Nos últimos anos, estudos científicos vêm demonstrando que o canabidiol (CBD) pode atuar em diferentes frentes no tratamento da psoríase. Enquanto o uso tópico e transdérmico apresenta benefícios diretos sobre as lesões cutâneas, o uso oral do CBD aparece como uma possível estratégia complementar, especialmente para sintomas associados à condição, como coceira persistente, estresse e alterações no sono.
A abordagem combinada parte do princípio de que a psoríase vai além de uma doença de pele. Trata-se de uma condição inflamatória crônica que pode afetar o bem-estar físico, emocional e a qualidade do sono. Nesse contexto, a possibilidade de integrar o CBD administrado por via oral ao tratamento da psoríase foi avaliada em um estudo publicado no Journal of Dermatological Treatment, que investigou se o canabinoide poderia atuar tanto nos mecanismos inflamatórios quanto no bem-estar geral dos pacientes.
Por que combinar uso tópico e oral
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que formulações tópicas à base de CBD podem ajudar a reduzir descamação, vermelhidão e inflamação nas regiões onde o produto foi aplicado. Esses efeitos estão relacionados à interação do canabidiol com o sistema endocanabinoide presente na pele, responsável por regular processos inflamatórios e a proliferação excessiva de queratinócitos.
Na prática clínica, a decisão de adotar uma estratégia combinada para psoríase, com uso tópico e oral de CBD, depende do perfil de cada paciente. Fatores como extensão das lesões, impacto emocional e distúrbios do sono costumam ser determinantes, como explica a dermatologista Vanessa Matalobos.

“A escolha vai depender do tipo de psoríase que vamos tratar. Sendo uma área extensa e paciente com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e/ou insônia, o paciente irá ter melhor resultado em uma associação oral e tópica”, destacou a médica.
Dra. Vanessa ressalta ainda que o histórico do paciente com terapias à base de Cannabis também influencia diretamente nessa decisão.
“Se o paciente tem algum transtorno psicológico que a psoríase tende a piorar, associo oral e tópico. Se for a primeira vez do paciente em tratamento com produtos à base de Cannabis e não houverem muitas lesões, inicio o tópico e, na reavaliação, vejo se houve alguma resposta terapêutica. Caso não responda, inicio o oral associado”, afirmou a especialista.
O estudo com CBD oral para psoríase
O estudo, conduzido por pesquisadores tailandeses, utilizou um desenho considerado de alto rigor científico: um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Esse tipo de metodologia é o padrão-ouro da pesquisa científica, pois reduz vieses e aumenta a confiabilidade dos resultados.
Participaram 28 adultos com psoríase em placas crônica, divididos em dois grupos. Um deles recebeu óleo à base de CBD por via oral na dose de 60 mg por dia, enquanto o outro recebeu placebo. Nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o canabidiol.
Para avaliar a capacidade do CBD de reduzir a gravidade da psoríase, os pesquisadores utilizaram o PASI (Psoriasis Area and Severity Index), um dos instrumentos mais usados em pesquisas clínicas para avaliar a extensão e a intensidade das lesões.
O tratamento teve duração de 12 semanas, com acompanhamento adicional após a interrupção do uso. Durante o estudo, os voluntários mantiveram seus tratamentos habituais para psoríase. Além do PASI, os pesquisadores avaliaram:
- • Intensidade da coceira;
- • Impacto da doença na qualidade de vida;
- • Níveis de estresse, ansiedade e depressão;
- • Parâmetros objetivos e subjetivos do sono;
- • Marcadores inflamatórios no sangue;
- • Ocorrência de eventos adversos.

Onde o CBD oral mostrou benefícios na psoríase
Os resultados indicaram que o CBD oral trouxe benefícios específicos, importantes para compreender seu papel dentro de uma estratégia combinada para a psoríase:
- • A partir da sexta semana, houve redução no tempo necessário para iniciar o sono.
- • Na oitava semana, foi observada diminuição da coceira.
Além disso, o CBD foi bem tolerado, com efeitos adversos leves e semelhantes aos observados no grupo placebo. Esses achados sugerem que o canabidiol oral pode não atua diretamente na redução das placas, mas pode contribuir para o alívio de sintomas que impactam fortemente a qualidade de vida dos pacientes.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da estratégia combinada para tratar a psoríase: enquanto o uso tópico age diretamente sobre a pele, reduzindo espessamento e descamação, o uso oral pode ajudar a modular sintomas sistêmicos, como coceira persistente, estresse e distúrbios do sono.
Essa combinação não substitui as terapias convencionais, mas pode funcionar como adjuvante, especialmente em pacientes que não obtêm alívio suficiente com as abordagens consagradas.
A importância da avaliação individual
De acordo com a Dra. Vanessa Matalobos, a estratégia combinada exige uma avaliação individualizada para reduzir riscos e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades terapêuticas.
“Os benefícios são vários, pois o tratamento com Cannabis pode ser conjugado a outros métodos terapêuticos e proporcionar uma melhora da qualidade de vida em pacientes com psoríase, que em sua grande maioria têm o psicológico abalado.”
Ela reforça que o acompanhamento médico é fundamental para ajustar doses, avaliar respostas e evitar efeitos adversos.
Uso responsável de medicamentos à base de Cannabis
No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis exige prescrição médica, conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, o acompanhamento profissional é indispensável para monitorar efeitos adversos, interações medicamentosas e a eficácia do tratamento.
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