Pesquisas científicas vêm mostrando que uma das estratégias mais promissoras para potencializar os efeitos terapêuticos do canabidiol (CBD) é combiná-lo com outros compostos da própria Cannabis ou até mesmo de outros vegetais.
Essa abordagem busca aproveitar a ação conjunta desses compostos no organismo, explorando efeitos complementares, em vez de utilizar apenas uma molécula isolada.
Considerando esse potencial sinérgico, pesquisadores realizaram um estudo que trouxe novas evidências sobre a relação entre colite, canabidiol e inflamação intestinal. Os resultados mostraram que a combinação do CBD com um canabinoide menos conhecido, a canabidivarina (CBDV), pode reduzir os sintomas da doença de forma mais eficaz do que o CBD isoladamente.
Colite: quando o sistema imunológico sai do controle
A colite faz parte do grupo das doenças inflamatórias intestinais (DII), que também inclui a doença de Crohn. Essas condições são marcadas por uma inflamação crônica no intestino, provocada por uma resposta exagerada do sistema imunológico, que passa a atacar o próprio tecido intestinal.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- • Diarreia persistente;
- • Dor abdominal;
- • Perda de peso;
- • Fadiga;
- • Sangramento intestinal.

Os tratamentos disponíveis atualmente ajudam muitos pacientes, mas nem sempre mantêm a eficácia a longo prazo e podem estar associadas a efeitos colaterais. Por isso, pesquisadores buscam alternativas que controlem a inflamação de forma mais específica e segura, e o CBD surge como um candidato promissor nesse contexto.
CBDV: potencializando os efeitos terapêuticos do CBD
A CBDV é um canabinoide presente naturalmente na Cannabis em quantidades bem menores do que o CBD. Sua estrutura química é bastante semelhante à do canabidiol, com uma pequena diferença na cadeia molecular, o que resulta em propriedades biológicas específicas.
De acordo com os autores, a CBDV já vem sendo investigada por possíveis aplicações em:
- • Distúrbios neurológicos, como epilepsia;
- • Modulação do sistema imunológico;
- • Proteção da barreira intestinal;
- • Equilíbrio da microbiota intestinal.
No estudo, os cientistas mostraram que a CBDV não substitui o CBD, mas atua como um modulador, ajudando o canabidiol a funcionar melhor, especialmente no controle de processos inflamatórios da colite.
Investigando células imunes
Na primeira etapa do estudo, os pesquisadores analisaram como a combinação de CBD com CBDV, na proporção de 20:1, atua sobre células do sistema imunológico diretamente envolvidas na inflamação intestinal.
O foco foi uma molécula chamada CXCR4, uma proteína que funciona como uma “sinalização”, ajudando as células imunológicas a se moverem pelo corpo e chegarem aos locais de inflamação. Na colite, a CXCR4 fica ativada de forma excessiva, fazendo com que um grande número de células inflamatórias migre para o intestino, agravando a inflamação e os danos ao tecido.
Após essa etapa, os cientistas testaram a combinação de canabidiol e canabidivarina em um modelo animal de colite, para avaliar se os efeitos observados em células também se repetiriam no organismo como um todo.

Resultado: menos inflamação intestinal
Os resultados indicaram que a combinação de CBD e CBDV produz efeitos anti-inflamatórios mais robustos do que o uso isolado de cada composto. Nos modelos animais, os indivíduos tratados com a combinação apresentaram:
- • Menor perda de peso;
- • Redução do sangramento intestinal;
- • Melhora no índice de ativação da doença;
- • Preservação do comprimento do cólon.
Além disso, a análise dos tecidos confirmou menor destruição da mucosa e redução da infiltração de células inflamatórias.
Como a combinação CBD + CBDV atua no organismo
Segundo os autores, esses resultados foram possíveis graças à atuação conjunta de diferentes mecanismos biológicos:
- • Ativação do receptor CB2: CBD e CBDV atuaram principalmente sobre o receptor canabinoide CB2, presente em células do sistema imunológico. Quando esse receptor foi bloqueado ou geneticamente removido, os benefícios do tratamento desapareceram, indicando seu papel central no efeito observado.
- • Redução do CXCR4: a ativação do CB2 levou à diminuição da expressão do CXCR4, limitando a migração de células inflamatórias para o intestino.
Em conjunto, os dados sugerem que a associação entre canabidiol e canabidivarina interfere diretamente nos mecanismos celulares que sustentam a progressão da colite. Embora os pesquisadores ressaltem a necessidade de estudos clínicos em humanos, essa estratégia pode representar uma abordagem mais direcionada e potencialmente eficaz do que os tratamentos convencionais.
Como usar medicamentos à base de Cannabis de forma responsável
É fundamental destacar que tratamentos com medicamentos à base de Cannabis devem sempre ocorrer sob acompanhamento médico. Cada organismo reage de uma forma diferente, e fatores como dose, via de administração e interação com outros fármacos influenciam diretamente o sucesso e a segurança do tratamento.
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