Um estudo publicado na revista científica Discovery Medicine buscou discutir a relação cada vez mais evidente entre doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, e distúrbios metabólicos, como diabetes e obesidade. Ao longo da análise, no entanto, os pesquisadores avançaram além desse objetivo inicial e apresentaram uma comparação detalhada entre os efeitos do canabidiol (CBD) e dos agonistas do receptor GLP-1, medicamentos utilizados no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
Essa aproximação entre canabidiol e agonistas do receptor GLP-1 chama atenção porque sugere que substâncias muito diferentes, uma derivada da Cannabis e outra amplamente conhecida pelas “canetas emagrecedoras”, podem atuar em mecanismos biológicos semelhantes, com impacto tanto no metabolismo quanto na saúde do cérebro.
Onde metabolismo e cérebro se encontram
Por décadas, doenças como Alzheimer e diabetes foram tratadas como condições totalmente separadas. Hoje, essa visão vem mudando, à medida que evidências científicas mostram que alterações metabólicas afetam diretamente o funcionamento do cérebro.
De acordo com os pesquisadores, pessoas com diabetes, resistência à insulina, obesidade e alterações de colesterol apresentam maior risco de desenvolver:
- • Perda de memória;
- • Declínio cognitivo;
- • Demências, incluindo a doença de Alzheimer.

O artigo explica que essa conexão existe porque cérebro e metabolismo compartilham processos celulares fundamentais, como controle da inflamação, produção de energia e o mecanismo de reciclagem celular conhecido como autofagia.
A autofagia funciona como um sistema de limpeza celular, responsável por remover proteínas danificadas, eliminar estruturas celulares defeituosas e manter as células funcionando corretamente. Quando esse processo falha, resíduos se acumulam. No cérebro, isso favorece o acúmulo de beta-amiloide e da proteína tau, marcas conhecidas do Alzheimer. No metabolismo, a falha da autofagia compromete órgãos como fígado, pâncreas e vasos sanguíneos.
Ao perceberem que canabidiol e agonistas do receptor GLP-1 atuam exatamente nesses mesmos mecanismos, os pesquisadores se aprofundaram nessa relação e observaram que ambos interagem com redes celulares interligadas.
Mecanismos compartilhados entre canabidiol e agonistas do receptor GLP-1
Embora pertençam a contextos terapêuticos diferentes, o estudo identificou vários efeitos em comum entre o CBD e as substâncias ativas das terapias baseadas em agonistas do receptor GLP-1.
- Modulação da autofagia: ambos ajudam a regular esse processo, estimulando a limpeza celular sem provocar ativação excessiva.
- Atuação na via mTOR: contribuindo para o controle do crescimento celular e da sobrevivência das células.
- Redução da inflamação: diminuindo processos inflamatórios tanto no cérebro quanto em tecidos metabólicos.
- Combate ao estresse oxidativo: reduzindo o excesso de radicais livres.
- Proteção das mitocôndrias: preservando sua função essencial para o metabolismo e para o funcionamento cerebral.
O que essa relação revela sobre Alzheimer e diabetes
O estudo sugere que Alzheimer e diabetes compartilham raízes biológicas comuns. Por isso, estratégias terapêuticas voltadas à melhora do metabolismo podem, indiretamente, exercer um efeito protetor sobre o cérebro. A comparação entre canabidiol e agonistas do receptor GLP-1 reforça essa visão integrada, indicando que tratamentos distintos podem convergir para os mesmos alvos celulares.
Populares por auxiliar no emagrecimento e no controle glicêmico, os agonistas do receptor GLP-1 já são conhecidos por:
- • Melhorar a tolerância à glicose;
- • Reduzir o peso corporal;
- • Proteger o fígado;
- • Auxiliar no controle do diabetes.
Por outro lado, estudos indicam que o CBD pode:
- • Melhorar a tolerância à glicose;
- • Reduzir inflamação metabólica;
- • Proteger os vasos sanguíneos;
- • Contribuir para a saúde vascular, reduzindo riscos cardiovasculares associados ao diabetes.

Uso combinado: uma hipótese promissora, mas ainda sem comprovação
A comparação entre canabidiol e agonistas do receptor GLP-1 levanta a dúvida sobre o uso dessas duas abordagens em conjunto como estratégia terapêutica. De acordo com o estudo, essa possibilidade existe do ponto de vista biológico, mas ainda não foi comprovada na prática clínica.
Os autores explicaram que ambos atuam em mecanismos celulares semelhantes, como inflamação, estresse oxidativo e autofagia. Por esse motivo, essas substâncias poderiam se complementar, especialmente em pessoas com distúrbios metabólicos associados ao risco de declínio cognitivo.
No entanto, o artigo alerta que processos como a autofagia precisam funcionar em equilíbrio. Como o CBD e os agonistas de GLP-1 influenciam esse mesmo sistema, a combinação sem acompanhamento adequado pode gerar efeitos indesejados.
Assim, os pesquisadores reforçam que a ideia de uso combinado ainda é hipotética. Estudos clínicos são necessários para avaliar a segurança, dosagem e eficácia dessa associação.
Segurança em primeiro lugar
O uso de canetas emagrecedoras exige acompanhamento médico contínuo, pois esses medicamentos podem causar efeitos colaterais que variam de moderados a graves. Da mesma forma, medicamentos à base de Cannabis, incluindo o CBD, também exigem orientação profissional.
Portanto, pacientes interessados em iniciar um tratamento com canabinoides devem marcar uma consulta médica pela nossa plataforma de agendamento. Lá, você pode marcar uma consulta com médicos experientes nesse tipo de prescrição. Essa etapa é fundamental para avaliação individual, definição das doses e acompanhamento adequado.














