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Prescrição de Cannabis na odontologia avança no Brasil, mas formação ainda é principal desafio

Prescrição de Cannabis na odontologia avança no Brasil, mas formação ainda é principal desafio

Para a Dra. Ketsia Bezerra Medeiros, a Cannabis mostra resultados relevantes em dor, bruxismo e sono, mas a falta de formação ainda limita sua adoção na prática clínica

Publicado em

23 de abril de 2026

• Revisado por

Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

Odontologia-Cannabis

O uso terapêutico da Cannabis tem avançado de forma consistente na odontologia brasileira, ampliando possibilidades no manejo de dor, distúrbios do sono e disfunções da articulação temporomandibular (ATM). Ainda assim, a incorporação dessa abordagem na prática clínica permanece limitada — um cenário que revela não apenas desafios técnicos, mas também lacunas na formação profissional.

Para a professora da Vigo Academy e referência em odontologia canabinoide no país, Dra. Ketsia Bezerra Medeiros, o potencial terapêutico já é evidente, especialmente em condições que coexistem e se retroalimentam.

Dor, bruxismo e insônia: o ciclo que a Cannabis pode ajudar a quebrar

“Hoje, as principais aplicações estão relacionadas à dor, à DTM e aos distúrbios do sono. Esses quadros frequentemente aparecem no mesmo paciente e estão diretamente conectados”, afirma.

A relação entre essas condições é bidirecional: a dor compromete o sono, enquanto o sono fragmentado intensifica a percepção dolorosa. Em casos envolvendo a ATM, o quadro pode ser agravado pelo bruxismo do sono, que aumenta despertares noturnos, fadiga diurna e a intensidade da dor .

Ansiedade odontológica e pós-operatório: onde os resultados já aparecem

Na prática clínica, os canabinoides têm sido utilizados não apenas para dor, mas também em quadros de ansiedade, inflamação e recuperação.

Entre os principais usos estão:

  • controle da ansiedade e fobia odontológica
  • melhora da qualidade do sono
  • suporte à cicatrização pós-operatória
  • modulação inflamatória

“A gente já observa desfechos clínicos relevantes, especialmente quando o tratamento é individualizado”, destaca.

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Redução de danos: Cannabis pode ajudar até quem fuma

Outro avanço importante está na redução de danos em pacientes fumantes — tanto de nicotina quanto de Cannabis.

O canabidiol (CBD) tem demonstrado potencial para reduzir o número de cigarros consumidos ao longo do dia, possivelmente por atuar no metabolismo da nicotina e diminuir o desejo pelo uso contínuo .

Já em pacientes que utilizam cannabis de forma fumada, a estratégia pode incluir o balanceamento entre CBD, THC e THCV, buscando reduzir o consumo inalatório e seus impactos à saúde .

Prescrição exige formação: “não existe dose padrão”

Apesar do avanço, a prescrição de Cannabis ainda exige preparo técnico específico. A formação em endocanabinologia é apontada como essencial para uma prática segura.

“Dois pacientes com a mesma condição podem responder de formas diferentes. Não existe dose fixa”, explica. A condução segue o princípio de “start low, go slow”, com ajustes progressivos e acompanhamento próximo .A escuta clínica também é central. “O paciente é protagonista do tratamento.”

Por que poucos dentistas prescrevem, mesmo com alta demanda?

Mesmo com aumento de cerca de 300% na busca por informações, apenas 1,5% dos dentistas prescrevem cannabis atualmente. Para a especialista, o principal fator é o desconhecimento. “Muitos profissionais só buscam formação quando o paciente demanda. O interesse existe, mas ainda não virou prática estruturada”, afirma .

Além disso, pesam fatores como falta de capacitação,  insegurança clínica e ausência de protocolos consolidados. Além disso, o estigma em torno da Cannabis. Porém, para Ketsia,  o maior risco não é o efeito colateral — é não funcionar. Um dos pontos mais sensíveis, segundo a especialista, é a frustração terapêutica.

“O principal risco é não alcançar o resultado desejado. Isso pode desestimular tanto o paciente quanto o profissional”, afirma . Por isso, reforça, formação adequada e acompanhamento são decisivos para o sucesso do tratamento.

Um campo em expansão — e cada vez mais técnico

A odontologia canabinoide ainda está em consolidação no Brasil, mas já aponta para uma mudança importante na prática clínica.“A Cannabis abre um horizonte de possibilidades que só cresce. A tendência é termos cada vez mais profissionais capacitados”, conclui. Mais do que uma nova alternativa terapêutica, a Cannabis reposiciona o cuidado odontológico, com foco em individualização, escuta e precisão clínica.

Diante desse cenário, iniciativas de formação estruturada têm ganhado relevância na preparação de cirurgiões-dentistas para incorporar a Cannabis de forma segura e baseada em evidências.

Capacitação profissional ganha espaço diante da demanda por prescrição segura na odontologia

Cursos como o da Vigo Academy, “Medicina Canabinoide na Prática: Da Teoria à Prescrição Segura”, têm acompanhado esse movimento ao oferecer formação voltada à aplicação clínica, com conteúdos que vão dos fundamentos do sistema endocanabinoide à análise de casos reais, incluindo aspectos regulatórios e estratégias de prescrição. Em um campo ainda em consolidação, a capacitação profissional se torna um passo central para que o interesse pela terapia se traduza em prática clínica segura e consistente.

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Jornalista e pós-graduada em Filosofia e Literatura, com 13 anos de experiência em comunicação, conteúdo e estratégias digitais. Atuou como repórter, redatora, roteirista, ghost writer e head de conteúdo. Especialista em Thought Leadership e storytelling, acredita no poder das narrativas para conectar pessoas e ideias.

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