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“Canabidiol foi um divisor de águas”, diz mãe de paciente no espectro autista

Logo aos seis meses o desenvolvimento psicomotor de Marcelo gerou preocupação em sua mãe, Selma Zorzella. É a idade em que os bebês começam a sentar sozinhos, sem apoio, mas Marcelo não conseguia. O tempo passou e nada da situação mudar. “Ele começou a ser assistido por todas as terapias que pudessem dar estímulo nesse desenvolvimento”, lembra sua mãe. 

Com o passar dos anos, seu quadro se agravou. Chegou ao ápice entre a infância e adolescência, quando começou a ficar agressivo. Tanto com os outros, como consigo. Foi diagnosticado dentro do espectro autista. Nenhum tratamento atingia o objetivo de entregar uma melhor qualidade de vida para o jovem. Pelo contrário, proporcionavam outros sintomas, como tremores e constipação.

Tentativas frustradas

“Durante anos foram várias tentativas de remédios. Por um período solucionava, outro não. O que me preocupou mais foi que o Marcelo se agredia cada vez com mais frequência”, conta Selma. “Até que chegou uma hora que, de tanto ele bater nas têmporas, próximo ao rosto, ele possui uma miopia muito alta, teve descolamento de retina e acabou perdendo, mesmo com cirurgia, as duas vistas.”

Perder a visão aos 18 anos agravou toda a condição de Marcelo. “Ficou ainda mais agressivo. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Era mais uma perda para ele, além de todas as limitações que ele tem. Nós ficamos muito desesperados. A medicação não fazia mais efeito. Os efeitos colaterais eram muito grandes.”

Tratamento do autismo com Cannabis

De tanto tentar, já no final de 2019 a psiquiatra que atendia o Marcelo recomendou o tratamento com Cannabis. Selma não colocou barreiras, já que o filho de uma amiga já há muito controlava suas convulsões com a medicina canabinoide, e não se arrepende. “Praticamente um ano e alguns meses depois, posso dizer que o canabidiol foi um divisor de águas em nossas vidas. Em pouco tempo a reação foi extremamente positiva”, diz Selma.

Marcelo quase não podia mais sair do quarto. Bastava o latido da cachorra para que despertasse uma crise. “Ele se encontra calmo e feliz. Ficou mais tolerante aos sons, parou de se auto agredir. Voltou a ir na piscina que adora, participar das reuniões em família, sair de carro. Dormiu melhor, ficou mais feliz e disposto.”

Uma transformação na qualidade de vida rara ao longo dos 22 anos de Marcelo. Não só para ele, mas toda família Zorzella. “Passamos a ter uma vida normal com harmonia e paz”, comemora Selma. “Além de que, ao ver ele bem, todo mundo fica muito mais feliz.”

Felipe Floresti

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