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CBD combinado à melatonina mostra potencial em doenças autoimunes

CBD combinado à melatonina mostra potencial em doenças autoimunes

Estudo acompanhou 70 pacientes e avaliou os efeitos do CBD, melatonina e angiotensina 1-7 em diferentes doenças autoimunes.

Publicado em

17 de junho de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

CBD combinado à melatonina mostra potencial em doenças autoimunes

Uma combinação de canabidiol (CBD), melatonina e angiotensina 1-7 mostrou resultados promissores em pacientes com doenças autoimunes refratárias, de acordo com estudo publicado na revista Academia Neuroscience and Brain Research.

A pesquisa acompanhou 70 pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos convencionais. Eles tinham diferentes doenças autoimunes, incluindo esclerose múltipla, tireoidite de Hashimoto, artrite reumatoide, lúpus, síndrome de Sjörgen e doença inflamatória intestinal. Essas condições ocorrem quando o sistema imunológico passa a atacar, por engano, células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

Os autores observaram reduções em marcadores laboratoriais associados à atividade autoimune e sinais de estabilização da doença em parte dos participantes.

Entenda o protocolo utilizado pelos pesquisadores

Para realizar o estudo, todos os participantes receberam uma combinação dos três compostos.

O tratamento foi administrado por via oral e incluía:

  • Melatonina: 10 mg por noite, cerca de 30 minutos antes de dormir;
  • Angiotensina 1-7: 0,5 mg duas vezes ao dia;
  • CBD: 20 mg duas vezes ao dia.

A única exceção foi o grupo de pacientes com esclerose múltipla, que recebeu uma dose maior de melatonina: 50 mg por noite.

Segundo os autores, essa dose mais elevada foi adotada com base em pesquisas anteriores que apontam especificidades em pacientes com esclerose múltipla.

O papel de cada substância

Melatonina

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal, localizada no cérebro. Ela é conhecida principalmente por regular o ciclo sono-vigília, ajudando o organismo a reconhecer quando é hora de dormir.

Nos últimos anos, estudos também passaram a investigar seu papel no sistema imunológico, no controle da inflamação e na proteção celular contra danos do estresse oxidativo.

Angiotensina 1-7

A angiotensina 1-7 é uma molécula produzida pelo sistema renina-angiotensina, associado ao controle da pressão arterial. Em estudos experimentais, a angiotensina apresentou efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores.

CBD

O terceiro componente do protocolo foi o canabidiol, composto produzido pela planta Cannabis que vem sendo investigado por seu potencial anti-inflamatório, neuroprotetor e imunomodulador.

O que o estudo encontrou

CBD e tireoidite de Hashimoto

Os resultados que mais expressivos foram observados entre os pacientes com tireoidite de Hashimoto.

Após três meses de tratamento, os níveis médios de anticorpos antitireoglobulina caíram de 246 IU/mL para 106 IU/mL, uma redução de aproximadamente 47%.

Além disso, cerca de 67% dos pacientes apresentaram uma queda superior a 30% nesses anticorpos.

CBD e esclerose múltipla

Dos 21 pacientes com esclerose múltipla incluídos na pesquisa, 62% apresentaram estabilização radiológica da doença.

Na prática, isso significa que exames de ressonância magnética não identificaram novas lesões nem progressões de lesões já existentes no cérebro e na medula espinhal durante o acompanhamento.

O período médio de estabilidade foi de 46 meses.

Além disso, os autores relataram melhora subjetiva de sintomas como dor neuropática e função motora. No entanto, essas avaliações não eram o foco principal do estudo e não passaram por análise por escalas padronizadas.

CBD e outras doenças autoimunes

Entre pacientes com outras condições autoimunes sistêmicas, os pesquisadores avaliaram os anticorpos antinucleares, frequentemente utilizados para acompanhar a atividade dessas doenças.

Após três meses de acompanhamento, 76% dos participantes apresentaram resposta sorológica. Ou seja, apresentaram melhora nos marcadores laboratoriais avaliados pelos pesquisadores.

Tratamento foi bem tolerado

Nenhum paciente interrompeu o tratamento devido a efeitos colaterais.

Os pesquisadores também relataram melhora em sintomas comuns entre pessoas com doenças autoimunes, como fadiga, ansiedade, problemas de sono, alterações de humor e até dor crônica.

Como os autores explicam os resultados

Segundo os pesquisadores, a combinação de melatonina, angiotensina 1-7 e CBD pode ajudar a reduzir processos inflamatórios ligados às doenças autoimunes e a equilibrar a resposta do sistema imunológico.

Estudos anteriores já mostraram que cada um desses compostos pode influenciar a inflamação e o sistema imunológico por mecanismos diferentes.

Por isso, os autores buscaram entender se a combinação dos três poderia trazer benefícios adicionais para pacientes com doenças autoimunes.

Por que os resultados ainda exigem cautela

Embora os resultados sejam promissores, ainda não é possível afirmar que o CBD ou os outros compostos representem um tratamento estabelecido para doenças autoimunes.

Os autores destacam que os resultados devem ser considerados preliminares e geradores de hipóteses.

O próximo passo será a realização de ensaios clínicos randomizados e controlados. Esse tipo de estudo permite avaliar com mais rigor a eficácia e a segurança da combinação de CBD, melatonina e angiotensina 1-7 como complemento ao tratamento de doenças autoimunes.

Tratamentos com CBD no Brasil

No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Portanto, aqueles que quiserem incluí-los em seu tratamento, devem buscar orientação profissional.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar consulta com médicos experientes nesse tipo de abordagem. A avaliação individual continua sendo uma etapa fundamental para o uso seguro e adequado dos canabinoides.

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