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Anvisa simplifica regras para prescrição de medicamentos à base de Cannabis

Anvisa simplifica regras para prescrição de medicamentos à base de Cannabis

Medicamentos à base de Cannabis com THC abaixo de 0,3% passam a ter menos burocracia na prescrição. Saiba como funciona a nova regra.

Publicado em

14 de maio de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Nova regra da Anvisa simplifica prescrição de Cannabis

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nova Resolução de Diretoria Colegiada que muda algumas regras para a prescrição de medicamentos à base de Cannabis no Brasil.

O texto foi oficializado em 11 de maio de 2025 e publicado dois dias depois. A medida altera as regras de controle sobre esses medicamentos e impacta tanto a prescrição médica quanto o cultivo da planta voltado para a exportação.

Na prática, a mudança reduz a burocracia para pacientes que utilizam medicamentos à base de Cannabis com baixa concentração de ∆9-tetrahidrocanabinol (THC). As novas regras valem para produtos vendidos em farmácias brasileiras.

Receita branca substitui receituário amarelo

Antes da nova regra, os produtos à base de Cannabis exigiam a Notificação de Receita A, o receituário amarelo. Esse tipo de documento é reservado para substâncias entorpecentes e medicamentos de controle mais rígido, conhecidos como medicamentos tarja preta.

Agora, os produtos à base de Cannabis com concentração de THC inferior a 0,3% podem ser prescritos com a Receita de Controle Especial.

A Receita de Controle Especial é um documento na cor branca emitido em duas vias. Uma delas fica retida na farmácia. Esse tipo de receita já é usado para antidepressivos e alguns ansiolíticos.

Desse modo, os medicamentos à base de Cannabis com baixo teor de THC deixam de seguir as regras dos remédios tarja preta. Eles passam a ter controle semelhante ao de medicamentos controlados mais comuns.

E os produtos com embalagens antigas?

A resolução prevê um período de transição. Produtos que ainda tenham tarja preta na embalagem, do modelo antigo, poderão ser vendidos até o fim do prazo de validade.

A medida pretende evitar descartes e desperdício de estoques antigos.

Como a mudança afeta médicos e pacientes

A nova regra impacta o dia a dia de quem se trata com medicamentos à base de Cannabis e também dos médicos que fazem prescrição.

É importante destacar que essas regras se aplicam aos produtos autorizados para venda em farmácias brasileiras. As normas para medicamentos importados permanecem as mesmas.

Para médicos

1. Tipo de receita exigida

  • Antes: Notificação de Receita A (receituário amarelo)
  • Agora: Receita de Controle Especial (RCE), documento branco emitido em duas vias, com retenção de uma via na farmácia.

2. Burocracia reduzida

A RCE é o mesmo tipo de receita usado para antidepressivos e ansiolíticos.

Com isso, o médico deixa de seguir trâmites exigidos pelo receituário amarelo, como notificações mais rigorosas à vigilância sanitária.

Para pacientes

1. Menos etapas

A RCE é menos burocrática que a antiga Notificação de Receita A.

Na prática, isso pode significar menos tempo de espera na farmácia, menos exigência de documentos adicionais e um processo mais parecido com o de outros medicamentos controlados.

2. Pacientes que usam medicamentos com teor de THC superior a 0,3%

A nova regra não se aplica a produtos com teor de THC superior a 0,3%.

Para esses casos, o regime de controle permanece o mesmo. Continua sendo exigida a Notificação de Receita B, de cor azul.

Cultivo de Cannabis para exportação

Outro ponto importante da resolução é a autorização para que empresas cultivem Cannabis com teor de THC igual ou inferior a 0,3% exclusivamente para exportação.

Para obter essa autorização, a empresa precisa comprovar que há demanda internacional por meio de contratos ou documentos de intenção de compra e distribuição.

Isso abre caminho para o Brasil se tornar fornecedor internacional de matéria-prima para a fabricação de medicamentos à base de Cannabis.

O que acontece com plantas com THC acima de 0,3%

A nova resolução mantém o controle rigoroso sobre plantas com teor de THC superior a 0,3%.

Esse cultivo continuará permitido para pesquisa científica e ambientes regulatórios experimentais autorizados pela Anvisa.

Orientação médica continua sendo necessária

Para quem deseja iniciar um tratamento com medicamentos à base de Cannabis, a orientação médica continua essencial, pois a Anvisa autoriza o uso desse tipo de medicamento com prescrição.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com profissionais experientes nesse tipo de terapia.

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Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

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