem de forma estruturada, randomizada e com foco específico nos efeitos dos derivados da Cannabis no câncer de pâncreas.
Os desafios do câncer de pâncreas
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais desafiadores da oncologia, principalmente porque a cirurgia com intenção curativa só é possível em uma parcela reduzida dos pacientes. Entre os sintomas mais comuns estão:
- • Dor abdominal ou nas costas
- • Perda de apetite e peso
- • Náusea e vômitos
- • Fadiga intensa
Mesmo com tratamentos oncológicos e cuidados paliativos, muitos pacientes continuam relatando sintomas de intensidade moderada a grave ao longo do tempo. Nesse sentido, terapias complementares, como os medicamentos à base de Cannabis, passaram a ser estudadas como parte de uma abordagem de cuidado integral.

Com ocorreu o estudo CanPan
O CanPan acompanhou 32 pacientes adultos diagnosticados com câncer de pâncreas localmente avançado ou metastático. Todos apresentavam pelo menos um sintoma relevante no momento da inclusão no estudo. Os participantes foram divididos em dois grupos:
- • Grupo de acesso precoce, que recebeu o medicamento à base de Cannabis nas primeiras oito semanas;
- • Grupo de acesso tardio, que iniciou o uso a partir da nona semana.
Os produtos foram fornecidos pelo programa estadual de Cannabis medicinal, e os pacientes receberam orientação personalizada, com a escolha da formulação guiada pelos sintomas predominantes. Os medicamentos eram de uso oral, como comprimidos e cápsulas, contendo delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) ou combinações de ambos.
Os participantes receberam a orientação para começar com doses baixas e aumentar gradualmente, conforme tolerância e resposta clínica. Após algumas semanas, a dose média diária variou entre 7 e 10 mg de THC e cerca de 5 mg de CBD.
Houve acompanhamento telefônico nas primeiras semanas para avaliar possíveis efeitos adversos, ajustar doses e formulações e reforçar orientações de segurança.
Todos os participantes estavam em tratamento oncológico padrão, principalmente com quimioterapia citotóxica. O uso de medicamentos à base de Cannabis não substituiu nenhum tratamento convencional para o câncer de pâncreas, atuando exclusivamente como terapia complementar. Medicamentos como opioides, ansiolíticos e antieméticos seguiram sendo utilizados conforme a necessidade clínica.
Onde os canabinoides mais ajudaram
A maioria dos pacientes aderiu bem ao estudo, respondendo aos questionários e seguindo as orientações propostas. Em relação aos sintomas, os pacientes que tiveram acesso precoce aos medicamentos à base de Cannabis apresentaram:
- • Redução da dor
- • Aumento do apetite
- • Melhora da qualidade do sono
Um achado relevante foi a tendência de redução no uso de opioides entre os pacientes que utilizaram canabinoides mais cedo. Esse resultado reforça a ideia de que os medicamentos à base de Cannabis podem contribuir para a diminuição da dose de fármacos associados a efeitos colaterais importantes, favorecendo a adesão ao tratamento. Além disso, os efeitos adversos foram, em geral, leves, como boca seca.

Cannabis e a saúde do pâncreas
Além do câncer, outras condições que afetam o pâncreas também vêm sendo investigadas em relação ao uso de canabinoides.
Estudos associaram o uso de medicamentos à base de Cannabis a menor taxa de mortalidade, menor necessidade de internação e menos complicações em casos de pancreatite, uma inflamação crônica no pâncreas.
Pesquisas também indicam que o CBD pode ajudar a reduzir processos inflamatórios no pâncreas em pacientes com diabetes tipo 1. Ao modular respostas inflamatórias, o canabidiol pode exercer um efeito protetor no órgão, embora ainda não seja um tratamento padrão oficializado.
O estudo CanPan não se propõe a usar os derivados da Cannabis como cura para o câncer, mas sim como uma aliada no manejo dos sintomas, contribuindo para mais conforto e qualidade de vida. Os autores reforçam, no entanto, que tanto o tratamento do câncer quanto o uso de medicamentos com canabinoides devem sempre ocorrer com acompanhamento médico. A escolha do produto, da dose e da formulação deve considerar fatores como quadro clínico, os tratamentos em curso e as respostas individuais.
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