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Cannabis no câncer: estudo avalia uso em cuidados paliativos

Cannabis no câncer: estudo avalia uso em cuidados paliativos

Pacientes com câncer que relataram uso de produtos à base de Cannabis chegaram aos cuidados paliativos com mais sintomas, segundo estudo.

Publicado em

6 de julho de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Cannabis no câncer: estudo avalia uso em cuidados paliativos

Pacientes com câncer em cuidados paliativos que usam produtos à base de Cannabis apresentam maior intensidade nos sintomas. Dor, ansiedade e alterações de apetite foram os sintomas mais associados ao uso, segundo estudo publicado no American Journal of Hospice & Palliative Medicine.

Embora a pesquisa não tenha mostrado que a Cannabis melhorou os sintomas desses pacientes, ela indica que o uso foi mais comum entre pessoas que já apresentavam maior sofrimento físico e emocional.

Análise de prontuários em hospital referência nos EUA

No estudo, os pesquisadores analisaram registros médicos de pacientes com câncer atendidos em cuidados paliativos no Supportive Cancer Center do MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos.

Cuidados paliativos são uma área da saúde voltada ao alívio de sintomas, sofrimento e perda de qualidade de vida em pessoas com doenças graves. Eles não significam, necessariamente, que a pessoa esteja em fase terminal.

No câncer, os cuidados paliativos podem ser usados junto com outras terapias para ajudar o paciente a lidar melhor com dor, náusea, falta de apetite, cansaço, ansiedade e outros sintomas.

A pesquisa incluiu pacientes avaliados pela primeira vez no ano de 2024. Os pesquisadores compararam 100 pacientes que relataram uso de produtos à base de Cannabis com 300 pacientes que não relataram uso.

Cannabis aparece entre pacientes com mais sintomas

A Cannabis já aparece na rotina de parte dos pacientes com câncer, especialmente quando os sintomas são intensos.

O tema ganha importância nos cuidados paliativos porque pacientes com câncer costumam lidar com vários sintomas ao mesmo tempo. Além disso, frequentemente usam vários medicamentos, e a qualidade de vida é um dos principais objetivos do cuidado.

No estudo, os pacientes que relataram uso de Cannabis tiveram maior pontuação total na escala ESAS, uma ferramenta para medir sintomas em cuidados paliativos. Os usuários de canabinoides tinham, em média, 43 pontos, contra 37 dos que não relataram uso.

A escala ESAS é um questionário em que o paciente atribui uma nota de 0 a 10 para diferentes sintomas, como dor, náusea, ansiedade e sono. Zero significa ausência do sintoma, e dez o pior nível possível.

Além da pontuação mais alta na ESAS, os pacientes que relataram uso de Cannabis também tiveram maiores resultados em outras medidas de dor, náusea, depressão, ansiedade e alteração de apetite.

O mesmo foi observado em medidas de sofrimento financeiro e dor espiritual.

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Estudo mostra perfil de quem recorre à Cannabis

É importante destacar que o estudo não avaliou se derivados da Cannabis funcionam como tratamento.

O estudo sugere que pacientes com maior carga de sintomas podem estar mais propensos a recorrer a produtos à base de Cannabis.

Estudos anteriores reuniram dados sobre a eficácia do tratamento com canabinoides. Uma análise envolvendo mais de 10 mil artigos científicos indicou que 71% das análises apresentaram resultados favoráveis ao uso medicinal da Cannabis em pessoas com câncer.

O novo estudo observou, na prática clínica, que pacientes com câncer que utilizam Cannabis chegam ao atendimento de cuidados paliativos com maior carga de sintomas.

Dor, ansiedade e apetite pesaram na decisão

Na análise, ter mais pontuação de dor, maior ansiedade e mais alterações de apetite foram fatores associados à maior chance de utilizar produtos à base de Cannabis.

Esses resultados reforçam uma necessidade prática: os profissionais de saúde devem manter uma boa comunicação com pacientes com câncer sobre o uso de derivados da Cannabis.

Nesse contexto, o acompanhamento do paciente se torna essencial em cuidados paliativos.

Saber se o paciente usa produtos com canabinoides também ajuda a conversar sobre expectativas, possíveis benefícios e o que as evidências científicas mostram até agora.

Para os autores, o principal recado é prático: perguntar sobre Cannabis deve fazer parte da avaliação clínica.

Esse diálogo contribui para entender o que o paciente já está usando, orientar melhor o cuidado e reduzir incertezas em um cenário de maior fragilidade.

Orientação médica segue sendo essencial

No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de produtos à base de Cannabis mediante prescrição médica. Portanto, aqueles que desejam incluir canabinoides no tratamento devem buscar orientação profissional.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de abordagem.

A avaliação individual segue sendo etapa essencial para garantir que o tratamento seja seguro e eficaz.

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