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CBD na psoríase: quando o uso oral pode complementar o tratamento

CBD na psoríase: quando o uso oral pode complementar o tratamento

CBD funciona na psoríase? A ciência mostra que o uso oral pode ajudar em sintomas como coceira, estresse e alterações no sono, atuando como complemento ao tratamento tópico. Entenda o que dizem os estudos.

Publicado em

5 de janeiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

CBD na psoríase: quando o uso oral pode complementar o tratamento

Nos últimos anos, estudos científicos vêm demonstrando que o canabidiol (CBD) pode atuar em diferentes frentes no tratamento da psoríase. Enquanto o uso tópico e transdérmico apresenta benefícios diretos sobre as lesões cutâneas, o uso oral do CBD aparece como uma possível estratégia complementar, especialmente para sintomas associados à condição, como coceira persistente, estresse e alterações no sono.

A abordagem combinada parte do princípio de que a psoríase vai além de uma doença de pele. Trata-se de uma condição inflamatória crônica que pode afetar o bem-estar físico, emocional e a qualidade do sono. Nesse contexto, a possibilidade de integrar o CBD administrado por via oral ao tratamento da psoríase foi avaliada em um estudo publicado no Journal of Dermatological Treatment, que investigou se o canabinoide poderia atuar tanto nos mecanismos inflamatórios quanto no bem-estar geral dos pacientes.

Por que combinar uso tópico e oral

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que formulações tópicas à base de CBD podem ajudar a reduzir descamação, vermelhidão e inflamação nas regiões onde o produto foi aplicado. Esses efeitos estão relacionados à interação do canabidiol com o sistema endocanabinoide presente na pele, responsável por regular processos inflamatórios e a proliferação excessiva de queratinócitos.

Na prática clínica, a decisão de adotar uma estratégia combinada para psoríase, com uso tópico e oral de CBD, depende do perfil de cada paciente. Fatores como extensão das lesões, impacto emocional e distúrbios do sono costumam ser determinantes, como explica a dermatologista Vanessa Matalobos.

“A escolha vai depender do tipo de psoríase que vamos tratar. Sendo uma área extensa e paciente com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e/ou insônia, o paciente irá ter melhor resultado em uma associação oral e tópica”, destacou a médica.

Dra. Vanessa ressalta ainda que o histórico do paciente com terapias à base de Cannabis também influencia diretamente nessa decisão.

“Se o paciente tem algum transtorno psicológico que a psoríase tende a piorar, associo oral e tópico. Se for a primeira vez do paciente em tratamento com produtos à base de Cannabis e não houverem muitas lesões, inicio o tópico e, na reavaliação, vejo se houve alguma resposta terapêutica. Caso não responda, inicio o oral associado”, afirmou a especialista.

O estudo com CBD oral para psoríase

O estudo, conduzido por pesquisadores tailandeses, utilizou um desenho considerado de alto rigor científico: um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Esse tipo de metodologia é o padrão-ouro da pesquisa científica, pois reduz vieses e aumenta a confiabilidade dos resultados.

Participaram 28 adultos com psoríase em placas crônica, divididos em dois grupos. Um deles recebeu óleo à base de CBD por via oral na dose de 60 mg por dia, enquanto o outro recebeu placebo. Nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o canabidiol.

Para avaliar a capacidade do CBD de reduzir a gravidade da psoríase, os pesquisadores utilizaram o PASI (Psoriasis Area and Severity Index), um dos instrumentos mais usados em pesquisas clínicas para avaliar a extensão e a intensidade das lesões.

O tratamento teve duração de 12 semanas, com acompanhamento adicional após a interrupção do uso. Durante o estudo, os voluntários mantiveram seus tratamentos habituais para psoríase. Além do PASI, os pesquisadores avaliaram:

  • • Intensidade da coceira;
  • • Impacto da doença na qualidade de vida;
  • • Níveis de estresse, ansiedade e depressão;
  • • Parâmetros objetivos e subjetivos do sono;
  • • Marcadores inflamatórios no sangue;
  • • Ocorrência de eventos adversos.

tratamento psoriase machucado

Onde o CBD oral mostrou benefícios na psoríase

Os resultados indicaram que o CBD oral trouxe benefícios específicos, importantes para compreender seu papel dentro de uma estratégia combinada para a psoríase:

  • • A partir da sexta semana, houve redução no tempo necessário para iniciar o sono.
  • • Na oitava semana, foi observada diminuição da coceira.

Além disso, o CBD foi bem tolerado, com efeitos adversos leves e semelhantes aos observados no grupo placebo. Esses achados sugerem que o canabidiol oral pode não atua diretamente na redução das placas, mas pode contribuir para o alívio de sintomas que impactam fortemente a qualidade de vida dos pacientes.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da estratégia combinada para tratar a psoríase: enquanto o uso tópico age diretamente sobre a pele, reduzindo espessamento e descamação, o uso oral pode ajudar a modular sintomas sistêmicos, como coceira persistente, estresse e distúrbios do sono.

Essa combinação não substitui as terapias convencionais, mas pode funcionar como adjuvante, especialmente em pacientes que não obtêm alívio suficiente com as abordagens consagradas.

A importância da avaliação individual

De acordo com a Dra. Vanessa Matalobos, a estratégia combinada exige uma avaliação individualizada para reduzir riscos e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades terapêuticas.

“Os benefícios são vários, pois o tratamento com Cannabis pode ser conjugado a outros métodos terapêuticos e proporcionar uma melhora da qualidade de vida em pacientes com psoríase, que em sua grande maioria têm o psicológico abalado.”

Ela reforça que o acompanhamento médico é fundamental para ajustar doses, avaliar respostas e evitar efeitos adversos.

Uso responsável de medicamentos à base de Cannabis

No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis exige prescrição médica, conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, o acompanhamento profissional é indispensável para monitorar efeitos adversos, interações medicamentosas e a eficácia do tratamento.

Se você quer iniciar um tratamento com compostos da Cannabis, acesse a nossa plataforma de agendamento e marque uma consulta com nossos especialistas. São diferentes médicos experientes na prescrição de canabinoides, todos preparados para avaliar o seu caso e recomendar o melhor caminho.

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